Valdemar surpreende e fala em volta de Bolsonaro à disputa; entenda o cenário Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL. Foto: Carta Capital

Valdemar surpreende e fala em volta de Bolsonaro à disputa; entenda o cenário

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Presidente do PL diz que ainda acredita em uma reviravolta judicial para Jair Bolsonaro, mas cenário segue favorável à candidatura de Flávio Bolsonaro e mantém a polarização na corrida presidencial

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, voltou a movimentar o cenário político ao afirmar que ainda acredita na possibilidade de Jair Bolsonaro disputar a Presidência. A declaração surpreendeu porque o partido já trabalha oficialmente com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, apontado como o principal representante do bolsonarismo nas eleições.

A fala ocorre às vésperas das convenções partidárias, período em que as legendas oficializam seus candidatos. Apesar do discurso otimista de Valdemar, especialistas e integrantes do meio político consideram remota uma mudança no quadro jurídico do ex-presidente a tempo de permitir sua participação na disputa.

O que pode mudar?

A defesa de Jair Bolsonaro apresentou um pedido de revisão criminal da condenação que o tornou inelegível. O processo será analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas já recebeu parecer contrário do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Ainda assim, Valdemar afirmou que “tudo pode acontecer” e comparou a situação de Bolsonaro com a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recuperou seus direitos políticos após decisões do Supremo e voltou a disputar a Presidência em 2022.

Na avaliação de juristas e analistas políticos, porém, o contexto jurídico é diferente. Além disso, o calendário eleitoral reduz o tempo disponível para uma eventual reversão antes da oficialização das candidaturas.

Declaração gera dúvidas sobre estratégia do PL

As falas de Valdemar também levantaram questionamentos sobre a estratégia do Partido Liberal.

Embora o dirigente tenha reforçado que o sonho do partido continua sendo uma candidatura de Bolsonaro, a legenda investe simultaneamente na consolidação do nome de Flávio Bolsonaro. Para analistas, manter aberta a possibilidade de retorno do ex-presidente pode dificultar a consolidação da campanha do senador.

Nos bastidores, o partido também tenta reduzir as tensões entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro após divergências públicas recentes. A avaliação é que a unidade da família será importante durante a campanha.

Busca por uma vice continua

Outro desafio do PL é definir a composição da chapa presidencial.

Valdemar voltou a defender que a vaga de vice seja ocupada por uma mulher. Entre os nomes cogitados, a senadora Tereza Cristina aparece como preferência do dirigente, embora ela tenha sinalizado que pretende seguir outros projetos políticos.

Já a ex-presidente da Caixa Daniela Marques também foi mencionada nas especulações, mas Valdemar afirmou que a escolha dependerá da capacidade do nome agregar votos.

Polarização continua dominante

As declarações ocorrem em um momento em que as pesquisas indicam a manutenção da polarização entre os dois principais campos políticos do país.

Levantamentos recentes mostram Lula e Flávio Bolsonaro concentrando a maior parte das intenções de voto, enquanto os demais pré-candidatos permanecem com percentuais reduzidos.

Na avaliação de analistas, esse cenário dificulta o crescimento de alternativas ao petismo e ao bolsonarismo. Nomes como Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema aparecem nas pesquisas, mas ainda distante dos líderes.

A tendência reforça um cenário semelhante ao das últimas eleições, em que a disputa presidencial permanece concentrada entre os dois principais grupos políticos, enquanto a chamada “terceira via” continua sem espaço relevante na preferência do eleitorado.

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