Vorcaro Day traz temor de delação ampla e paralisa mercados e política Vorcaro preso. Foto: Estadão Escândalo Master

Vorcaro Day traz temor de delação ampla e paralisa mercados e política

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A delação do ex-banqueiro ameaça autoridades do STF ao Planalto. O esquema bilionário de fraudes com consignados do Banco Master começou na Bahia. O mercado agora tenta calcular o estrago político desta crise.

O mercado financeiro e a classe política operam em alerta máximo nesta semana. Todos aguardam a delação de Daniel Vorcaro. A expectativa já altera as apostas políticas. Ninguém prevê o teor exato das revelações. A rede de influência do ex-banqueiro abriga figuras de peso. O grupo inclui membros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Congresso Nacional e chefes de Executivos estaduais e municipais. Vorcaro, aparentemente não teria mais o que perder.

O cenário atual difere do “Joesley Day”. Naquela época, a possível queda de Michel Temer ameaçava diretamente o ajuste econômico, diz o economista André Perfeiro num relatório recente a seus clientes. O escândalo de agora não aponta um alvo político único. O “Vorcaro Day” gera enorme ansiedade por essa indefinição. Diversos políticos de direita possuem laços diretos com o executivo. Um eventual foco das investigações no STF ou na Bahia atingirá o Palácio do Planalto em cheio.

O esquema nasceu na Bahia. Mas se expandiu rapidamente. O Master não era mais um banco, mas a maior central de fraudes financeiras da história recente do país. A fábrica de consignados da instituição funcionou como alavanca principal.

O banco emitiu CDBs de forma desenfreada para usar o limite do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Os operadores despejaram esses títulos de renda fixa nos fundos de previdência de servidores públicos estaduais e municipais. A engrenagem cresceu rápido e alcançou 24 estados e 176 municípios.

Daniel Monteiro, Augusto Lima e Daniel Vorcaro iniciaram a parceria em 2018. Eles estruturaram e replicaram a máquina de consignados juntos. Augusto Lima causa grande apreensão no núcleo do governo federal. Ele mantém proximidade com lideranças petistas baianas de alto escalão. A lista inclui o ministro Rui Costa (Casa Civil) e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner. Lima ganhou notoriedade ao comprar a rede Cesta do Povo na privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal). Foi este negócio que o aproximou de Vorcaro que na época estava comprando o Banco Máxima.

A compra do Banco Máxima, que estava prestes a ser liquidado, viabilizou essa escalada bilionária. Vorcaro comprou a instituição financeira pouco antes de sua liquidação. O banco já operava crédito consignado no mercado. A péssima qualidade dos ativos empurrava a empresa para a quebra iminente. Vorcaro assumiu o comando e deu sobrevida à estrutura. Mais que isso. Com as operações do Credcesta imprimiu uma velocidade na expansão de sua carteira que só foi possível graças a sua rede de contatos em estados e municípios. O tamanho dessa operação na Bahia virou um detalhe menor diante do gigantismo das fraudes do Banco Master. A carteira de consignado cresceu rapidamente com a ajuda da folha de pagamentos de muitos estados e municípios e depois criando suas próprias operacões simulando créditos que não existiam. Fraudes.

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