Arquivos ciência - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/ciencia/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Mon, 08 May 2023 15:00:08 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Comissão aprova projeto que incentiva participação feminina em ciência e tecnologia https://canalmynews.com.br/tecnologia/comissao-aprova-projeto-que-incentiva-participacao-feminina-em-ciencia-e-tecnologia/ Mon, 08 May 2023 15:00:08 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=37504 Texto também prevê estímulo ao empreendedorismo feminino por meio do acesso a linhas de crédito

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A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou projeto segundo o qual o Poder Executivo Federal deverá criar regras que proporcionem o estímulo à participação da mulher nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia, química, física e tecnologia da informação.

O texto também inclui, entre os princípios da Lei de Inovação Tecnológica, o estímulo ao empreendedorismo feminino, por meio do acesso a linhas de crédito, do fomento à educação financeira e do incentivo à assistência técnica.

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O texto aprovado é o substitutivo, com complementação de voto, da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) ao Projeto de Lei 840/21, da ex-senadora Maria do Carmo Alves (SE).

Incentivo na escola

A relatora incluiu, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), previsão de que o ensino do mundo físico e natural estimule as práticas educativas voltadas para a ampliação dos interesses e preferências das mulheres.

Ainda conforme a proposta aprovada, as escolas públicas e privadas deverão estabelecer espaços para os grupos de pesquisa das alunas, assim como para a resolução de exercícios e bibliotecas adaptadas ao estímulo do estudo e conhecimento das diversas disciplinas vinculadas à ciência e tecnologia.

“A presença das mulheres nas áreas científicas e tecnológicas precisa ser estimulada por meio de programas educacionais voltados para mitigar preconceitos e barreiras culturais”, afirmou Laura Carneiro.

Maternidade

A relatora também acrescentou no texto, por sugestão da deputada Delegada Katarina (PSD-SE), dispositivo assegurando, em todos os níveis de educação, afastamento de até 180 dias, sem prejuízo do emprego ou salário, em razão de maternidade, adoção ou no caso de doenças incapacitantes dos filhos dos educadores. Laura Carneiro concordou que a medida valoriza as profissionais da educação nacional.

A proposta também concede licença-maternidade de 180 dias para estudantes do nível superior. O texto assegura o direito à prorrogação do prazo para conclusão de curso nos casos de maternidade e de adoção. Atualmente, já existe o direito de afastamento do curso (previsto na Lei 6.202/75) e também a possibilidade de prorrogação de bolsas de estudo (Lei 13.536/17).

O substitutivo determina também que a prorrogação de prazos para conclusão de cursos e programas por conta de maternidade ou adoção não impactará negativamente a avaliação das instituições de ensino superior.

Tramitação

A matéria será analisada ainda pelas comissões de Ciência, Tecnologia e Inovação; de Educação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, seguirá para o Plenário da Câmara.

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Fiocruz e instituto chinês assinam acordo de cooperação científica https://canalmynews.com.br/brasil/fiocruz-e-instituto-chines-assinam-acordo-de-cooperacao-cientifica/ Thu, 13 Apr 2023 15:21:18 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=37023 Rio e Pequim terão centro de pesquisas de doenças Infecciosas

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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assinou nesta quarta-feira (12), em Pequim, um acordo de cooperação na área de ciência e tecnologia com a instituição chinesa CAS-TWAS Centro de Excelência para Doenças Infecciosas Emergentes (CEEID, na sigla em inglês). Entre as medidas, está prevista a criação do Centro Sino-Brasileiro de Pesquisa e Prevenção de Doenças Infecciosas (IDRPC). Uma sede vai ser em Pequim e a outra no Rio de Janeiro, no Campus Manguinhos.

A parceria é voltada especialmente para prevenção e controle de pandemias e epidemias, e de doenças infecciosas. Entre elas, covid-19, influenza, chikungunya, zika, dengue, febre amarela, oropouche e tuberculose. Também existe o compromisso de desenvolver bens públicos de saúde global, como testes de diagnósticos rápidos, terapias, vacinas e fármacos.

Segundo a Fiocruz, as conversas para assinar o acordo começaram antes de 2019, mas houve atraso por causa da pandemia e de questões políticas. O órgão atribui à mudança no governo federal a razão pela qual foi possível firmar a parceria agora e reaproximar os interesses de Brasil e China.

“Além da cooperação já em curso no campo da genômica, nós também queremos dar um caráter mais tecnológico a essa parceria e desenvolver produtos para a saúde. Também estamos considerando fazer editais conjuntos relacionados a projetos específicos e aumentar o fluxo de pesquisadores entre a China e o Brasil. E um dos pontos de destaque é a realização de um seminário até o último trimestre desse ano ou primeiro trimestre do ano que vem, para que identifiquemos pontos de conexão e potenciais contratos”, disse o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.

“Este acordo reforça a cooperação em saúde pública”, comentou Shi Yi, diretor executivo do CEEID.

Tanto a sede em Pequim como a no Rio de Janeiro vão ter pesquisadores dos dois países. Além da troca de conhecimentos e tecnologias, estão previstos projetos conjuntos, como o desenvolvimento de novas vacinas, anticorpos terapêuticos e medicamentos para doenças infecciosas agudas e crônicas, além de colaborações em medicina tropical. Em Pequim, o centro funcionará no Instituto de Microbiologia. No Brasil, ficará no prédio do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS), ainda em construção, com previsão de entrega no fim de 2024.

“Pela primeira vez vamos estabelecer dois centros físicos, que serão usados por pesquisadores brasileiros e chineses. Estamos transformando eventos que eram de curta duração, como as visitas de pesquisadores, em atividades permanentes. A ideia é ter aqui cientistas chineses por longos períodos, um mês, um ano, dois anos”, disse Carlos Morel, coordenador do CDTS.

Intercâmbio de conhecimento
Dentre as trocas de conhecimento, a China tem interesse especial na produção da vacina contra a febre amarela, tecnologia que a Fiocruz já domina há um tempo. As obras chinesas de infraestrutura na África aumentaram e trabalhadores do país asiático têm contraído a doença. Para o Brasil, é interessante ter acesso ao processo de produção do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), usado em vacinas como a da covid-19.

Histórico científico
Brasil e China começaram a se aproximar mais no campo científico com a visita de uma delegação liderada pelo cientista George Fu Gao, então diretor do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças (CDC/China), em junho de 2017. No mesmo ano, Gao e Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz à época, assinaram um Memorando de Entendimento para o desenvolvimento de projetos de pesquisa e tecnologia. Participaram também o ministro da Saúde no Brasil, Ricardo Barros, e o vice-ministro chinês, Guoqiang Wang. Desde então, comunicações entre os cientistas dos dois países têm aumentado, com realização de seminários, artigos e intercâmbios acadêmicos.

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Recursos do fundo de ciência e tecnologia serão recompostos integralmente, diz ministra https://canalmynews.com.br/brasil/recursos-do-fundo-de-ciencia-e-tecnologia-serao-recompostos-integralmente-diz-ministra-da-ciencia/ Wed, 18 Jan 2023 12:52:21 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=35465 Luciana Santos também anunciou que vai revogar a Medida Provisória nº 1.136/2022, que estabelece limites para a aplicação dos recursos do FNDCT em despesas

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A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou nesta terça-feira (17) que os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) serão recompostos integralmente. O valor previsto para 2023 ainda não foi divulgado.

Luciana Santos também anunciou que será revogada a Medida Provisória nº 1.136/2022, que estabelece limites para a aplicação dos recursos do FNDCT em despesas. Atualmente, dispositivo permite o contingenciamento dos recursos e prevê que utilização de 100% só poderá ser alcançada em 2027.

“Tenho a satisfação de anunciar a recomposição integral do orçamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e o fim dos limites impostos pela MP 1.136, editada pelo governo anterior e que perderá validade nos primeiros dias de fevereiro”, afirmou.

Ricardo Galvão
A declaração foi feita durante o anúncio oficial do físico Ricardo Galvão como novo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Nossa ciência sobreviveu a um cataclismo político. No dia de hoje viramos essa página triste de nossa história com a convicção que a ciência voltará a promover grandes avanços para nossa sociedade através da autoridade do conhecimento”, disse ele durante o evento.

Ricardo Galvão é doutor em física de plasmas aplicada pelo Instituto de Tecnologia e Massachussetts (MIT). Professor titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, foi diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) de 2004 a 2011; diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre 2016 a 2019, presidente da Sociedade Brasileira de Física (2013-2016) e membro da Sociedade Europeia de Física (2013-2016). Em 2019, foi eleito pela revista Nature como o primeiro em uma lista das dez pessoas mais importantes para a ciência naquele ano. Em 2021, recebeu o Prêmio da Liberdade e Responsabilidade Científica da Associação Americana para o Avanço da Ciência.

O nome de Galvão ganhou destaque no noticiário em 2019, quando ele foi exonerado da diretoria do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) após ter divulgado resultados do monitoramento via satélite do desmatamento da Amazônia, que mostravam recordes na derrubada de árvores. À época, o então presidente Jair Bolsonaro criticou a divulgação, dizendo que ela “prejudicava o país”.

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IBGE: atenção primária a crianças no SUS precisa de aprimoramento https://canalmynews.com.br/brasil/ibge-atencao-primaria-a-criancas-no-sus-precisa-de-aprimoramento/ Thu, 22 Dec 2022 01:14:57 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=35043 Pesquisa mostra que atenção primária ainda está aquém do necessário

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A Atenção Primária à Saúde (APS) a crianças, do Sistema Único de Saúde (SUS), ainda precisa de aprimoramento, de acordo com os responsáveis cujos filhos receberam algum atendimento este ano. Eles atribuíram notas aos serviços prestados, e as avaliações mostram que a APS ainda está aquém do considerado satisfatório. Os dados estão na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua: Atenção Primária à Saúde 2022, divulgada hoje (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O questionário foi aplicado, no segundo trimestre deste ano, aos responsáveis por crianças menores de 13 anos que tiveram ao menos um atendimento na unidade básica de saúde nos 12 meses anteriores à entrevista. Em escala de 0 a 10, a nota atribuída no Brasil foi 5,7. O escore é inferior a 6,6, considerado, na avaliação, o padrão mínimo de qualidade.

A pesquisa é uma versão adaptada e reduzida do chamado Instrumento de Avaliação da Atenção Primária à Saúde (do inglês Primary Care Assessment Tool – PCATool), também validado no Brasil pelo Ministério da Saúde, cuja metodologia vem sendo adotada por diversos países, o que permite a comparação internacional dos serviços.

A Atenção Primária à Saúde é considerada a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) no país. Nessa primeira abordagem, as pessoas que buscam os serviços de saúde são cadastradas e acompanhadas. No Brasil, a Atenção Primária à Saúde é desenvolvida em todos os municípios, preferencialmente por equipes de saúde da família, formadas por pelo menos um médico, um enfermeiro e um técnico de enfermagem.

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“Ter uma boa atenção primária à saúde traz benefícios gerais à sociedade e específicos ao sistema de saúde, seja na sua gestão, no seu custo, ou em outras frentes que envolvem o sistema de saúde”, diz a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy.

As notas variam conforme a localidade, mas nenhuma atingiu a estimativa igual ou superior a 6,6. A Região Sul obteve o maior escore geral, 6, e o Norte, o menor, 5,4. As demais regiões apresentaram escores gerais muito próximos: Nordeste e Centro-Oeste (5,7) e Sudeste (5,6). Já as unidades da Federação com valores iguais ou superiores a 6 foram o Paraná (6), Santa Catarina (6,1), Rio Grande do Sul (6,0), Mato Grosso (6,4) e o Distrito Federal (6,1).

Aperfeiçoamento
Outra avaliação divulgada foi o chamado Net Promoter Score (NPS), utilizado pelo setor de saúde no Brasil pelos planos privados de assistência à saúde e também mais recentemente, pelas unidades do SUS. O indicador também foi calculado a partir das respostas dadas pelos responsáveis pelas crianças. O NPS, que varia de -100 a +100, mostra quanto uma pessoa recomendaria ou não determinado serviço.

A Atenção Primária do SUS no Brasil obteve NPS 28, o que significa que esse serviço encontra-se em zona de aperfeiçoamento (de 0 a 50). O escore abaixo de 0 significa que o serviço está na zona crítica, acima, entre 51 e 75, a zona de qualidade, e entre 76 e 100, a zona de excelência. O que mais foi levado em conta para a atribuição das notas, de acordo com a pesquisa, foi a forma como os responsáveis pelas crianças foram recebidos nas unidades de saúde e o trabalho da equipe para a solução do problema.

Segundo Adriana, a pesquisa indica importante alcance do serviço da atenção primária à saúde infantil, uma vez que cerca de 83% das crianças na faixa etária considerada tiveram algum atendimento. “Os responsáveis por essas crianças avaliaram favoravelmente a prestação da atenção primária à saúde. O escore de 28 indica, entretanto, que esse serviço carece de aperfeiçoamento para seu melhor desempenho e satisfação dos usuários”, ressalta.

Perfil das crianças
A pesquisa mostra que, no Brasil, 28,4 milhões de crianças, o equivalente a cerca de 75%, fizeram uma consulta médica nos últimos 12 meses anteriores à data da entrevista. Essa proporção é menor na Região Norte (66,6%) e na Região Nordeste (71,8%). No Sudeste, chega a 79,3%. Além da consulta, no total, cerca de 31,5 milhões (82,9%) de crianças menores de 13 anos utilizaram algum serviço de APS nos últimos 12 meses anteriores à entrevista.

Os principais motivos para o atendimento médico foram: consulta de rotina, como revisão, check-up, acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, que corresponderam a 39,1% dos atendimentos; problemas respiratórios ou de garganta, gripe, sinusite, amigdalite, faringite, asma, bronquite (30,9%); e outros motivos, como febre, diarreia, vômito ou outros problemas gastrointestinais; acidentes, fraturas, lesões, machucados; alergias e outros (30%). Essas crianças foram atendidas principalmente em Unidade Básica ou Unidade de Saúde da Família (46,1%).

De acordo com Adriana, como os dados se referem aos atendimentos feitos entre o segundo trimestre de 2021 e de 2022, a pandemia de covid-19 pode ter impactado o serviço. “A pandemia pode ter dificultado o acesso das crianças ao serviço de atenção primária no período de referência. Mesmo diante desse cenário, os dados indicam que o SUS permaneceu ofertando algum serviço de atenção primária para mais de 80% da população infantil do país”, diz.

Em relação ao perfil das crianças, os resultados mostram que há um equilíbrio entre crianças do sexo masculino (51,1%) e feminino (48,9%). A maioria é de crianças com até 6 anos (61,3%), seguidas pelo grupo de 7 a 12 anos (38,7%). A cor ou raça da criança informada pelo responsável foi predominantemente preta ou parda (59,7%), seguida da branca (39,4%). Entre os cuidadores, a maior parte (42,9%) não completou o ensino fundamental ou o ensino médio (40,1%). Apenas 17,1% têm nível superior completo.

Esta é a primeira vez que Pnad Contínua traz um módulo específico sobre atenção primária à saúde. O serviço passou a constar na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) em 2013 e, em 2019, foi avaliada na mesma pesquisa.

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Maioria da população brasileira acredita na ciência, aponta pesquisa https://canalmynews.com.br/brasil/maioria-da-populacao-brasileira-acredita-na-ciencia-aponta-pesquisa/ Wed, 14 Dec 2022 03:31:25 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=34905 Entre os mais citados estão os médicos Oswaldo Cruz e Carlos Chagas

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A maioria dos brasileiros (68,9%) declarou confiar ou confiar muito na ciência. Ainda que o percentual não seja baixo, é menor do que indicam pesquisas recentes, como o Índice do Estado da Ciência, feito pela empresa 3M (EUA) em 2022, que apontou um índice de 90% na afirmação “eu confio na ciência”. O número faz parte do estudo Confiança na Ciência no Brasil em tempos de pandemia, conduzido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e da Tecnologia (INCT-CPCT), com sede na Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz).

O trabalho divulgado na segunda (12) teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

Para os pesquisadores, um dos fatores que podem ter influenciado o recuo, se refere as campanhas organizadas de desinformação, que cresceram em quantidade e impacto durante a pandemia de covid-19. No entanto, recomendam cautela com comparações desse tipo, que podem não ser precisas “devido as diferenças na formulação das perguntas ou na apuração dos resultados”.

Cientistas
Entre as fontes de informação que mais inspiram confiança nos brasileiros e brasileiras, conforme a pesquisa, estão os cientistas, identificados pelos entrevistados como honestos e responsáveis por um trabalho que beneficia a população. As escolhas mais frequentes dos entrevistados como fontes confiáveis de informação foram médicos (60,1%), seguidos pelos cientistas (47,3%), dos quais 30,6% são de universidades ou institutos públicos de pesquisa e 16,7% que trabalham em empresas, e jornalistas (36,4%). “Artistas e políticos são citados com menor frequência, com 1,5% cada”, indicou.

Quanto aos nomes de cientistas e instituições de ciência no Brasil mais lembrados pelos entrevistados, 8% disseram conhecer o nome de um cientista brasileiro. Entre os mais citados estão os médicos Oswaldo Cruz e Carlos Chagas. As médicas Jaqueline Goes, da Universidade de São Paulo (USP), e Margareth Dalcolmo, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), também se destacaram durante o período da pandemia por suas atividades de comunicação e divulgação da ciência.

Apesar de acreditarem que os cientistas permitiram que ideologias políticas influenciassem suas pesquisas sobre o novo coronavírus durante a pandemia, os entrevistados parecem não ter dúvidas sobre os benefícios associados ao desenvolvimento científico. Somente 3,5% revelaram que a ciência não traz “nenhum benefício” para a humanidade.

Instituições
O percentual dos entrevistados que se lembraram de alguma instituição dedicada à pesquisa científica no Brasil, superou os 25%. Dentre as instituições mais citadas estão o Instituto Butantan, a Fiocruz e a USP.

Vacinas
De um modo geral, os entrevistados têm percepções e atitudes positivas sobre vacinação, mas especialmente em relação aos imunizantes contra a covid-19. A avaliação é que são seguros, eficazes e importantes para proteger a saúde pública e acabar com a pandemia.

A pesquisa apontou que 86,7% dos entrevistados consideram as vacinas importantes para proteger a saúde pública, 75,7% como seguras e 69,6% como necessárias. Apesar disso, 46,4% acham que elas produzem efeitos colaterais que são um risco. Outros 40% desconfiam que as empresas farmacêuticas esconderiam os perigos das vacinas. Para 46,7% dos entrevistados, o governo federal forneceu informações falsas sobre a vacina contra a covid-19.

Mesmo com o patamar de confiança nas vacinas, cerca de 13% dos entrevistados indicaram que não pretendem tomar doses de reforço da vacina contra a covid-19 e quase 8% dos que têm filhos ou menores sob sua responsabilidade declararam não ter a intenção de vaciná-los. Conforme a pesquisa, o perfil dessas pessoas é que além do acesso ao conhecimento, eles são profundamente diferentes por sexo e valores. Os pesquisadores observaram que a chance de recusar vacinas aos filhos é muito maior entre os homens e cresce entre as pessoas que declaram que “o crescimento econômico e a criação de empregos devem ser prioridades máximas, mesmo quando a saúde da população sofra de algum modo”.

Prioridade
Segundo a pesquisa, pessoas que “declaram que os avanços econômicos devem ter prioridade sobre políticas de combate à desigualdade, ou que o mercado deve ter prioridade sobre a saúde, têm maiores chances de considerar elevado o risco das vacinas”. Outro fator apontado está entre as que participam menos da política, ou que expressam valores de tipo sexista, como os homens são melhores que as mulheres na política, ou na ciência, ou devem ter prioridade nos empregos. Este grupo inclui também os que têm maiores chances de expressar cautela ou medo sobre a vacinação ou segurança das vacinas, mesmo controlando pelo efeito da renda e da escolaridade, conforme indicou o estudo do INCT-CPCT.

De acordo com a pesquisa, a hesitação vacinal está associada, “em parte, à escolaridade, à familiaridade com conceitos científicos e ao conhecimento de instituições científicas, sendo fortemente influenciada pelo grau de engajamento dos entrevistados na sociedade civil e na política, pelos posicionamentos econômicos e pelos valores”.

Pesquisa
Segundo a Fiocruz, entre agosto e outubro deste ano, foram entrevistadas 2.069 pessoas com 16 anos ou mais. A margem de erro da pesquisa é 2,2%, em um intervalo de confiança de 95%. As entrevistas foram domiciliares, pessoais e individuais. O estudo apontou ainda que a maioria dos brasileiros acredita que as mudanças climáticas estão acontecendo e têm como causa a ação humana.

O trabalho foi coordenado pelos pesquisadores Luisa Massarani, da COC/Fiocruz, Vanessa Fagundes, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Carmelo Polino, da Universidade de Oviedo (Espanha), Ildeu Moreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Yurij Castelfranchi, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

“Isso indica um cenário de desafios para gestores, cientistas, educadores e profissionais de comunicação, que precisam desenhar estratégias de comunicação pública da ciência que levem em consideração as especificidades de local, perfil de público e contexto”, chamaram a atenção, os pesquisadores no resumo executivo do estudo Confiança na ciência no Brasil em tempos de pandemia.

Na visão dos pesquisadores, “a percepção majoritariamente positiva do público sobre a ciência e os cientistas, bem como a falta de evidências da existência de um movimento organizado de negacionistas da ciência no país, são achados importantes para orientar estratégias mais efetivas de combate à desinformação, direcionadas a grupos específicos de pessoas, que reagem de forma diferente aos diversos tipos de comunicação”, apontaram, destacando que “o interesse pelo tema e a expectativa de benefícios para a população a partir da ciência, como qualidade de vida, oportunidades de emprego, equidade social, podem facilitar processos de aprendizado e apropriação social do conhecimento.”

Mudança climática
A maioria da população brasileira (91%) acredita que estão ocorrendo as mudanças climáticas, enquanto que para menos de 6% elas não existem. Nesta última parcela, há diferenças significativas. “Modelos de regressão mostram que a chance de um entrevistado declarar que não há mudança climática aumenta muito entre pessoas que também dizem não confiar na ciência ou cuja confiança na ciência diminuiu durante a pandemia”.

Os brasileiros e brasileiras também acreditam que as mudanças climáticas estão prejudicando a qualidade de vida no Brasil (78,3%), elas podem prejudicar a si e a suas famílias (81%) e, também, as próximas gerações (82,8%).

Para 85,8% dos que acreditam na existência das mudanças climáticas, a causa é a ação humana, enquanto 12,4% acreditam que elas são provocadas por mudanças naturais do meio ambiente. O estudo apontou também que “é mais forte a sensação de consenso na comunidade científica sobre a causa das mudanças climáticas do que de divergências: 68% dos entrevistados afirmam que a maior parte dos cientistas concorda sobre a relação causal com a ação humana”. Mas quando se trata da opinião sobre os esforços nacionais para preservação do meio ambiente a avaliação se divide: 30,6% concordam que o Brasil é um dos países que melhor preserva o meio ambiente e 42,8% discordam da afirmação.

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Capes diz que não tem recursos para pagar bolsistas; mais de 200 mil são afetados https://canalmynews.com.br/tecnologia/capes-diz-que-nao-tem-recursos-para-pagar-bolsistas-mais-de-200-mil-sao-afetados/ Wed, 07 Dec 2022 20:24:05 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=34835 Entidade e bolsistas já começam a "sofrer severa asfixia", diz órgão

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Mais de 200 mil bolsistas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) ainda não receberam o pagamento este mês. Segundo a fundação vinculada ao Ministério da Educação (MEC), os pagamentos a estudantes de mestrado, doutorado, pós-doutorado e de integrantes de programas voltados à formação de professores da educação básica deveriam ter sido feitos até hoje (7), mas precisaram ser adiados por conta dos contingenciamentos orçamentários impostos pelo Ministério da Economia.

Ontem (6), a Capes divulgou uma nota na qual afirma que cobrou das autoridades competentes “a imediata desobstrução dos recursos financeiros essenciais para o desempenho regular de suas funções”. Sem os recursos, a fundação diz que a própria entidade e seus bolsistas “já começam a sofrer severa asfixia”.

A Capes é responsável pela expansão e consolidação da pós-graduação do país, o que engloba desde investimentos na formação de mestres e doutores, a divulgação da produção científica e avaliação da pós-graduação. É responsável também pela formação de professores da educação básica. Entre as bolsas pagas pela Capes estão as de R$ 1,5 mil para mestrado e R$ 2,2 mil para doutorado e R$ 4,1 mil para pós-doutorado.

Na nota, após dois contingenciamentos orçamentários feitos pelo Ministério da Economia, a Capes diz que tomou medidas internas de priorização para assegurar o pagamento integral de todas as bolsas e auxílios, de modo que nenhuma das consequências dessas restrições viesse a ser suportada pelos alunos e pesquisadores vinculados à Fundação.

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A Capes foi, no entanto, surpreendida pelas mudanças publicadas no dia 30 de novembro. A edição do Decreto n° 11.269, de 30 de novembro de 2022 zerou por completo a autorização para desembolsos financeiros durante o mês de dezembro, impondo idêntica restrição a praticamente todos os Ministérios e entidades federais.

A fundação informou que as providências solicitadas às autoridades são necessárias não apenas para assegurar a regularidade do funcionamento institucional da própria Capes mas, “para conferir tratamento digno à ciência e a seus pesquisadores”. “A Capes seguirá seus esforços para restabelecer os pagamentos devidos a seus bolsistas tão logo obtenha a supressão dos obstáculos acima referidos”, acrescenta em nota.

Os bloqueios também voltaram a afetar o ensino superior como um todo. Na segunda-feira (5), a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) publicou nota na qual ressalta que os cortes deixam as universidades federais sem recursos e sem possibilidade de honrar os gastos das universidades, inclusive bolsas, conta de luz e água, coleta de lixo, e pagamentos dos funcionários terceirizados.

De acordo com os reitores, o governo federal voltou a bloquear R$ 344 milhões em recursos das universidades federais, seis horas após o MEC ter liberado o uso da verba.

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Estudo aborda transmissão de varíola dos macacos por superfície https://canalmynews.com.br/tecnologia/estudo-aborda-transmissao-de-variola-dos-macacos-por-superficie/ Sun, 16 Oct 2022 15:12:15 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=34304 Artigo será publicado em edição de dezembro de revista científica

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A possível infecção de trabalhadoras da saúde por contato com superfícies infectadas pelo vírus da varíola dos macacos é tema de artigo que sinaliza os cuidados adicionais a serem adotados na prevenção da doença.

O texto, intitulado Possible Occupational Infection of Healthcare Workers with Monkeypox Vírus, Brazil, será publicado na edição de dezembro da revista científica Emerging Infectius Diseases, editada pelos Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

Além da Fiocruz Pernambuco e do Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul (Cevs/SES-RS), participaram da pesquisa três universidades gaúchas (Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e Universidade Feevale) e o Bernhard Nocht Institute for Tropical Medicine – National Reference Center for Tropical Infectious Diseases, de Hamburgo (Alemanha).

O estudo traz o caso de duas enfermeiras que desenvolveram a doença, cinco dias após atender um paciente em casa para coleta de material e diagnóstico de varíola dos macacos. “Os cuidados adotados nesse atendimento são detalhadamente descritos, mostrando que elas utilizaram todo equipamento de proteção – exceto as luvas – enquanto estavam no período inicial de entrevista, no quarto do paciente. Esse item de proteção só foi colocado no momento da coleta, após elas esterilizarem as mãos”, diz o texto.

Pesquisador da Fiocruz Pernambuco, Gabriel Wallau conduziu o estudo ao lado do especialista em saúde do Cevs Richard Steiner Salvato. A conclusão dos autores é que as enfermeiras podem ter se contaminado pelo contato com superfícies infectadas da casa desse paciente, que se encontrava no pico de transmissão viral. Ou ainda, ao manusear a caixa de transporte das amostras, de início com as luvas infectadas e posteriormente sem luvas.

Segundo a Fiocruz, o estudo pode ser utilizado como referência para a adoção de melhores práticas ao lidar com pacientes infectados com o vírus monkeypox. Os autores recomendam medidas de prevenção e bloqueio dessa rota de transmissão, que envolvem treinamento específico para essa coleta, implementação de medidas de controle, higienização frequente das mãos e utilização correta de equipamentos de proteção individual (EPIs).

De acordo com os pesquisadores, o uso das luvas é recomendado durante todo o período de visita a pacientes, contato com pessoas suspeitas de estarem infectadas e com seu ambiente/objetos de uso pessoal. A higienização das superfícies com desinfetante efetivo contra outros patógenos (como norovírus, rotavírus e adenovírus) – antes e depois da interação com casos suspeitos – e a vacinação dos grupos de alto risco, incluindo os profissionais de saúde que atuam na linha de frente dessa doença, são outras medidas apontadas pelo grupo da pesquisa.

“Trazer à luz o evento de transmissão por meio de superfície é importante para aprimorar as recomendações públicas voltadas para a proteção tanto dos profissionais de saúde que lidam diretamente com esses pacientes, como dos familiares e outras pessoas envolvidas nesse cuidado”, disse, em nota, o pesquisador Gabriel Wallau.

Edição: Maria Claudia

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Você sabe o que é escuta ativa? https://canalmynews.com.br/voce-colunista/voce-sabe-o-que-e-escuta-ativa/ Mon, 10 Oct 2022 12:57:06 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=34183 Em tempos de polarização política, psicóloga ensina a estabelecer diálogo

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Tá difícil conversar sobre política no grupo da família, no trabalho e até mesmo entre amigos? Não, não está difícil, está impossível! E nesta reta final das eleições, mesmo quando se foge do assunto, acaba-se caindo nele. Boa parte dos problemas de comunicação que temos enfrentado são resultado da falta de escuta ativa. Falar é muito mais fácil do que ouvir, e nem sempre estamos dispostos a isso.

Precisamos de ferramentas para dialogar. A escuta ativa é uma excelente técnica, que pode apaziguar os nervos a flor da pele. Já ouviu falar? Trata-se de trazer eficiência para o diálogo. A escuta ativa é baseada na compreensão e no cuidado ao ouvir o outro. Consiste não apenas em ouvir, mas compreender e interpretar com atenção as informações recebidas, sejam elas verbais ou não-verbais.

Mas, atenção: praticar a escuta ativa não quer dizer que você está concordando ou apenas recebendo informações passivamente, e sim que está compreendendo, se colocando no lugar do outro e absorvendo o que ele transmite até chegar a hora de se expressar. Não é sobre interromper a fala de alguém, mas sobre estar aberto ao diálogo e entender o que motiva o interlocutor em seu diálogo.

Você pode se perguntar, então, se escuta ativa é a mesma coisa que empatia? Respondo que não. Mas são complementares. São duas habilidades importantes para se desenvolver a inteligência emocional.

Como dá mais clareza e eficiência para a comunicação, a escuta ativa tende a melhorar as relações interpessoais, que se reflete principalmente na melhora do relacionamento com amigos, familiares, contatos profissionais e clientes.

A escuta ativa gera um interesse genuíno pelo outro, trazendo mais confiança tanto para quem está falando quanto para quem está ouvindo. Você pode perceber isso na prática, em situações corriqueiras do dia a dia. É só analisar o quanto se sente mais seguro ao falar com quem demonstra um verdadeiro interesse em suas palavras. Então, não só melhora as relações interpessoais, mas mostra para o emissor que você está mesmo preocupado em prestar atenção ao que ele fala. Por isso, faz parte dos princípios da escuta ativa, fazer perguntas, dar sequência na conversa para fazer a comunicação fluir.

Com isso, é possível gerar empatia na sua escuta, na medida em que não há julgamentos e sim respeito pelas emoções, experiências e sentimentos dos outros – por mais que não concorde com eles. Então, podemos dizer que a empatia é como um benefício de se praticar a escuta ativa. Quanto mais você praticar, mais empático será. Tenha respeito pelo seu interlocutor, poderia ser você o expositor dos fatos.

A partir do momento que você aprende a absorver, compreender e assimilar informações com atenção, as chances de desentendimentos acontecerem são reduzidas. Com isso, possíveis conflitos são prevenidos no ambiente organizacional e pessoal.

Quem se distrai com facilidade sabe o quanto é difícil absorver informações, dados e fatos relevantes em um diálogo. Isso fica ainda mais desafiador quando o ouvinte está com o celular na mão e se depara com notificações surgindo na tela. Na era digital, é quase instintivo que a gente queira checá-las, mas é preciso foco à comunicação ativa para conquistar uma comunicação eficiente.

No mundo dos negócios, a absorção de informações relevantes traz impactos positivos para apresentações, feedbacks e reuniões. Mas os benefícios de uma boa escuta não param por aí. Eles se refletem, inclusive, no processo de vendas, onde a troca de informações com clientes é potencializada.

Com menos desentendimentos e demonstrando atenção ao que outras pessoas têm a dizer você absorve informações com mais qualidade e ganha mais segurança. Seja para agir, se comunicar, se relacionar, tomar decisões ou trabalhar. Em termos profissionais, o aumento do sentimento de segurança traz consequências para lá de positivas. Além de ajudar a otimizar resultados, potencializa a sua produtividade.

Passamos boa parte do tempo mais focados e preocupados com os nossos próprios discursos do que em ouvir o que o outro tem para dizer. Muitas informações valiosas são perdidas durante esse processo. É natural do ser humano ficar na defensiva. Mas, para as empresas, por exemplo, essa falha de comunicação pode levar a graves prejuízos, como a perda de clientes insatisfeitos por não se sentirem ouvidos. Quem sabe se comunicar com qualidade, empatia, sinceridade e respeito vai mais longe. Acredite!

Técnicas de escuta ativa para desenvolver no dia a dia

  • Mantenha o foco no momento do diálogo;
  • Interprete a linguagem verbal e não verbal do interlocutor;
  • Mantenha a mente aberta para evitar julgamentos;
  • Dê o tempo necessário para a comunicação;
  • Deixe a outra pessoa à vontade para se expressar sem interromper;
  • Faça perguntas;
  • Use a linguagem corporal;
  • Pratique a empatia e se coloque no lugar do outro;
  • Forneça feedback ao final do diálogo

*Nancy Alcântara é psicóloga clínica e psicopedagoga. Sócia/diretora da VidaRevista Consultoria.

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Futuro da pesquisa clínica: como será recrutar voluntários daqui para frente? https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/futuro-da-pesquisa-clinica-como-sera-recrutar-voluntarios-daqui-para-frente/ Tue, 11 Jan 2022 17:44:22 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=22878 Participantes mais empoderados e pesquisas descentralizadas poderão tornar os estudos clínicos mais ágeis e eficazes

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Todo medicamento, vacina ou novo tratamento de uma doença necessita ser validado por uma pesquisa clínica. Uma vez concluídos os testes pré-clínicos (em laboratório e com animais), além das fases clínicas iniciais 1 e 2, a questão que os pesquisadores devem responder é: a substância é segura e eficaz?

Quando falamos em eficácia, os principais desfechos para o paciente vão da redução da mortalidade e das consequências graves da doença até uma melhora na qualidade de vida, e os testes de eficácia definitivos são os da chamada fase 3. É esta a etapa que abrange os estudos clínicos randomizados, duplos-cego e multicêntricos, com a participação de pesquisadores e voluntários de centros de pesquisa de vários países.

Devido a esses cuidados, esse tipo de pesquisa é considerado padrão-ouro na comunidade científica, pois reduz os riscos de vieses ou de resultados falsos, e aumenta o grau de confiabilidade nos dados. No entanto, nem sempre é possível encontrar rapidamente ou em quantidade/diversidade suficientes os participantes e os estudos para doenças comuns — por exemplo, as cardiovasculares, derrame ou Acidente Vascular Cerebral (AVC), diabetes e mesmo a covid-19 — exigem um número significativo de voluntários.

Pesquisadores responsáveis por liderar esses estudos, como eu, temos notado que as pesquisas levam mais tempo que o necessário, são onerosas e alguns têm dificuldade em recrutar o número mínimo de participantes dentro do prazo estabelecido. Muitos, inclusive, param por baixo recrutamento. O modelo tradicional de realizar a pesquisa clínica tem se mostrado ineficiente, e a capacidade de chamar os participantes de forma rápida se faz necessária.

Outro grave problema que precisa ser corrigido — e isso não acontece apenas em um centro de pesquisa ou país, mas no mundo todo — é a falta de diversidade nos estudos. Além da importância social inequívoca, gera um impacto na epidemiologia da doença. Levantamento recente indica que a maior parte dos voluntários recrutados em pesquisas clínicas são homens caucasianos, ou seja, brancos. Isso não representa a epidemiologia verdadeira de uma série de doenças.

Da mesma forma, vale repensar as pesquisas com critérios extensos de inclusão e exclusão dos participantes (perfil de indivíduos que poderão participar do estudo clínico) ou com uma coleta de dados por vezes muito complexa e nem sempre necessária. É preciso fazer estudos maiores e mais pragmáticos, com critérios mais abrangentes e mais representativos.

Encontrar voluntários para a pesquisa clínica vem sendo o maior desafio atual. Imagem: Pixabay

Retirando o intermediário

Uma das possibilidades para melhorar esse cenário é adaptando o modelo de recrutamento dos participantes. Atualmente, o modelo tradicional funciona da seguinte forma: centros de pesquisa são selecionados por quem coordena o estudo, são qualificados e os respectivos pesquisadores e suas equipes — mesmo atuando sob a égide do centro coordenador — são responsáveis por recrutar os voluntários.

Mas vemos muita heterogeneidade nesse processo. Há centros que desempenham muito acima do esperado, identificam e recrutam muitas pessoas, enquanto outros ficam na média e há um número não desprezível de centros que recrutam muito pouco ou nenhum, apesar dos treinamentos que tiveram.

Algumas pesquisas sugerem que, na prática, há mais participantes que gostariam de se voluntariar do que pesquisadores que desejam incluir os indivíduos nos estudos. Assim, os centros coordenadores, como a Academic Research Organization (ARO), do Hospital Israelita Albert Einstein, ficam na dependência do intermediário para o acesso aos voluntários.

Autonomia do paciente

Se antigamente era preciso ir fisicamente até uma agência bancária para qualquer transação financeira, e agora apenas um clique no celular é suficiente para boa parte das necessidades do usuário, no âmbito da saúde seguimos por um caminho semelhante. Com indivíduos mais conectados, cresce o movimento dos estudos chamados de descentralizados.

Usamos a tecnologia para que o participante se engaje diretamente à pesquisa clínica e não fique tão dependente do convite de um terceiro para participar. Assim, ele poderá procurar sozinho ou ficar sabendo da pesquisa clínica e, via mecanismos da tecnologia digital, ser incluído.

Caso precise de avaliações ou exames médicos, pode descobrir quais locais, na própria cidade, podem recebê-lo para esses cuidados. Há ainda a possibilidade de usar tecnologias de consentimento digital, como a telemedicina, ou a coleta domiciliar dos exames. Algumas startups, por exemplo, levam a medicação testada de forma segura até o indivíduo. Embora nem tudo possa ser feito de forma descentralizada, muitas das ações que a pesquisa clínica exige, especialmente o recrutamento, podem ser feitas pelo próprio participante.

Colocam-no, assim, como o ator principal da pesquisa, promovendo um maior conforto, facilidade, além do cuidado integral garantido pelos pesquisadores. O Hospital Israelita Albert Einstein é pioneiro no Brasil em fazer esse tipo de pesquisa clínica, pois além do ARO, temos a incubadora de startups Eretz.bio e um grupo de Big Data, que trabalham juntos para conduzir esses estudos.

Pesquisa clínica: vale a pena

Mesmo encontrando os possíveis candidatos às pesquisas clínicas, os pacientes podem se perguntar: vale a pena participar? A resposta é sim, sempre. Uma série de estudos já demonstraram que os pacientes que participam das pesquisas clínicas — mesmo se entrarem no grupo controle (que não recebe a medicação/vacina/tratamento em teste, mas outra substância, às vezes placebo, para fins comparativos) têm uma evolução clínica igual ou, em alguns casos, superior às pessoas que estão em uma mesma condição, mas fora do projeto.

A participação também é vantajosa porque o participante é exaustivamente monitorado e orientado e tem a adesão ao tratamento, ainda que não seja aquele em teste, garantida. Como os indivíduos passam por avaliações clínicas e laboratoriais frequentes e são vistos por vários profissionais, o cuidado é mais intenso que o oferecido na prática clínica diária.

Outra questão que precisa ser destacada é que o recrutamento de participantes só acontece depois que o projeto de pesquisa recebeu todas as aprovações necessárias dos Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) das instituições que desenvolvem o estudo, além da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) e das agências regulatórias nacionais que, no caso do Brasil, é a Anvisa. O participante recebe ainda, antes de ser incluído no estudo, todas as informações necessárias sobre os seus direitos, riscos e benefícios, via o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).


Quem é Otavio Berwanger?

Otavio Berwanger é diretor da Academic Research Organization (ARO) do Hospital Israelita Albert Einstein

 

Leia também: 2021: o ano das vacinas

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Financiar a pesquisa não é responsabilidade apenas dos governos https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/pesquisa-nao-e-responsabilidade-apenas-governo/ Tue, 14 Dec 2021 14:18:15 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/pesquisa-nao-e-responsabilidade-apenas-governo/ Antes de discutir quem paga o que, é premente discutir, em ciência, o papel que ela tem na sociedade e como os indivíduos podem (e devem) se envolver no entendimento desse papel

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Financiar a ciência faz parte das necessidades — e notem que eu não uso a palavra “obrigação” — de qualquer Estado. Muito se fala da importância da ciência na economia moderna, movida por inovações e não por commodities. Eu não entendo nada de economia, mas se me recordo um pouco da história, sei que faz bastante tempo que é assim. Afinal, o que agregava valor às especiarias na Índia era o transporte, já que eram bem baratas na fonte.

Mas a ciência é muito mais que o seu produto e, como demonstrado com vigor na recente pandemia, conhecer como ela funciona salva vidas, promove a economia e diferencia quem contribui de quem atrapalha.

Há, no entanto, sempre o debate sobre de onde deve vir o dinheiro para a pesquisa. Em Estados totalitários, o financiamento só pode vir do governo, e este é apenas mais um dos muitos, e egrégios, erros desses sistemas de (des)governo. Nas grandes sociedades democráticas, uma parte importante da contribuição para o custeio da ciência vem dos indivíduos e das empresas.

Qual parte cabe ao Estado?

A parcela de patrocínio de ciência que os Estados deveriam investir é difícil de acessar. É impossível estabelecer o ideal — até porque há circunstâncias que podem exigir investimentos diferentes. Quando olhamos os exemplos, há dos mais diversos, que variam de 20% a 50% do total investido, a depender de como é feito o cálculo, do país e da circunstância em questão. Obviamente, estou me referindo ao período pré-pandemia.

Parece-me que, antes de discutir quem paga o que, como e quando, é premente discutir, em ciência, o papel que ela tem na sociedade e como os indivíduos podem (e devem) se envolver no entendimento desse papel. Só assim, com a parcela vocalmente ativa da sociedade realmente entendendo o valor da ciência — e não apenas falando em termos abstratos —, será possível se mover para a discussão do financiamento e execução.

Afinal, sim, a execução de pesquisa também deve ser discutida. Em países como o Brasil, com forte estatização da execução da pesquisa, sei que corro o risco de ser apedrejado no próximo encontro com colegas pesquisadores ao sugerir que, assim como em outros setores da sociedade, o governo deve participar, mas não necessariamente no braço executivo. Mas esse é um tópico para outro momento.


Quem é Luiz Vicente Rizzo?

Luiz Vicente Rizzo é diretor superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein e Docente do Programa de Pós-graduação stricto sensu em Ciências da Saúde, da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein.


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Depois da imunoterapia, qual é o grande salto no tratamento contra o câncer? https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/depois-da-imunoterapia-qual-e-o-grande-salto-no-tratamento-contra-o-cancer/ Tue, 07 Dec 2021 19:31:49 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/depois-da-imunoterapia-qual-e-o-grande-salto-no-tratamento-contra-o-cancer/ Terapias alvo-dirigidas, sequenciamento genético de tumores e anticorpos conjugados com medicamentos quimioterápicos devem aumentar a sobrevida dos pacientes oncológicos

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A imunoterapia revolucionou o tratamento do câncer nos últimos cinco anos. A técnica possibilita que o próprio sistema imune do paciente seja recrutado para erradicar as células malignas, que utilizam mecanismos para escapar desse mecanismo de defesa. Ao bloquear essa engrenagem, a imunoterapia trouxe chances de cura para alguns tipos de tumores, como o de pulmão e o melanoma, mesmo em estágios avançados.

Daqui para frente, outras novidades vão chamar a atenção nos tratamentos oncológicos. A primeira são as terapias alvo-dirigidas. A partir do sequenciamento genético dos tumores, essa nova classe de medicamentos permite uma ação personalizada para cada particularidade da doença.

O mais moderno dos testes atuais é o Sequenciamento de Próxima Geração (NGS – Next Generation Sequencing, na sigla em inglês), que possibilita a análise de centenas de genes em uma só plataforma, com o prazo de duas a três semanas para obter os resultados.

Por meio desse sequenciamento, os especialistas descobrem alterações moleculares das mais variadas formas – mutações, fusões, amplificações. Em última instância, essas alterações produzem proteínas (que ou são aberrantes ou estão em quantidade anormal) e fazem com que a célula dispare sinais de forma anômala ao seu núcleo com a mensagem de se replicar.

Torna-se, dessa forma, uma célula cancerosa, com poder de crescimento desregulado e perda da capacidade de fazer apoptose – o ato de morte programada –, ganhando uma vida muito mais longa do que uma célula normal. Ao detectar o gene alterado que é o responsável por gerar a proteína aberrante, é possível desenvolver moléculas capazes de inibir a ação dessas proteínas.

Um dos primeiros exemplos de uso dessa terapia foi com o tratamento alvo-dirigido contra a proteína HER-2 — que pode estar amplificada em cerca de 20% dos casos de câncer de mama.

Com a tecnologia NGS, foi possível identificar dezenas alterações em genes e associá-las com o crescimento acelerado do tumor. A partir daí, com maior ou menor complexidade, foram desenvolvidos medicamentos bloqueando cada proteína.

Outro grande exemplo é o câncer de pulmão. Atualmente são conhecidas mais de 10 alterações genéticas que, somadas, podem estar presentes em cerca de 50% a 70% de todos os tumores pulmonares do tipo adenocarcinoma, a depender da população estudada. E cada mutação possui hoje um remédio específico para bloquear sua respectiva proteína.

Como exemplos, temos a mutação mais comum em um gene chamado EGFR, com medicamentos aprovados incluindo erlotinibe, gefitinibe, osimertinibe. Entre outros genes, estão ALK, ROS1, RET, MET, BRAF, NTRK. Muitos genes, como os dois últimos, podem ser encontrados, inclusive, em diversos tipos de tumor, sendo os causadores do crescimento tumoral em diferentes contextos, mas igualmente suscetíveis ao mesmo medicamento.

O remédio larotrectinibe é um exemplo disso. Um inibidor de NTRK, ele foi o primeiro tratamento chamado tumor-agnóstico. Ou seja, foi aprovado para uso em diferentes tipos de câncer (pulmão, tireoide, sarcomas, tumores pediátricos…), desde que carreguem uma alteração conhecida como fusão do NTRK.

Anticorpos com quimioterapia

Outra modalidade que vem ganhando destaque é a dos anticorpos conjugados com drogas quimioterápicas – que atuam como “cavalos de Troia”. O anticorpo se conecta a uma proteína específica da superfície tumoral e, então, insere na célula uma molécula de quimioterapia, que exerce sua atividade. Esse tratamento tem diferentes alvos possíveis e é altamente eficaz, com a toxicidade menor, já que é apenas entregue a um número restrito de células.

Em geral, os estudos se iniciam em casos mais avançados e refratários (quando a doença não responde ao tratamento padrão). Conforme trazem resultados positivos, passam a ser estudados em estágios mais precoces da doença para, então, serem comparados com o tratamento padrão.

É o caso do trastuzumab-deruxtecan, anticorpo conjugado contra a proteína HER-2 que carrega o quimioterápico deruxtecan. Esse medicamento se mostrou amplamente superior ao tratamento de segunda linha padrão no câncer de mama HER-2-positivo metastático e já está sendo estudado como primeira opção. Imunoterapia, tratamentos alvo-dirigidos e os anticorpos conjugados com quimioterápicos devem aumentar de maneira significativa a sobrevida de pacientes com vários tipos de câncer metastático. Possibilitando, inclusive, a cura de casos selecionados.


Quem é Gustavo Schvarstman?

Gustavo Schvarstman é oncologista clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e Docente do Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Ciências da Saúde, da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein.

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O protagonismo da pesquisa brasileira durante a pandemia de COVID-19 https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/o-protagonismo-da-pesquisa-brasileira-durante-a-pandemia-de-covid-19/ Tue, 30 Nov 2021 19:32:59 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/o-protagonismo-da-pesquisa-brasileira-durante-a-pandemia-de-covid-19/ Apesar da excelência na condução das pesquisas, a comunidade científica brasileira precisa avançar no diálogo com a sociedade

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O Brasil está apresentando um dos piores desempenhos assistenciais em COVID-19, com uma mortalidade de aproximadamente 2,8%. É verdade que dados pouco confiáveis de países não democráticos ou com grandes populações podem nos tirar da “liderança” neste quesito. Mesmo assim, nosso resultado não é satisfatório e aponta para a necessidade de melhor treinamento dos profissionais de saúde, especialmente dos médicos.

Por outro lado, o desempenho da nossa ciência foi muito bom. Embora tenha havido um deslize ou outro, a comunidade científica brasileira participou ativamente do desenvolvimento das vacinas e foi a primeira a demonstrar de forma inequívoca a ineficiência da hidroxicloroquina e da azitromicina no combate ao SARS-CoV-2.

Também fomos um dos primeiros países a mostrar a utilidade dos corticoides na fase inflamatória da doença, bem como ajudamos na definição de protocolos para cuidar da síndrome de liberação de citocinas, um dos principais causadores de mortalidade nos pacientes acometidos pela COVID-19.

Jaqueline Góes de Jesus, cientista baiana que coordenou a equipe que sequenciou o genoma da covid-19 em apenas dois dias.
Jaqueline Góes de Jesus, cientista baiana que coordenou a equipe que sequenciou o genoma da covid-19 em apenas dois dias. Foto: Reprodução (Redes Sociais)

Faz muito tempo, talvez desde o descobrimento da Doença de Chagas, que o Brasil não tem um desempenho tão relevante e respeitado no cenário mundial de pesquisa na área de saúde. A atuação científica contra a Zika também teve destaque, mas há que se considerar que era uma epidemia no Brasil.

O fato de a pesquisa clínica nacional ter desempenhado bem não chega a ser uma surpresa. O Brasil habitualmente produz dados bastante confiáveis em grandes ensaios, sobretudo em fase III em âmbito mundial. Além disso, as taxas de recrutamento são, de forma geral, muito superiores àquelas observadas nos Estados Unidos e Europa Ocidental. A busca dos grandes patrocinadores de pesquisa por participação brasileira também é grande — e só não é maior por um conjunto de condições que nada tem a ver com a qualidade das instituições e pesquisadores daqui.

Na pandemia, também observamos uma “inversão do fluxo”, no qual centros de pesquisa brasileiros foram procurados pela indústria farmacêutica para atuarem — não apenas como participantes — mas como protagonistas de estudos clínicos. Como resultado, o país teve publicações de alto impacto lideradas por cientistas brasileiros. Vale destacar ainda que o uso de procedimentos virtuais e “descentralizados” em pesquisas clínicas representam importante legado para estudos futuros em outras áreas terapêuticas.

Pesquisa e diálogo

Precisamos entender este sucesso como uma ferramenta para alavancar mais progresso. Os processos regulatórios precisam ser agilizados e emprestar segurança para a pesquisa — que já é uma atividade de risco sem se adicionar nada além da incerteza do conhecimento ainda não adquirido. Aqui vale a máxima: “se só tem aqui e não é jabuticaba, não é bom”.

Não menos importante é o apoio para a atividade científica. Apoio que vem da sociedade, e não de um governo qualquer. Em países democráticos, a sociedade maior é quem decide e demanda do governo. Se os contribuintes entenderem quão importante a ciência é, os impostos que deles se arrecadam serão usados de maneira comensurável.

Soluções são necessárias, e não só em saúde, mas também na agropecuária e no meio ambiente, com as energias renováveis, por exemplo, entre outras áreas de preocupação imediata para o ser humano. E as respostas só podem vir da pesquisa. Obtivemos um aumento significativo nas doações privadas para pesquisa, mas muito disto foi obtido por esforços individuais ou por pressão do momento.

Os pesquisadores precisam estabelecer um melhor diálogo com a sociedade e, neste aspecto, a pandemia foi uma oportunidade que se perdeu. Diferente dos resultados mensuráveis da pesquisa brasileira — que contribuiu para mitigar a catástrofe sanitária mundial de COVID19 —, a comunicação de ciência com a sociedade maior repetiu o que sempre se viu.

Nos meios tradicionais de imprensa, a comunicação manteve o padrão quase que professoral e as tentativas de simplificar geralmente resultaram em maus entendidos. Sem contar no uso das mídias sociais por pessoas sem qualquer formação ou de intenções duvidosas, que ofuscou qualquer tentativa educacional.

Embora seja necessário comemorar o sucesso na condução de pesquisa de excelência, precisamos nos aperfeiçoar no diálogo. Fica a mensagem de que temos conteúdo e qualidade na pesquisa nacional, mas temos que adicionar comunicação.

 


Quem são Luiz Vicente Rizzo e Otavio Berwanger?

  • Luiz Vicente Rizzo, diretor superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein e Docente do Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Ciências da Saúde, da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein.
  • Otavio Berwanger, diretor da Academic Research Organization (ARO) do Hospital Israelita Albert Einstein.

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A importância de estimular o jovem a entender a ciência https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/a-importancia-de-estimular-jovem-entender-ciencia/ Tue, 23 Nov 2021 11:42:31 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/a-importancia-de-estimular-jovem-entender-ciencia/ Expor a próxima geração à ciência é fundamental para o entendimento e funcionamento pleno em sociedade

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É claro que, como médico-pesquisador que sou, penso que o ensino de ciência é essencial. Mais que meu desejo e minha paixão, vivemos em um mundo onde os avanços tecnológicos e as implicações das ações dos seres humanos no meio ambiente em seu senso amplo são cada vez mais importantes e presentes.

Nesta nova realidade, é fundamental que o indivíduo tenha um entendimento da ciência e do método científico — tanto suas belezas quanto as limitações — para funcionar em sociedade. Como qualquer outra matéria, a exposição precoce e consistente é o caminho.

Há uma identidade entre os anseios das crianças e dos jovens e os desígnios da atividade de pesquisa. A criança é, acima de tudo, um ser explorador e curioso. Como disse o compositor, ator e escritor australiano Tim Minchin, a ciência é uma palavra que se usa para descrever um método de organizar a curiosidade.

jovem estudante
O aprendizado da ciência deve ser estimulado desde a infância. Crianças são, acima de tudo, exploradoras e curiosas/Foto: Pixabay

Já o jovem é contestador e rebelde, outros atributos importantes para a pesquisa científica. Segundo a antropóloga norte-americana Zora Hurston, “a pesquisa é uma maneira formal de desenvolver a curiosidade. É atiçá-la com um propósito”. O cientista é, acima de tudo, um descontente com o status quo.

No topo de tudo isto, há a importância da ciência para o dia a dia. O entendimento da crise climática, por exemplo, passa inevitavelmente pelo conhecimento científico que temos até o momento. O mesmo vale para as vacinas de RNA, a medicina de precisão, a edição gênica, a clonagem, os alimentos transgênicos — apenas para ficar nos eventos da minha área. Essas são todas “novidades” que farão cada vez mais parte da nossa vida.

Estamos vendo os efeitos desastrosos da falta de entendimento que uma grande porção dos seres humanos tem da ciência biológica. As pessoas sem conhecimento não conseguem lidar com o novo, e nem com a incerteza natural deste campo. Poderia escrever muitas laudas apenas sobre os enganos envolvendo vacinas contra o SARS-CoV-2: desde o tempo que demoraram (ou não) para serem produzidas até a suposta inserção do RNA no nosso genoma, sem me esquecer das falácias sobre a esterilização em massa e a aplicação de “chips”. Estes são apenas indicadores de uma falha global no sistema de ensino e comunicação de ciência.

Não é razoável que sigamos tratando o ensino de ciência como um acessório. O presente já requer, e deu mostras disso, que as pessoas entendam ciência da mesma forma que saibam as quatro operações matemáticas.

Ciência necessita de exposição precoce, especialmente às crianças. Assim como um componente alimentar, o ser humano nunca saberá o gosto de uma fruta que nunca provou. A nossa incapacidade de comunicar ciência tem que ser revista há tempos. Richard Feynman, físico teórico norte-americano, já disse que: “se você não acha a ciência divertida, é porque você está aprendendo com o professor errado”.

As barreiras percebidas para o estudo da ciência no que diz respeito às necessidades materiais são errôneas. Ciência é uma forma de pensar e, portanto, requer imaginação para ser ensinada. A vantagem de repassar esse conhecimento principalmente às crianças é que o destinatário já vem com a imaginação pronta. Ainda assim, parece claro que um conjunto de circunstâncias precisam ser endereçadas. A saber:

  1. Favorecer o desenvolvimento profissional para atrair, preparar e reter professores de alta qualidade;
  2. Aumentar o número de profissionais de ciências e tecnologia que desempenham um papel ativo na preparação dos programas de ensino fundamental e médio;
  3. Rever as disciplinas compartimentadas, ensinadas por professores isolados em departamentos estanques, criados há mais de 50 anos;
  4. Reavaliar o grande número de alunos por turma;
  5. Revisar o currículo intensivo, com alocação de tempo insuficiente para a educação em ciências;
  6. Repensar as aulas informativas, com estudantes em posição passiva (apenas ouvindo e escrevendo).

Veja o Quinta Chamada Ciência, às quintas, a partir das 20h30, com apresentação de Cecília Oliveira e Salvador Nogueira, no Canal MyNews

Quem é Luiz Vicente Rizzo?

Luiz Vicente Rizzo é diretor superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein e Docente do Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Ciências da Saúde, da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein


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Como saber se uma pesquisa atende a requisitos éticos e morais? https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/como-saber-se-pesquisa-atende-requisitos-eticos-e-morais/ Mon, 08 Nov 2021 22:37:13 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/como-saber-se-pesquisa-atende-requisitos-eticos-e-morais/ Há regras a serem seguidas, direitos que devem ser respeitados… Tudo para garantir a qualidade dos estudos, a confiança em seus resultados e o bem-estar dos pesquisadores e voluntários

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A pandemia da covid-19 trouxe para o dia a dia do brasileiro a importância da pesquisa científica. Todos os dias os jornais noticiam uma descoberta, pois nunca na História uma única doença foi depositária de tanto investimento e esforço para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos. Mas será que está claro o que é a pesquisa?
De forma simplificada, trata-se de uma sistematização para a obtenção de conhecimento sobre um determinado assunto. Para isso, exige métodos e deve seguir regras específicas e rígidas, que garantam que o conhecimento produzido seja válido e aplicável.

Quando o estudo envolve seres humanos, tornam-se necessário alguns cuidados ainda mais especiais. Infelizmente, nem sempre as pesquisas foram feitas de maneira adequada. Muitas delas, como as atrocidades do nazismo, são conhecidas do público e feriram de maneira contundente a moral e a ética.

Moral, vale lembrar, está ligada às atitudes e comportamentos que uma sociedade entende e internaliza como correto. Ética, por sua vez, é um ramo da Filosofia que normatiza, ou transforma em regras expressas, o que esta mesma sociedade julga como moral. Tanto a moral como a ética são vivas e mudam com o passar do tempo e em diferentes lugares.

No campo das pesquisas, não é diferente. É preciso que se respeitem os direitos e a integridade das pessoas que se dispõem a participar dos estudos científicos, levando-se em conta as regras sancionadas naquele momento. Afinal, são esses indivíduos, com sua disposição em se tornar voluntários das pesquisas, que permitem o tão necessário avanço da ciência.

O Brasil é conhecido internacionalmente por ser um país cuidadoso com a proteção de quem aceita fazer parte de pesquisas. Mas, na pandemia, a mídia nos mostrou outro lado dessa moeda, com pessoas usadas como cobaias. Sem ter a sua autonomia respeitada, muitas não puderam escolher se queriam participar de um estudo, sendo involuntariamente envolvidas em projetos que nem sempre tinham o seu melhor interesse como objetivo. O que se viu foi um show de horrores. As vidas dos participantes foram negligenciadas em função de interesses de empresas, governos e pesquisadores que não respeitaram a moral e, muito menos, a ética da nossa sociedade.

O consentimento dos participantes, aliás, é primordial para que um estudo científico possa acontecer. Para tanto, há regras, normas e resoluções emitidas pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), via Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). A Conep, inclusive, é a maior comissão do CNS e regulamenta e organiza todo um sistema de avaliação ética de pesquisas sendo feitas em território nacional.

Embora seja um sistema descentralizado e encabeçado pela Conep, a implementação das regras é realizada localmente, por uma rede que conta hoje com mais de 800 Comitês de Ética em Pesquisa (CEP). Esses comitês, presentes nas principais universidades, centros de pesquisa e hospitais, são formados por voluntários que analisam todos os documentos relacionados aos projetos de pesquisa. A aprovação dos CEPs deve ocorrer antes do início de qualquer estudo e toda mudança de curso precisa ser comunicada e receber uma nova avaliação.

Para que uma pessoa possa ser contatada e convidada a fazer parte de um estudo científico, o pesquisador deve apresentar ao voluntário um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Trata-se de um documento no qual são detalhados os aspectos relacionados à pesquisa, como por exemplo: de que forma será feita; quais os riscos e benefícios em participar; quais os direitos e deveres do participante e quais os meios de contato com todos os envolvidos, caso o participante queira se comunicar com os pesquisadores ou com o próprio sistema de avaliação ética.

Além disso, as instituições onde são feitos os estudos devem criar mecanismos de acompanhamento, uma vez que a responsabilidade pelo cuidado com as Boas Práticas em Pesquisa é compartilhada entre pesquisadores, instituições e patrocinadores. Algumas instituições, como é o caso da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, contam com um Escritório de Integridade Científica, que audita e acompanha os estudos, de modo a garantir que sejam feitos de maneira adequada, tanto do ponto de vista ético, quanto científico.

Uma pesquisa, para ser ética, precisa apresentar um balanço entre riscos e benefícios que seja favorável e respeitar a autonomia dos participantes. Deve, ainda, tratá-los com justiça e equidade, buscando sempre fazer o bem e nunca causar danos previsíveis. Independentemente da premência e urgência em se achar resultados para combater pandemias ou responder prontamente às necessidades que se imponham, a vida, o respeito e o cuidado com os seres humanos devem sempre vir em primeiro lugar.

Assista à entrevista com Luiz Vicente Rizzo, diretor superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, e com o pediatra infectologista e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, no Quinta Chamada Ciência, no Canal MyNews

Quem são Anna Davison e Ana Cláudia Machado Urvanegia?

Anna Davison é antropóloga, coordenadora do Escritório de Integridade Científica da SBIBAE e Ana Claudia Machado Urvanegia é biomédica, doutora em Ciências da Saúde, coordenadora administrativa do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein

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Enquanto OMS anuncia vacina contra a malária, Brasil corta 90% dos recursos para a ciência https://canalmynews.com.br/mais/oms-anuncia-vacina-contra-malaria-brasil-corta-90-recursos-ciencia/ Sun, 10 Oct 2021 19:49:36 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/oms-anuncia-vacina-contra-malaria-brasil-corta-90-recursos-ciencia/ Na mesma semana que a OMS anunciou a aprovação de uma vacina contra a malária, Ministério da Economia retirou Projeto de Lei que destinaria R$ 690 milhões para o Ministério da Ciência e Tecnologia

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Na mesma semana em que a aprovação de uma vacina contra a malária foi anunciada, o Ministério da Economia retirou um Projeto de Lei que destinaria R$ 690 milhões para o Ministério da Ciência e Tecnologia, especialmente para universidades e institutos de financiamento e desenvolvimento de pesquisas. O dinheiro seria destinado para pagar bolsas de estudo e apoiar projetos de pesquisa em todo o país. Do total, restaram apenas R$ 52 milhões, que serão utilizados para o pagamento de medicamentos para o tratamento de câncer.

A retirada dos recursos num momento em que avança o plano de vacinação contra o covid-19 e num período em que a pesquisa e o conhecimento científico têm sido tão valorizados em todas as partes do mundo, aponta para um Brasil na contramão do restante dos países, com iniciativas que podem paralisar pesquisas e diversas áreas do conhecimento.

No campo da pesquisa e desenvolvimento de imunizantes, entre as instituições capacitadas para desenvolver vacinas e que têm contribuído desde a fundação com a saúde pública não apenas no Brasil, mas em nível mundial, estão a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Butantan. Os acordos para compra e produção de vacinas contra o Covid-19 incluíram também transferência de tecnologia para que os imunizantes passem a ser totalmente produzidos em território nacional.

Foto de referência de vacinação. Foto:Unsplash
Vacina contra a malária demorou 30 anos para ser desenvolvida e deve ter forte impacto na redução de casos e ortes na África Subsariana/Foto: Unsplash

O anúncio pela Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a aprovação de uma vacina contra a malária, após 30 anos de pesquisas, é uma notícia importante que vai impactar diretamente milhares de crianças em todo o mundo – em especial na África Subsariana – onde por ano morrem em decorrência da malária mais de 260 mil crianças com menos de 5 anos. No Brasil, a doença transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, infectada pelo protozoário Plasmodium, é comum na região amazônica – onde foram registrados 153 mil casos em 2019, com 37 óbitos.

Considerada uma doença negligenciada, a dificuldade em desenvolver uma vacina contra a malária também se deve ao longo trabalho de pesquisa necessário para o desenvolvimento de vacinas.

“Não creio que neste caso [a demora] seja pelo fato de ser uma doença negligenciada. No caso da malária, existe também interesse de países desenvolvidos. Trabalhei muito tempo na Holanda e os holandeses se preocupavam muito com este assunto porque viajam muito para a África. A ciência é assim: alguns resultados não temos quando dizer quando vamos alcançá-los. Essa ciência começa com pesquisas básicas até chegar a um produto que pode ser rápido, ou pode ser difícil”, destacou o físico Rogério Galvão, professor titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em participação ao Quinta Chamada Ciência, no Canal MyNews.

Galvão ressalta, por exemplo, que os argumentos de que as vacinas contra o Covid-19 foram criados rapidamente e por isso não seriam tão confiáveis não são verdadeiros. “A pesquisa sobre a vacina contra o Covid-19 que usa o RNA começou há mais de 20 anos. A pesquisadora principal não teve apoio nos Estados Unidos e foi para outros laboratórios e persistiu. Nós não sabemos quanto tempo levará para fazer uma pesquisa. De qualquer forma, vamos nos regojizar por esse grande feito, essa grande ação da ciência”, pontuou o professor.

O jornalista Salvador Nogueira destacou que essa é a primeira vez que se desenvolve uma vacina para protozoários, que deve impactar numa redução de pelo menos 50% dos casos de malária. Se tivermos como base que apenas em 2019 o mundo registrou cerca de 230 milhões de casos de malária, com mais de 400 mil mortes, os resultados da vacinação contra a doença no longo prazo são de esperança. Para Nogueira, o fato de o desenvolvimento do imunizante ter demorado 30 anos mostra a dificuldade do processo de pesquisa.

“A sociedade às vezes tem a ideia do cientista como se fosse um professor pardal. Trago um problema para ele e ele vai no laboratório e resolve. Não é assim. As coisas às vezes desenvolvem por outros caminhos. Uma pesquisa que foi feita há anos, que não tinha nenhuma intenção de produzir uma vacina, realizada pelo valor do conhecimento, mais tarde pode ser usada para outro grupo para produzir uma vacina e é assim em vários produtos”, ressaltou Rogério Galvão, lembrando que em muitos casos os laboratórios farmacêuticos são melhor equipados e têm mais insumos do que laboratórios de universidades.

Produção de vacinas é demorada e demanda várias etapas

A produção de vacinas demanda tempo e estudo. Se a vacina contra a malária demorou 30 anos para ser aprovada, outros imunizantes também não ficaram para trás. Rafael Dhália, pesquisador do Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz cita algumas vacinas que também demoraram a serem desenvolvidas: a da catapora levou 28 anos; a do rotavírus demandou 15 anos; para a vacina contra a tuberculose foram 13 anos de estudos.

Dhália ressalta que todo imunizante passa por pelo menos cinco fases de desenvolvimento e testes, até ser aprovado para aplicação na população. E que 3 milhões de pessoas são salvas todos os anos graças à vacinação.

“Para desenvolver uma vacina são necessária cinco fases. A fase pré-clínica, quando é decidido o antígeno que vai provocar o organismo a produzir a imunidade. A etapa de testes em animais e verificação da produção de anticorpos. Essa fase é a mais demorada e só depois é que se iniciam os testes em seres humanos, até que a vacinação em massa possa ser autorizada”, explica o pesquisador da Fiocruz.

Ele explica que a velocidade de desenvolvimento das vacinas contra o covid-19 se deve a diversos fatores, entre os quais a situação de emergência mundial, que permitiu com que algumas fases de desenvolvimento fossem feitas de forma simultânea; algo justificável diante da gravidade da pandemia. O que também motivou o avanço rápido na produção dos imunizantes foi o uso de pesquisas prévias e o compartilhamento de informações entre centros de pesquisas e cientistas de todo o mundo – num esforço global para vencer o novo coronavírus.

Dhália reforça que vacina não é “mágica” e que ainda teremos algum tempo com as chamadas “bolhas de pessoas imunizadas”. “O que a gente pode fazer para evitar as infecções é distanciamento social, uso de máscaras e medidas de higiene”, ressalta.

Além da vacina contra o covid-19, a vacina contra o ebola – que demorou 5,5 anos para ser desenvolvida e autorizada – e a vacina contra a Caxumba, com um período entre a pesquisa e a aplicação de 4 anos, também são considerados imunizantes desenvolvidos em tempo recorde.

Assista ao Quinta Chamada Ciência, no Canal MyNews, ou ouça o Podcast do programa nas principais plataformas

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Situação da Amazônia é grave e exige ações integradas https://canalmynews.com.br/mais/situacao-da-amazonia-e-grave-e-exige-acoes-integradas/ Fri, 10 Sep 2021 23:47:03 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/situacao-da-amazonia-e-grave-e-exige-acoes-integradas/ O ano de 2020 ficou marcado como o pior em relação ao desmatamento ilegal dos últimos 10 anos. A Amazônia já sofre com mortalidade de árvores e aumento da estação seca

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Na semana em que se lembrou o Dia da Amazônia, em 5 de setembro, não há muito o que comemorar quando o assunto é a conservação da maior floresta tropical do mundo. O ano de 2020 ficou marcado como o pior em relação ao desmatamento ilegal dos últimos 10 anos, com 10.851 Km² desmatados e 2021 deve superar essa marca, haja vista que entre janeiro e agosto a área devastada já é maior do que no ano passado.

Para a pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Luciana Vanni Gatti a situação é grave e já aponta para um impacto grande em relação à situação climática e de preservação da própria floresta. “Com todo o desmatamento que a gente já fez na Amazônia, já existe um impacto muito grande, com redução de chuvas e aumento de temperatura, o que representa um stress muito grande para a floresta. No Sudeste da Amazônia, por exemplo, a mortalidade de árvores é o dobro, às vezes o triplo, do restante da floresta. O desmatamento está levando a uma agudização da estação seca”, explicou a pesquisadora, em entrevista ao Quinta Chamada Ciência.

Imagem aérea de queimada próxima à Flora do Jacundá, em Rondônia. Amazônia sofre com fogo e desmatamento.
Imagem aérea de queimada próxima à Flora do Jacundá, em Rondônia. Amazônia sofre com fogo e desmatamento.
(Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real/Fotos Públicas)

Carlos Bocuhy, presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), elencou problemas em relação a vulnerabilidades e questões referentes à gestão que interferem na conservação da floresta e de toda a biodiversidade da região amazônica. Entre as vulnerabilidades, estão a perda de recursos hídricos, que interfere na situação dos rios de toda a América do Sul, incluindo a Bacia do Prata – que atravessa Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina; a ameaça à biodiversidade da Amazônia – onde está uma de cada cinco espécies de plantas, peixes e aves do planeta; e a desertificação – pois pesquisas já apontam que em algumas áreas existe o risco real de a floresta se transformar num deserto, sem possibilidade de reequilíbrio.

Sob o ponto de vista de gestão, Bocuhy apontou problemas graves em relação à fiscalização, que envolvem a necessidade de integrar ações do Exército, da Polícia Federal e do Ibama, com investimento em inteligência e equipamentos; algo que tem seguido exatamente o caminho contrário – com o sucateamento do Ibama no atual governo. Outro ponto que poderia fortalecer uma gestão eficiente da Amazônia seria o estímulo ao extrativismo sustentável, que incentivasse a harmonia entre as comunidades e a floresta, com foco no fim do desmatamento ilegal.

Na avaliação do coordenador de Comunicação do Observatório do Clima, Cláudio Ângelo, é assustadora a aceleração da mortalidade das árvores, provocada por “stress térmico”. “A gente fez muitas matérias sobre os modelos que mostravam o chamado ‘die back’ – um ponto da mudança climática em que as árvores iriam morrer de stress térmico, agravado pelo desmatamento. Isso tudo era um modelo, o que se esperava que acontecesse com a floresta se o desmatamento progredisse como progrediu. Os cientistas tinham razão e os pesadelos estão se tornando realidade, especialmente no Sudeste da Amazônia, uma área desmatada, ‘sojificada’ e ‘pastificada’”, considerou Cláudio Ângelo, numa referência às plantações de soja e à criação de gado comuns na região.

Para Ângelo, o enfrentamento dessa situação passa por uma mudança no governo central do Brasil e pelas eleições de 2022. “O desafio do Brasil hoje se chama Jair Messias Bolsonaro. Não dá para contornar isso. A gente tem um governo que é contra a floresta. Então para a gente começar a discutir qualquer coisa, precisa de um novo governo. Não, Bolsonaro não vai tomar jeito e não vai ter pressão internacional que dê jeito no Bolsonaro. O futuro depende das eleições, ou de Arthur Lira (PP-AL) encaminhar o impeachment do presidente da República; da mudança de governo para que a gente possa retomar instrumentos de políticas públicas que já vinham dando resultado no passado. Que levaram à redução do desmatamento no passado”, completou.

O jornalista Salvador Nogueira pontuou que a situação é grave também por conta da necessidade de reestruturar o arcabouço legal e as instituições que faziam o combate ao desmatamento ilegal na Amazônia, pois o atual governo implementou um “desmantelamento” da estrutura para combate ao desmatamento, prejudicou a divulgação de dados científicos do Inpe e alterou a legislação ambiental e de coerção aos crimes ambientais que precisarão ser reconstruídas no futuro.

Quinta Chamada Ciência é transmitido todas as quintas, a partir das 20h30, no Canal MyNews. Sempre com temas interessantes conduzidos pela jornalista Cecília Oliveira e participação de cientistas de diversas áreas

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Unifesp ampliará estudo que objetiva eliminar HIV do organismo com medicamentos e terapia celular https://canalmynews.com.br/mais/unifesp-ampliara-estudo-eliminar-hiv-do-organismo-medicamentos-terapia-celular/ Sun, 05 Sep 2021 14:00:40 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/unifesp-ampliara-estudo-eliminar-hiv-do-organismo-medicamentos-terapia-celular/ Através da combinação de medicamentos, consegue matar as células que armazenam o HIV e com uma terapia semelhante a uma vacina, faz com que o vírus seja eliminado

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Um estudo com pesquisadores de diversos países, incluindo pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), está conseguindo tratar o vírus HIV do organismo utilizando um coquetel de medicamentos e uma terapia celular. A pesquisa “desperta” os vírus latentes no corpo humano para que o organismo possa eliminá-los. Através da combinação de medicamentos, consegue matar as células que armazenam o HIV e, através de uma terapia celular semelhante a uma vacina, faz com que as pessoas consigam banir o vírus.

A pesquisa está sendo feita com voluntários que fazem tratamento para HIV/Aids e estão com carga viral indetectável e agora será ampliada. “Está funcionando e a gente vai ampliar esse estudo”, disse o infectologista Ricardo Sobhie Diaz, infectologista e diretor do Laboratório de Retrovirologia do Departamento de Medicina da Escola Paulista de Medicina (EPM/ Unifesp) – Campus São Paulo, em entrevista ao Quinta Chamada Ciência.

A epidemia de Aids existe há 40 anos e a estimativa do Programa das Nações Unidas para Aids (Unaids) é de que 37,6 milhões de pessoas viviam com HIV/Aids no mundo em 2020. De acordo com o Ministério da Saúde, 920 mil pessoas vivem com HIV/Aids no Brasil. A infecção pelo HIV não tem cura, mas tem tratamento – que é feito com medicações antirretrovirais que diminuem a carga viral e controlam a infecção. A estimativa do Unaids é que 27,6 milhões de pessoas no mundo tenham acesso à medicação, também chamada de “coquetel anti-HIV”.

“Pra gente entender os medicamentos que a gente usou, a gente tem que entender o tamanho desse desafio. O HIV entra no corpo da pessoa e fica de uma forma dormente, latente, não vai mais embora. Não existe nenhum caso no mundo em que a pessoa tenha adquirido o HIV e tenha eliminado ele”, pontua Diaz, lembrando que um dos grandes desafios é diminuir os danos ao organismo de um vírus que fica pra sempre.

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O programa Quinta Chamada Ciência conversou sobre o tratamento e uma possível cura para o HIV/Foto: Reprodução da Internet/Canal MyNews

“Um deles, é que [o HIV] fica inflamando o nosso corpo e faz com que a gente envelheça mais rápido. O outro grande desafio é curar as pessoas. A gente descobriu que o caminho para diminuir essa inflamação e até curar as pessoas é o mesmo. Tentar fazer com que esse vírus acorde e fazer com que as pessoas consigam reagir contra o vírus e eliminar”, continua o epidemiologista, acrescentando que com a combinação de algumas estratégias, os pesquisadores chegaram à conclusão de que é possível eliminar o vírus HIV, mas com as tecnologias disponíveis atualmente esse processo demoraria décadas. O desafio dos cientistas é encontrar uma forma de acelerar esse processo e, de fato, poder curar as pessoas.

“A gente imaginava que conseguiria curar o HIV porque ele fica só em lugares que a gente consegue eliminar, que não são células definitivas (como o cérebro, o osso). O conceito foi provado com a estratégia de transplante de medula, pra quem precisa de transplante de medula. Duas pessoas foram curadas e provavelmente tem uma terceira. Mas não dá pra fazer transplante de medula [em todas as pessoas]”, explica o pesquisador, detalhando o processo que está sendo estudado pela Unifesp.

Vacinas são “a arte imitando a vida”. No caso do HIV, o desafio é fazer “a arte melhor que a vida”

Ricardo Diaz considera que a vacina é a “arte imitando a vida” e este é o desafio da pesquisa de uma vacina para o HIV. “Na vida, se você pega uma catapora, você não vai ter de novo. O que a vacina faz? Ela engana seu corpo e faz ele achar que você teve uma catapora para fazer com que você fique imunizado. Normalmente a arte não é melhor que a vida. A questão é que ninguém até hoje que se infectou com o HIV, eliminou o vírus. Então o desafio dos cientistas é fazer a arte melhor que a vida”, considera.

O epidemiologista Ricardo Diaz considera que, no caso da pandemia do novo coronavírus, o avanço rápido na descoberta de vacinas contra o Covid-19 se deveu a um movimento de solidariedade que alcançou o mundo inteiro e fez instituições de diversas regiões do planeta compartilharem suas pesquisas, resultados satisfatórios e também os caminhos que não deram resultados.

“A vacina [do Covid-19) andou rápido por solidariedade. Pesquisadores abriram todos os bancos de dados e essa solidariedade está possibilitando à ciência andar rápido porque a gente está com medo”, diz. Outra questão que influenciou a agilidade para encontrar os imunizantes contra o novo coronavírus foi o reaproveitamento de tecnologias para vacinas que já tinham sido testadas, mas não avançaram da forma esperada e agora foram resgatadas e “repaginadas”, utilizando o mesmo modelo que já existia para combater outro vírus.

Combate ao Covid-19 deve utilizar estratégias já experimentadas no enfrentamento da Aids

Outro aspecto interessante é que iniciativas de tratamento já adotadas para enfrentar o HIV também deverão ser utilizadas para combater o Covid-19, a exemplo da Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e da Profilaxia Pré-exposição (PreP).

No caso do HIV, o conjunto de medicamentos chamado de PEP é receitado para a pessoa que passou por um risco de se infectar com o HIV – seja por uma relação sexual sem uso de preservativos, ou por ser vítima de violência sexual, entre outras situações. Já a PreP é indicada para pessoas que não vivem com o vírus HIV, mas que possam ter uma exposição ao vírus. Essas pessoas tomam um conjunto de remédios que previnem a infecção pelo vírus que provoca a Aids.

Para o Covid-19, os cientistas pesquisam, além das vacinas (que poderiam ser comparadas à PreP), medicações que possam ser receitadas às pessoas que se expuseram ao novo coronavírus (PEP), evitando também a infecção e possíveis complicações. Seriam medicamentos aliados das vacinas no combate à pandemia.

O infectologista Ricardo Sobhie Diaz destacou que, apesar de não existir cura para a Aids, a terapia antirretroviral feita da forma recomendada pela equipe de saúde realiza o controle da infecção e também oferece a possibilidade que as pessoas infectadas com o vírus HIV se tornem indetectáveis. Quando a pessoa está com a carga viral indetectável ela não transmite o vírus HIV. “Indetectável é igual a intransmissível (I=I). Os maiores sintomas do HIV ainda são o estigma, o preconceito e a discriminação. Existe o que a gente chama de ‘sorofobia’, que é quando a pessoa é discriminada por viver com o HIV e isso é muito pesado para as pessoas”.

Assista ao Quinta Chamada Ciência, sempre com temas atuais e convidados especiais. Com apresentação da jornalista Cecília Oliveira, no Canal MyNews

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Reforço de vacina contra covid-19 deve avançar junto com imunização de outras faixas etárias https://canalmynews.com.br/mais/reforco-de-vacina-covid-19-avancar-com-imunizacao-demais-faixas-etarias/ Sat, 28 Aug 2021 00:49:24 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/reforco-de-vacina-covid-19-avancar-com-imunizacao-demais-faixas-etarias/ Dose de reforço da vacina servirá para estimular sistema imunológico de pessoas idosas e com baixa imunidade e deve seguir orientação da ciência

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A divulgação pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, de que o Brasil iniciará a aplicação da terceira dose da vacina contra o covid-19 em grupos prioritários já a partir de setembro gera uma dúvida se toda a população precisará receber uma terceira dose do imunizante para controlar a pandemia do novo coronavírus. Enquanto o Brasil ainda avança na vacinação da população acima de 18 anos e algumas localidades já iniciaram a imunização de adolescentes, a terceira dose começará a ser aplicada em pessoas acima de 70 anos ou que tenham baixa imunidade.

Para o imunologista Gustavo Cabral, é preciso esclarecer que o planejamento é para uma dose de reforço para estimular o corpo a se proteger e não uma terceira dose da vacinação. “Algumas pessoas confundem e dizem ‘ah, mas fulano estava vacinado e veio a óbito’. Nestes casos, os anticorpos não responderam adequadamente ao que se esperava com a vacinação. A dose de reforço é para reforçar o sistema imunológico e será aplicada inicialmente em pessoas mais velhas, que já tendem a diminuir a resposta imunológica”, explicou, durante o programa Quinta Chamada Ciência, no Canal MyNews.

Cabral, que lidera a pesquisa de uma vacina contra o novo coronavírus no Instituto do Coração (Incor) em São Paulo, lembra que não vai adiantar controlar a pandemia em alguns poucos países, se a maioria das nações não tiver acesso à vacinação contra o Covid-19.

“Espero que [a vacina] chegue o mais rápido possível e que o vírus se torne uma coisa comum para a gente, como o H1N1. Mas, até lá, a gente tem muitos problemas. A gente não pode imaginar que vai controlar [a pandemia] num município, um estado e um país; 75% das vacinas do mundo estão sendo utilizadas por 10 países, e o resto está à deriva. A possibilidade de surgirem novas variantes é enorme. [No Brasil] Estamos apenas 27% da população totalmente imunizada”, ressaltou.

Outro ponto destacado pelo imunologista é que o planejamento para a aplicação de uma dose de reforço precisa seguir a orientação dos cientistas. “O corpo tem que tolerar a vacina. Não é simplesmente ‘vou tomar a terceira dose’ – pra não gerar um desequilíbrio no sistema imunológico e não fazer o sistema imunológico nos atacar. Precisa ser de uma forma organizada e planejada, levando a parte científica em consideração. A gente precisa ser cauteloso para unir a segurança e a eficácia para controlar a pandemia como um todo”, alertou.

Aprovação de uma vacina segura para crianças permitirá retorno seguro às aulas

No caso da imunização de crianças, Cabral acredita que, assim que for aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacina CoronaVac, do Instituto Butantan, deve ser a mais indicada para esta faixa de idade, por ser considerada a tecnologia mais segura. “As vacinas vão ajudar muito. Existe uma boa expectativa com a CoronaVac e se der tudo certo é a vacina para as crianças, a vacina mais segura, porque é uma metodologia secular. Acredito que o Instituto Butantan vai apresentar os dados à Anvisa e imunizando as crianças com a CoronaVac teremos uma boa resposta e poderemos voltar as crianças para a escola”, finalizou.

O Canal MyNews lançou esta semana o documentário “Geração Covid – Impacto da pandemia na primeira infância”, dirigido pela jornalista Juliana Causin, que mostra os impactos da pandemia sobre a estrutura social brasileira, afetando, em especial, o desenvolvimento das crianças.

Com apoio do Dart Center for Journalism and Trauma, centro de estudos para jornalistas da Columbia University, Juliana Causin mostra como, em pouco mais de um ano, a pandemia do Covid-19 afetou a primeira infância, investigando ainda as possíveis consequências socioeconômicas desse crítico cenário nacional.

Assista à integra do Quinta Chamada Ciência. O programa falou também sobre dinossauros, febre emocional, plataforma de cientistas e a relação entre prática sexual e felicidade

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Covid-19: com 55% da população adulta com a 1ª dose, é cedo para falar em 3ª dose da vacina no Brasil https://canalmynews.com.br/mais/covid-19-cedo-para-falar-3a-dose-vacina-brasil/ Fri, 20 Aug 2021 23:46:12 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/covid-19-cedo-para-falar-3a-dose-vacina-brasil/ Avanço da variante Delta do Covid-19 e avanço lento da vacinação torna expectativa de 3ª dose precipitada

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Apesar de ainda não ter anunciado uma data, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, já anunciou que o Brasil aplicará uma terceira dose de vacinas contra o Covid-19 em profissionais de saúde e idosos. A dose extra está sendo vista como necessária para proteger pessoas mais vulneráveis da variante Delta do novo coronavírus. Falar numa terceira dose quando apenas metade da população tomou a primeira dose de alguma das vacinas aplicadas no país pode ser precipitado, quando o país ainda está enfrentando números elevados de internações e mortes pela doença.

O pesquisador Isaac Schrarstzhaupt, em entrevista ao Quinta Chamada, considerou preocupante anunciar uma terceira dose nesta fase da vacinação no país. “O que eu sempre acho é que a gente teria que fazer o máximo para vacinar todo mundo e vacinar com a terceira dose quem precisa. A gente está começando a ver no Brasil o aumento da variante Delta e já sabe que em mais de 130 países houve uma onda de aumento de casos. Alguns, com menos agravamento e óbito, por conta do avanço da vacinação”, considerou Schrarstzhaupt, lembrando que países como a Indonésia – que ainda estão com poucas pessoas vacinadas, enfrentaram uma terceira onda da doença tão devastadora quanto as demais.

“Em países como o Reino Unido e os Estados Unidos – onde 50% da população já está vacinada, houve um aumento das hospitalizações numa proporção bem menor do que se não tivesse vacina. Isso por que a transmissão não está sendo combatida. Eu advogo para a gente tentar acelerar ao máximo a distribuição das vacinas”, completou o pesquisador.

Informações sobre vacinação e sobre a pandemia do Covid-19 deveriam ser mais difundidas

O jornalista Salvador Nogueira pontuou que ainda falta informação das pessoas sobre a vacinação. Essa falta de informação pode ser um dos motivos que levou um homem no Rio de Janeiro a tomar cinco doses de vacinas diferentes contra o Covid-19. Ele foi descoberto através de uma investigação da Secretaria Municipal de Saúde do Rio, após ir a um posto de vacinação na tentativa de tomar uma sexta dose de m dos imunizantes.

Ao todo, este morador tomou duas doses da Pfizer, duas doses da CoronaVac e uma dose da AstraZeneca. Ele tentava tomar a segunda dose da AstraZeneca quando foi descoberto pela equipe de saúde. Ao contrário do que possa parecer, esta pessoa não está “superimunizada” e pode até ter algum problema de saúde por ter tomado tantas vacinas diferentes. Essa foi a consideração que a química e professora Bárbara Carine enfatizou para destacar que mais informações sobre vacinação deveriam ser difundidas na sociedade.

“Além de ser um problema coletivo, porque a gente está enfrentando falta de vacinas em alguns lugares, e a atitude dessa pessoa mostra uma falta de preocupação com o outro, acredito que também é fruto da desinformação. A gente desenvolve anticorpos através desse corpo estranho que é introduzido em nosso corpo. Na química tem uma coisa muitíssimo importante: a concentração. (…) Seja para as doses da vacina, que são doses cientificamente estudadas (…), seja na indústria farmacêutica, que estabelece a síntese dos princípios ativos suportáveis para o corpo humano. É importante ter muito cuidado com as quantidades de medicamentos ou qualquer substância que a gente introduz no nosso corpo”, explicou a professora.

Salvador Nogueira acrescentou que, na prática, a diferença de imunização que esta pessoa terá, não é suficiente para concorrer com o risco de se vacinar tantas vezes, com imunizantes diferentes, sem seguir as orientações dos cientistas e da medicina.

O Quinta Chamada tem apresentação de Cecília Oliveira e toda semana traz temas interessantes sobre conhecimento e divulgação científica. Às quintas, a partir das 20h30, no Canal MyNews

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Negacionismo https://canalmynews.com.br/mais/negacionismo/ Thu, 19 Aug 2021 19:44:07 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/negacionismo/ O negacionismo oferece uma percepção imaginária de um mundo confuso, sem rumo. Na melhor das hipóteses, é um misto de dúvida e de credulidade, na pior, um oportunismo político com objetivo de ganhos de curto e médio prazo

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O termo negacionismo foi criado pelo historiador francês Henry Rousso, na década dos 80 do século passado. Inicialmente, negacionismo indicava a atitude de negação de um fato histórico como o extermínio dos judeus da Europa pelos nazistas. Os negacionistas visam não a rever ou reexaminar o fato histórico, mas falsear a história, a partir de motivações ideológicas.

Mais recentemente, o negacionismo, como a tentativa de revisar a história, a ciência e influir na política, ressurgiu com força na Europa, em especial na França e na Alemanha, e nos EUA, em particular com Donald Trump. Em 6 de novembro de 2012, já pensando em sua candidatura presidencial, Trump enviou um tweet sobre mudança do clima em que dizia que o conceito de aquecimento global foi criado pelos chineses para deixar as manufaturas americanas não competitivas. Da vacina à mudança do clima, do genocídio ao terraplanismo, chegou-se, na campanha presidencial e durante o governo de Trump, ao QAnon, movimento de extrema direita, negacionista total, que teve intensa participação na tentativa de invasão do Congresso em Washington, na mais séria ameaça à democracia nos EUA, desde a guerra civil em 1861. Fake News e teorias conspiratórias passaram a negar fatos comprovados e verdades estabelecidas pela ciência com objetivos políticos.

O negacionismo tenta negar as descobertas da ciência
O negacionismo é uma tentativa de revisar a história, a ciência e influenciar a política/Imagem: Pixabay

“O negacionismo vai além de um boato ou fake news pontual. É um sistema de crenças que, sistematicamente, nega o conhecimento objetivo, a crítica pertinente, as evidências empíricas, o argumento lógico, as premissas de um debate público racional, e tem uma rede organizada de desinformação. Essa atitude sistemática e articulada de negação para ocultar interesses político-ideológicos muitas vezes escusos, que tem sua origem nos debates do Holocausto, é inédita no Brasil”, observa muito apropriadamente Marcos Napolitano, professor da Universidade de São Paulo (USP).

O negacionismo oferece uma percepção imaginária de um mundo confuso, sem rumo, em que se vive em condições de opressão, desespero e privações, no qual nada tem de ser aceito sem questionamento e onde ninguém deve ser confiável. O negacionismo, na melhor das hipóteses, é um misto de dúvida e de credulidade, na pior, um oportunismo político com o objetivo de ganhos de curto e médio prazo.

No Brasil, o negacionismo, historicamente presente na discriminação racial e no tratamento das comunidades indígenas, chegou com força no governo Bolsonaro. Durante a pandemia do Covid-19, o governo atual levou o negacionismo a proporções nunca vistas, com a negação ou minimização da gravidade da doença, no boicote às medidas preventivas, na subnotificação dos dados epidemiológicos, na omissão de traçar estratégias nacionais de saúde, no incentivo a tratamentos terapêuticos sem validação científica e na tentativa de descredibilizar a vacina, entre outras políticas e atitudes. Em outras áreas, um ministro do governo não se cansava de repetir sua atitude negacionista no tocante ao globalismo, à mudança climática, ao terraplanismo, ao marxismo cultural.

Causas do negacionismo

Como explicar essa atitude de negação, cujo objetivo, no fundo, é levar o público à confusão, além de outros efeitos paralelos. Muitos são os elementos para se entender a extensão da contaminação e a rápida aceitação de parte significativa das pessoas, em muitos países. Sem entrar em detalhes, por serem autoexplicativos, podem ser mencionados o crescimento da desigualdade social, o aumento da pobreza, a concentração de renda de forma generalizada no mundo e o baixo nível educacional, explorados por políticos populistas e autoritários. Todos esses fatores criaram um sentimento de ceticismo, de simplificação exagerada das coisas, levando a conclusões inadequadas, vitimização, interpretação diferente de fatos não evidentemente conectados e o culto da mentira e da realidade alternativa. Trump, o principal promotor da difusão das “fake news”, encontrou seguidores em outros países, que ajudaram a espalhar mentiras e teorias conspiratórias por todo o globo, com as facilidades oferecidas pela mídia social.

Quais os efeitos e as consequências?

O negacionismo representa um risco muito alto, como ficou evidenciado nos EUA pelas políticas Trump em relação à pandemia, que tornou os EUA o país com mais mortes no mundo e, nos dias atuais, com os efeitos desastrosos para a saúde das crianças, com a recusa de governadores, nos Estados mais contaminados pela Covid 19, de aceitarem o uso de máscaras em lugares fechados e nas escolas. Ou no Brasil, pelas politicas negacionistas na saúde que levaram a um crescente número de mortes, superando os 560.000, e na área política, com a contestação à lisura das eleições, colocando-se em dúvida, sem qualquer evidência, a segurança das urnas eletrônicas.

Em geral, contudo, os efeitos do negacionismo são menos diretos e concretos, mas não menos deletérios. O negacionismo na mudança do clima não conseguiu destruir o consenso científico de que o que está ocorrendo é decorrência da atividade humana. O que o negacionismo conseguiu foi dar respaldo aos que se opõem a políticas mais radicais para a defesa do planeta, inclusive aqueles que criticam um acordo global, o que ajudou a tornar o desafio ainda mais difícil.

O negacionismo também pode criar um ambiente de ódio e de suspeita. No caso do holocausto, o que se deseja é apoiar a nostalgia do regime totalitário e a utopia eugenista de uma nação pura. A negação do genocídio não apenas é uma recusa de aceitação de fatos históricos, como também representa um ataque a aqueles que sobreviveram e a seus descendentes porque procura apresentar os judeus como mentirosos e reabilitar a reputação dos nazistas. A recusa da Turquia em admitir que o massacre dos armênios existiu em 1915 também é um ataque aos armênios de hoje e uma forma de intimidação a outras minorias na Turquia, que questionam seu status e seus direitos.

Outras formas de negacionismo podem ser menos explícitas, mas não deixam de representar um perigo ou ameaça à verdade. A negação da teoria darwiniana da evolução humana não tem nenhum efeito imediato ou prático, apenas ajuda a desacreditar a ciência, o que pode alimentar atitudes que vão contra políticas baseadas em evidências científicas. Mesmo os lunáticos negacionistas – aqueles que aceitam, por exemplo, as teorias do terraplanismo, isto é, que a terra é plana (lembram-se de Galileu na Idade Média?) – embora difíceis de serem levados a sério, ajudam a criar um ambiente no qual a política e o conhecimento científico e acadêmico são colocados em dúvida em nome de uma ampla suspeita de que nada é aquilo que parece ser.

Penetração do negacionismo

O negacionismo passou das áreas marginais para o centro do discurso público ajudado em parte por motivações políticas e em parte pelas novas tecnologias. Na medida em que a informação se tornou mais livre e acessível online e a pesquisa passou a ser aberta a todos pela internet, multiplicam-se as oportunidades para discutir e contestar as verdades, como aceitas até aqui. É difícil ignorar completamente essas vozes, que seriam consideradas normalmente malucas ou totalmente desfocadas. A profusão de vozes, a pluralidade de opiniões, os ruídos despertados pela controvérsia são suficientes para despertar dúvidas sobre aquilo que se deveria acreditar.

Não há como deixar de reconhecer que o negacionismo representa um perigo real. Alguns casos podem ser indicados como exemplos concretos de negacionismo causando dano efetivo. Na África do Sul, o presidente Mbeki, nos primeiros anos deste século, foi muito influenciado por negacionistas da AIDS, que recusavam aceitar a relação entre HIV e AIDS, chegando mesmo a negar a existência da AIDS, lançando dúvidas sobre a efetividade dos remédios antirretrovirais. Estima-se que a aceitação dessa visão equivocada e a relutância de Mbeki em implementar um programa nacional de tratamento usando antivirais tenha custado a vida de cerca de 330.000 pessoas.

Como combater no negacionismo?

A resposta mais comum ao negacionismo é a exposição da mentira. Assim como os negacionistas produzem uma crescente quantidade de artigos, websites, apresentações, vídeos e livros, os que combatem o negacionismo devem responder e estão respondendo na mesma moeda. As alegações negacionistas são refutadas sistematicamente, ponto por ponto, seriamente ou de maneira jocosa.

Há casos em que houve também respostas institucionais, com consequências legais para o negacionismo. Em alguns países, foram aprovadas leis contra o negacionismo. Na França, por exemplo, a legislação proíbe o negacionismo em relação ao holocausto. Nos EUA, a tentativa de ensinar a ciência da criação juntamente com a teoria da evolução encontrou forte resistência e os negacionistas foram impedidos de escrever em revistas acadêmicas e de fazer conferências.

Conclusão

O que surpreende é o número de pessoas que aceitam “face value” essa atitude negacionista e as realidades criadas pelas fake news e teorias conspiratórias. Essa reação nem sempre ajuda a desfazer uma campanha negacionista porque, para os negacionistas, a existência do negacionismo é uma vitória. O argumento central deles é o de que a verdade foi suprimida por seus inimigos. Continuar a existir a negação é um ato heroico, a vitória sobre as forças da verdade. O combate ao negacionismo, nas sociedades democráticas, não se faz por medidas legislativas, mas pelas respostas imediatas e por ações da sociedade civil que exponham a falsidade, a distorção das fake news e a recusa em aceitar as evidências, em muitos casos, para uso político.


Quem é Rubens Barbosa?

Rubens Barbosa é consultor de negócios, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da FIESP, presidente do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica e da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). É membro do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP, presidente emérito do Conselho Empresarial Brasil – Estados Unidos. Editor responsável da Revista Interesse Nacional. Foi Embaixador do Brasil em Londres, de janeiro de 1994 a junho de 1999, e em Washington, de junho de 1999 a Março de 2004.


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Pane na Plataforma Lattes acende alerta sobre falta de recursos para C&T no Brasil https://canalmynews.com.br/mais/pane-plataforma-lattes-acende-alerta/ Sat, 31 Jul 2021 02:13:52 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/pane-plataforma-lattes-acende-alerta/ Plataforma Lattes saiu do ar e chamou atenção para a redução de investimentos para a ciência no país

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A semana terminou com a Plataforma Lattes e a Plataforma Integrada Carlos Chagas do mesmo jeito que iniciaram: fora do ar. A pane no maior sistema de informações sobre pesquisadores e bolsistas do país causou apreensão no meio científico nacional. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) garante que não houve perda das informações e que o problema aconteceu numa peça chamada controladora de armazenamento – que deve ser trocada.

Falta de recursos ameaça pesquisa científica no Brasil
Universidades e cientistas fazem esforço para manter estrutura de pesquisa funcionando/Foto: Marcelo Seabra/Ag. Pará

Também garante que foi concluído o backup dos dados, sem perda de informações, com a promessa de o sistema ser restabelecido na próxima segunda (02/08). A possibilidade de sumiço total das informações dos pesquisadores e bolsistas da plataforma que é usada como base para diversos procedimentos da vida acadêmica e científica do país, acendeu mais um alerta sobre a falta de investimentos em Ciência & Tecnologia no Brasil.

Com o sistema fora do ar, diversos procedimentos internos das universidades e de prestação de contas de projetos, com prazos determinados, precisaram ser suspensos até que a plataforma seja retomada. O orçamento do CNPq em 2021 é de R$ 1,21 bilhão – metade do valor reservado para o órgão há 21 anos – segundo o economista Felipe Salto – diretor da Instituição Fiscal Independente do Senado.

A informação – citada no programa Quinta Chamada desta semana, chama atenção também quando é sabido que o orçamento destinado para as universidades e centros de pesquisa brasileiros vem diminuindo seguidamente, ao ponto de o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) estar sob ameaça de precisar desligar o supercomputador Tupan – que faz as principais previsões meteorológicas do país – por falta de pagamento da conta de energia elétrica.

“O CNPq começou a apresentar uma instabilidade desde a semana passada. Na sexta (23), a gente não tinha mais acesso à Plataforma Lattes – sistema que se consulta o tempo inteiro. No caso da UFPE, por exemplo, estamos num processo de credenciamento de docentes nos programas de pós-graduação e estamos impossibilitados de seguir com esta atividade. Já na Plataforma Carlos Chagas estão projetos de pesquisa, resultados de editais, das consultas, entre outras atividades essenciais”, explica a pró-reitora de Pós-Graduação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Carol Leandro, em entrevista ao site do Canal MyNews.

Perder os dados das duas plataformas seria um prejuízo incalculável, segundo Carol Leandro, pois nelas estão as principais base de dados que as universidades têm para acompanhar a vida acadêmica de todos os pesquisadores no Brasil, inclusive estrangeiros. A professora explica que além da redução de recursos, as universidades temem que avance um projeto de fusão entre o CNPq e a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Uma tentativa de unificação das duas entidades foi feita em 2019, mas não avançou.

“O CNPq é uma instituição importante, que acompanhou todo o processo de evolução da pós-graduação no Brasil. Junto com a Capes faz um trabalho que se complementa. São inúmeros pesquisadores com projetos aprovados, em parceria com outras entidades, abrindo editais de pesquisa e ofertando bolsas. Estamos muito apreensivos e atentos para qualquer tentativa de desmonte do CNPq, ou de colocar em dúvida sua seriedade como instituição de fomento à pesquisa no Brasil”, prossegue Carol Leandro.

Falta de recursos prejudica desenvolvimento da ciência no país

A pesquisadora Roberta Froes – professora do Departamento de Química da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em participação no Quinta Chamada, alertou que a situação da ciência no Brasil está muito complicada pela falta de recursos para desenvolver pesquisas.

“Não tem bolsa para os pesquisadores, não só para os alunos de pós-graduação. A iniciação científica também não tem. Como você vai incentivar um aluno de iniciação científica a se manter na universidade numa pós-graduação se não tem nenhuma garantia da bolsa? Vale lembrar que o valor da bolsa não é exorbitante, não é um bônus que ele recebe. Muitas vezes a bolsa é pra manter o aluno longe da sua cidade, longe da sua família e ele tem que morar, comer, dormir, se vestir e comprar o material para estudar”, falou a pesquisadora, lembrando que o valor da bolsa de iniciação científica é R$ 400.

Ela pontuou que além da falta de recursos para apoiar os pesquisadores a se manterem na vida acadêmica e científica, a estrutura das universidades também está se deteriorando. “A gente está vendo os laboratórios serem sucateados. A minha área, por exemplo, precisa de insumos para laboratório, manutenção de equipamentos, equipamentos novos, e estamos sempre fazendo gambiarras para não parar de funcionar. O Tupan, por exemplo, estava na base de gambiarra por falta de investimentos. Isso é muito desestimulante; é um ataque à ciência”, ressaltou.

Carol Leandro, da UFPE, vê uma realidade em que a pesquisa científica está ameaçada, principalmente por posturas negacionistas e cortes orçamentários nos últimos 10 anos. “De uma forma geral, a universidade perdeu como um todo. O que fizemos foi uma reorganização interna, para que uma parte do orçamento para universidades continuasse na área de pesquisa. Uma das ações de resistência é manter a pesquisa. É uma prioridade. É grave a situação do fomento à pesquisa nas universidades federais”, finalizou.


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O grande vagalume https://canalmynews.com.br/francisco-saboya/o-grande-vagalume/ Wed, 28 Jul 2021 12:34:06 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/o-grande-vagalume/ O excesso de improviso na gestão pública federal, acrescido pelo descaso com a ciência e a educação, é a única explicação razoável para a atual situação do CNPq

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Os especialistas ensinam que planejamento é o contrário de improviso. Fora do planejamento, tudo é aventura. No planejamento, construímos futuros. No improviso, somos arrastados pelas circunstâncias: o destino é um lugar que nunca chega e o longo prazo não resiste a um vento forte. No improviso, é um salve-se quem puder a cada instante, e o futuro é matéria de arrivistas.

Falta de planejamento e descaso com a ciência configuram a atual situação do CNPq.
Falta de planejamento e descaso com a ciência configuram a atual situação do CNPq. Foto: Reprodução com alterações (Flickr)

No passado, os navegadores eram mais prudentes. Além dos instrumentos e cartas náuticas, carregavam qualquer informação que pudesse ajudar na missão. Muito apreciadas eram as instruções de outros que haviam feito percurso similar. Cabral é um exemplo de que isso funciona.

Restou pouca coisa dessa expedição. Um desses salvados é a deliciosa carta de Caminha. Outro, são as orientações fornecidas por Vasco da Gama, que tinha acabado de retornar do oriente e conhecia o regime das águas e dos ventos do mar oceano.

O marinheiro magistral registrou que, para contornar o continente africano, era recomendável fazer a volta do mar, se afastar da costa na direção do que veio a ser mais tarde o Brasil – precisamente a 600 léguas do litoral sul da Bahia – e só depois então apontar para o Cabo da Boa Esperança. Essa é uma das explicações possíveis para a tranquilidade que foi o “achamento” do nosso país.

Acontece que, depois de achado, o Brasil vez por outra dá um perdido nele mesmo por falta de quem pegue o leme com conhecimento de causa. Construir um país sem educação e ciência é como navegar sem piloto e instrumentos. Parado, no porto, você até sabe onde está. Mas no mar aberto, fica a critério das ondas. Boiando feito balsa n’agua.

O excesso de improviso na gestão pública federal, o descaso com a ciência e o descompromisso com o país são a única explicação razoável para a situação atual do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico –, agência que há 70 anos suporta a pesquisa e formação de cientistas, pesquisadores, tecnólogos, professores de pós-graduação. De bolsas de iniciação científica até pesquisas avançadas sobre qualquer coisa, quase tudo tem o dedo do CNPq.

Quem vem acompanhando o calvário do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação teve, essa semana, mais um choque. Previsível, aliás. A precarização acelerada do CNPq acaba de evaporar – roga-se para que exista backup de tudo! Os dados de uma centena de milhares de pesquisadores brasileiros e colaboradores estrangeiros cujos históricos de estudos, publicações científicas, grupos de pesquisa, projetos e currículos, entre outros, estão registrados em um complexo de sistemas indisponíveis há 5 dias. E sem previsão de retorno.

Problemas de acesso já vêm sendo reportados há mais de um mês pelos usuários. Sistemas dão tilt. Justo por isso, quanto mais críticas as informações, mais seguros e controlados devem ser os ambientes onde operam. Redundância é o básico nessa arquitetura. Mas, a julgar pelas quantidades de posts nas redes sociais e grupos de WhatsApp, em que profissionais do próprio CNPq e instituições conexas pedem socorro externo, de servidor de backup a apoio técnico, a coisa parece ser muito séria.

O CNPq informou nas mídias que está tomando as medidas necessárias, e assegura que dispõe de novos equipamentos de TI, tendo a migração dos dados sido iniciada antes do ocorrido. Respostas vagas assim aumentam a apreensão e desconfiança quanto ao que verdadeiramente importa: a capacidade do órgão de promover a recuperação integral dos dados. Sem abrir o jogo, o MCTIC e a Agência passam a ideia de que o buraco é mais fundo.

E é mesmo, ainda que tudo dê certo nesse assunto.

Agora é esperar o próximo serviço público que vai colapsar. O país dos apagões está se tornando uma gigantesca nuvem de vagalumes.

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Fazer ciência no Brasil é “suicídio profissional”, diz pesquisadora brasileira radicada nos EUA https://canalmynews.com.br/mais/fazer-ciencia-no-brasil-e-suicidio-profissional-diz-pesquisadora-brasileira-radicada-nos-eua/ Fri, 18 Jun 2021 14:21:17 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/fazer-ciencia-no-brasil-e-suicidio-profissional-diz-pesquisadora-brasileira-radicada-nos-eua/ Neurocientista Suzana Herculano destaca que fuga de cérebros é influenciada por falta de recursos e bolsas não permitem “vida independente”

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Ser pesquisador no Brasil significa precisar contar com a “sorte” de ter uma família que tenha um quarto sobrando em casa e recursos para comprar livros, avalia a neurocientista Suzana Herculano. A avaliação foi feita no novo programa do MyNews, o Quinta Chamada, que estreou com a presença do ex-diretor do Inpe, Ricardo Galvão, e os jornalistas Nádia Pontes e Cláudio Angelo. A apresentação é de Cecília Olliveira.

“Não tem condição de fazer ciência no Brasil, insistir em fazer ciência no Brasil para quem já tem uma carreira é suicídio profissional e para quem não começou uma carreira ainda, a única possibilidade viável é sair do Brasil o quanto antes”, afirma Herculano.

Herculano é bióloga formada na UFRJ e com pós-doutorado pelo Instituto Max-Planck de Pesquisa do Cérebro na Alemanha. Atualmente, é professora da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos.

As universidades federais brasileiras passam por uma série de cortes orçamentários. Em valores reajustados, as universidades federais brasileiras tiveram um orçamento de R$ 10,8 bilhões em 2015. Já em 2021, esta cifra é de R$ 4,5 bilhões. O mesmo pode ser dito das bolsas. De acordo com dados do CNPq, em 2014 foram distribuídas 104.956 bolsas, enquanto em 2020 foram 79.468 bolsas.

“O valor da bolsa, se há bolsa, é uma merreca que não permite a ninguém ter uma vida digna e independente. Você tem que ter a sorte de ter pai e mãe com um quarto sobrando em casa e dinheiro sobrando para você conseguir comprar os livros”, afirma Herculano.

Ricardo Galvão destaca que após fazer seu doutorado no MIT, recebeu um convite para lecionar nos Estados Unidos, mas optou por voltar ao Brasil ainda que soubesse que essa decisão prejudicaria o alcance de seu trabalho acadêmico. Ele destaca que os cortes orçamentários da ciência no Brasil podem deixar sem ferramentas e orçamento pesquisas experimentais que precisam de investimentos.

“Toda a ciência brasileira agora está sofrendo, claramente, um arrefecimento. Nós ainda não atingimos um ponto de não retorno porque nas últimas décadas a ciência brasileira melhorou substancialmente”, diz Galvão.

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Orçamento da ciência é pura alquimia https://canalmynews.com.br/francisco-saboya/orcamento-da-ciencia-e-pura-alquimia/ Wed, 19 May 2021 16:40:29 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/orcamento-da-ciencia-e-pura-alquimia/ Não sendo prioridade, a ciência sangra na navalha do ajuste fiscal

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A situação dramática da ciência, tecnologia e inovação do país tem sido objeto de muito debate nos últimos anos. Nada parece sensibilizar as autoridades públicas quanto à importância dessas três palavras para o desenvolvimento. A perda progressiva de relevância no cenário econômico global (já não somos a 8ª nem a 10ª economia, talvez a 12ª); o declínio no ranking de inovação (saímos da 47ª para a 62ª posição entre 2011 e 2020); a desonrosa posição no fila dos países mais competitivos (penúltimo em lista de 18 economias assemelhadas, segundo a CNI).

Na dura disputa por maior protagonismo na economia mundial, os países investem parcelas crescentes de sua renda em C,T&I. Quanto a nós, andamos para trás, despendendo em torno de 1% do PIB, metade da média dos nossos competidores diretos. Nessa contabilidade descuidada, a fatura chega depressa. Somos altamente deficitários em nossa balança comercial com o resto do mundo quando se trata de itens de maior intensidade tecnológica. Mesmo com redução significativa na importação de máquinas, equipamentos e serviços avançados, consequência direta da crise econômica que se arrasta há seis anos e da menor oferta de recursos públicos incentivados, o furo aí já se aproxima dos US$ 100 bilhões.

Tem algo fundamentalmente errado na estratégia nacional de desenvolvimento. Devemos ter orgulho da eficiência do agronegócio brasileiro? Sim, claro. Até porque ela se deve muito aos investimentos acertados feitos no passado em pesquisa e desenvolvimento para a agropecuária. Mas o Brasil teria que se transformar em um grande campo de soja para dar conta das necessidades nacionais de insumos e produtos que nossa negligência impediu de gerar internamente. Além, claro, de fazer uma boa diplomacia externa e aposentar a motosserra para não perder os clientes que os empreendedores brasileiros conquistaram por mérito. Por mais importante que seja, uma pauta baseada em commodities é insuficiente para gerar emprego e renda à altura das demandas do país.

Não sendo prioridade, a ciência sangra na navalha do ajuste fiscal. No MCTIC, os cortes chegaram perto de 30% frente à proposta orçamentária original, e os recursos do país para essa área são hoje cerca de metade do que eram há 10 anos. Pelo quinto ano consecutivo, as universidades federais tiveram redução em seu orçamento. Neste caso, da ordem de 18% frente a 2020, coisa de 1 bilhão de reais. Até mesmo a coluna vertebral do financiamento público de CT&I no Brasil – o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação (FNDCT) – segue na mira dos snipers da sociedade do atraso. Ainda que oficialmente proibido de sofrer contingenciamento (Lei 177/21), o Fundo foi descarnado em 90% no orçamento de 2021.

Existindo um mínimo de coerência legal e compromisso com o futuro, R$ 5,5 bilhões estariam integralmente disponibilizados ainda neste ano para sua finalidade, sem cortes. Isso significaria uma alforria para cientistas, tecnólogos, gestores de ambientes de inovação, empreendedores e outros agentes que se dedicam a produzir conhecimento e gerar negócios inovadores para o desenvolvimento do país.

O uso do condicional duas vezes seguidas pode parecer estranho, mas o fato é que FNDCT tem sido retorcido até trincar a emenda dos ossos. Como a Lei referida acima foi simplesmente ignorada quando da elaboração do Orçamento da União, sobraram R$ 500 milhões para financiar a infraestrutura de pesquisa, laboratórios, parques tecnológicos, startups etc. O claro conflito entre as duas Leis provavelmente será judicializado, levando a questão para o STF e aumentando desnecessariamente o tempo de permanência na UTI do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação.

Antevendo problemas, o governo articula uma outra forma de esvaziamento do FNDCT. Trata-se aqui de requentar dinheiro velho, acomodando verbas orçamentárias já aprovadas em outras atividades no âmbito do MCTIC ou mesmo de outros órgãos federais como se fossem despesas passíveis de financiamento pelo Fundo. O objetivo é aliviar o impacto fiscal sobre as contas públicas, tal como está escrito em ofício do Ministério da Economia do início deste mês.

Além de lesiva para o país, a manobra é igualmente ilegal, pois usurpa a competência do Conselho Diretor do FNDCT, a quem cabe definir a alocação e uso dos recursos do Fundo. Não precisava ser assim. Mas é assim que as coisas vêm funcionando pro lado da ciência, tecnologia e inovação no Brasil.

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O Futuro que Nunca Chega https://canalmynews.com.br/francisco-saboya/o-futuro-que-nunca-chega/ Tue, 16 Mar 2021 17:36:18 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/o-futuro-que-nunca-chega/ 80 anos depois da publicação do livro “Brasil, um país do futuro”, a nação brasileira ainda vive de passado

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Chega a dar uma angústia lembrar que, 80 anos depois de Brasil, País do Futuro, a leitura de Stefan Zweig, escritor austríaco que escolheu o Brasil para se suicidar nos anos 40 do século passado, ainda provoca incômodos e reflexões. Já não era pro país ter chegado lá? O Brasil tem uma característica singular, e não é apenas seu povo pacífico, culturalmente harmônico, como celebrava o escritor em sua leitura otimista que contrastava com o cenário infernal da Europa em guerra. É a incapacidade de lidar com o futuro de forma objetiva, meio que fugindo dele ou, na melhor das hipóteses, adiando o encontro. É um país saudoso de um passado que nem é lá essa Brastemp. Não fossem Pelé e Tom Jobim, e a gente não teria muito o que contar.

O futuro é formado de coisas concretas, mas nasce de sonhos e imaginação. E a ciência, cultura e meio-ambiente são os principais vetores dessa jornada. Fazemos a melhor música, mas ninguém fora daqui ouve. Basta checar as estatísticas de economia criativa, onde as exportações de cultura são um traço. Temos as maiores matas, mas parece que temos raiva delas, a ponto de destruí-las com método. A generosidade do povo, retribuímos com políticas públicas que aprofundam a pobreza e as desigualdades sociais.

Arte do livro 'Brasil, um país do futuro' (1941), de Stefan Zweig.
Arte do livro ‘Brasil, um país do futuro’ (1941), de Stefan Zweig. Foto: Reprodução com alterações (Redes Sociais).

Fazendo da negligência uma política de estado, vamos nos distanciando do rol das nações mais prósperas. O Brasil corrói o seu futuro numa espécie de autossabotagem permanente. Já fomos a 8ª economia do mundo, somos a 10ª e tudo indica que seremos ao fim dessa pandemia a 12ª. Nada parece segurar o país rumo ao século 20, quiçá 19, onde éramos uma gigantesca e bucólica fazenda. E não se trata aqui de exagero de retórica, mas de fato. Pois o presidente do IPEA, o think tank  oficial do país, que deve, através de estudos e pesquisas econômicas aplicadas, subsidiar a formulação de políticas de desenvolvimento de longo prazo, recentemente nos brindou com a perspectiva de limitar o país à produção de agrocommodities e minérios. E não foi demitido.

Mas tudo poderia ser diferente, porque, apesar de tudo e ao nosso modo, conseguimos desenvolver uma forte capacidade científica e tecnológica. Para ficar só num número, são 377 ICTs espalhadas pelo país, muitas dentro da universidade, outro tanto fora dela. Instituições assim, melhor aproveitadas, mobilizadas pelo setor produtivo e governo para inovar no enfrentamento dos desafios da sociedade, fazem a diferença.

Mas a realidade é desfavorável, e vem piorando. Somos o 14º produtor de conhecimento científico; ao mesmo tempo, ostentamos péssimos indicadores de inovação, produtividade e competitividade global, este último lá pela casa da 100ª posição. Esse hiato é mortal, e encurtar a distância entre o mundo da produção científica e o da produção econômica segue sendo a prioridade zero para a construção do país do futuro. Isso requer visão de longo prazo. Nas vezes em que pensou seriamente nisso, o Brasil gerou uma EMBRAER, EMBRAPA e PETROBRAS, para ficar nestes três exemplos de um país que deu certo.

Como o longo prazo mora no futuro, e a inovação é a construção permanente de futuros, não haverá saída para o país fora daí. Mas não um futuro difuso, qualquer um que se apresente. Mas aquele construído conscientemente, dia-a-dia, 24 horas por dia. Como ensinam os profissionais dessa área, o futuro manda sinais, e a gente tem que aprender seus códigos, falar a sua língua, para poder incorporar nas estratégias presentes porções generosas do que ainda está por acontecer, deixando o passado de lado. Em tempos de intensos avanços tecnológicos, de mudanças de paradigmas de produção e mesmo de comportamento social, o passado virou uma roupa que já não serve mais, como lembrava há décadas o genial Belchior. É um livro pra ser estudado, mas tem outra tarefa mais importante, que é escrever os próximos capítulos.

[A propósito, o Congresso Nacional está na iminência de votar pela aceitação ou derrubada dos vetos do presidente da República à LC 177. Esta Lei, aprovada de forma quase unânime, incluindo aí a base do próprio governo, concedia autonomia financeira e contábil ao FNDCT – principal instrumento de financiamento da ciência, tecnologia e inovação do país -, proibia o contingenciamento de seu orçamento e vedava a utilização do saldo não gasto no exercício para pagamento da dívida pública. O poder executivo vetou esses dispositivos. Quem quiser apoiar essa causa, vai aqui http://chng.it/KxqHmymFMF ].

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De apagão em apagão, o Brasil desce ribanceira abaixo https://canalmynews.com.br/francisco-saboya/de-apagao-em-apagao-o-brasil-desce-ribanceira-abaixo/ Tue, 15 Dec 2020 14:03:59 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/de-apagao-em-apagao-o-brasil-desce-ribanceira-abaixo/ O atraso do Brasil é um projeto. Só assim podemos explicar o que somos diante do que poderíamos ter sido

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Há quase 20 anos o Brasil apagou, faltou luz. Literalmente.  Faltou energia para casas, fábricas, para o comércio. O PIB cresceu apenas 1,5% em 2001, contra 4,3% no ano anterior. A imprensa se referia a esse episódio como apagão. Palavra fácil, que comunicava com clareza o drama nacional. Meses seguidos de racionamento de consumo geraram intimidade com o tema e fizeram o país adotar essa palavra quase como autojustificativa para as coisas que não dão certo. Falhou? É culpa do apagão. Como aquele 7 x1 que tomamos da Alemanha em casa, com tudo iluminado para o mundo apreciar melhor nossa tristeza. Locutores atordoados tentavam justificar o fracasso e, pimba!, foi o apagão. Para comentaristas mais sensíveis, foi um bloqueio psicológico diante da pressão extrema de se ter que ganhar em casa; para a geral, foi falta de vergonha mesmo. Mas esse tipo de apagão a gente tira de letra.

Difícil mesmo é conviver com o apagão da ciência, tecnologia e inovação. Porque este, quando combinado com outro apagão, o da educação, resulta no estreitamento das possibilidades do desenvolvimento nacional, na perpetuação das diferenças sociais e na implosão do futuro das novas gerações. Darcy Ribeiro se dedicou a entender as raízes da desigualdade e a crise da educação. Conclusão: o atraso do Brasil é um projeto. Só assim podemos explicar o que somos diante do que poderíamos ter sido e entender o paradoxo da pobreza de quase todos em meio à abundância de quase tudo.

Congresso Nacional, em Brasília, durante apagão que afetou a Esplanada dos Ministérios em junho de 2016
Congresso Nacional, em Brasília, durante apagão que afetou a Esplanada dos Ministérios em junho de 2016.
(Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Existem certas situações que somente se explicam por escolhas deliberadas. Por exemplo: o Brasil é, ainda, a 10ª economia do mundo e o 15º produtor mundial de conhecimento em publicações acadêmicas. Mas é apenas o 54º produtor de patentes internacionais, o 62º em inovação (caiu 20 posições nos últimos 10 anos, ficando atrás inclusive de 5 outros países latino-americanos), e o 80º em competitividade. Daí vêm duas lições. A primeira é que não conseguimos converter conhecimento em tecnologia produtiva e fonte de geração de riqueza e emprego. A segunda é que, apesar de tudo, o país segue vivo, esbanjando resiliência. Mas basta olhar o movimento de países como Coreia do Sul , Índia e outros para ver que essa nossa condição tem dias contados. E em breve seremos a 12ª, 15ª ….

Esse tipo de apagão faz com que o déficit da balança comercial de produtos de elevada intensidade tecnológica e mais alto valor agregado venha crescendo sistematicamente. Voltamos a ser um país preponderantemente exportador de commodities. Há quem veja ganhos nisso, mas é bom lembrar que a soma das exportações de soja, minérios e petróleo – nossas principais estrelas – não paga o que importamos de computadores, produtos eletrônicos, óticos e outros da pauta relevante das economias modernas. 

Como chegamos até aí? É que o projeto a que se referia Darcy Ribeiro continua de pé e hegemônico. Um dos seus pilares é o baixo volume de investimentos em C,T&I como proporção do PIB. Andamos na casa do 1%, muito baixo se comparado com a media de 2% da OCDE e baixíssimo em relação a países como Coreia e Israel, que investem por volta de 4%. O orçamento federal destinado ao MCTI [Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação] para 2021 é de cerca de R$ 5,3 bilhões, dos quais perto de 90% estão contingenciados, restando míseros R$ 500 milhões (contra R$ 3,7 bilhões de sete anos atrás) para equipar laboratórios, formar pesquisadores, apoiar parques tecnológicos, subvencionar inovação nas empresas etc. O principal instrumento de fomento, o FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) está igualmente contingenciado, com mais de R$ 25 bilhões retidos no Tesouro Nacional para formação de superávit, num caso escandaloso de desvio de finalidade.

Sem recursos não se perenizam ações de longo prazo. Ciência não combina com imediatismo. Inovação não combina com incerteza política. Desenvolvimento tecnológico rima, mas não combina com terraplanismo ideológico. Se quiser sair do nó em que se meteu, o Brasil vai ter que se livrar antes das mentes apagadas que nos governam desde Brasília, desde sempre. (ET: se o Congresso Nacional quiser dar uma chance ao país, aprova o PL 135/2020, que tramita em regime de urgência e que descontingencia o FNDCT). 

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