Quinta Chamada

Fazer ciência no Brasil é “suicídio profissional”, diz pesquisadora brasileira radicada nos EUA

Neurocientista Suzana Herculano destaca que fuga de cérebros é influenciada por falta de recursos e bolsas não permitem "vida independente"
por 
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

Ser pesquisador no Brasil significa precisar contar com a “sorte” de ter uma família que tenha um quarto sobrando em casa e recursos para comprar livros, avalia a neurocientista Suzana Herculano. A avaliação foi feita no novo programa do MyNews, o Quinta Chamada, que estreou com a presença do ex-diretor do Inpe, Ricardo Galvão, e os jornalistas Nádia Pontes e Cláudio Angelo. A apresentação é de Cecília Olliveira.

“Não tem condição de fazer ciência no Brasil, insistir em fazer ciência no Brasil para quem já tem uma carreira é suicídio profissional e para quem não começou uma carreira ainda, a única possibilidade viável é sair do Brasil o quanto antes”, afirma Herculano.

Herculano é bióloga formada na UFRJ e com pós-doutorado pelo Instituto Max-Planck de Pesquisa do Cérebro na Alemanha. Atualmente, é professora da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos.

As universidades federais brasileiras passam por uma série de cortes orçamentários. Em valores reajustados, as universidades federais brasileiras tiveram um orçamento de R$ 10,8 bilhões em 2015. Já em 2021, esta cifra é de R$ 4,5 bilhões. O mesmo pode ser dito das bolsas. De acordo com dados do CNPq, em 2014 foram distribuídas 104.956 bolsas, enquanto em 2020 foram 79.468 bolsas.

“O valor da bolsa, se há bolsa, é uma merreca que não permite a ninguém ter uma vida digna e independente. Você tem que ter a sorte de ter pai e mãe com um quarto sobrando em casa e dinheiro sobrando para você conseguir comprar os livros”, afirma Herculano.

Ricardo Galvão destaca que após fazer seu doutorado no MIT, recebeu um convite para lecionar nos Estados Unidos, mas optou por voltar ao Brasil ainda que soubesse que essa decisão prejudicaria o alcance de seu trabalho acadêmico. Ele destaca que os cortes orçamentários da ciência no Brasil podem deixar sem ferramentas e orçamento pesquisas experimentais que precisam de investimentos.

“Toda a ciência brasileira agora está sofrendo, claramente, um arrefecimento. Nós ainda não atingimos um ponto de não retorno porque nas últimas décadas a ciência brasileira melhorou substancialmente”, diz Galvão.

Relacionadas
QUINTA CHAMADA
Apesar de a média móvel de mortes por Covid-19 ter reduzido, o Brasil ainda registra mais de mil óbitos diários em decorrência do novo coronavírus
FAZENDO HISTÓRIA
Ginasta Rebeca Andrade levou a prata no individual geral. Já a judoca Mayra Aguiar ficou com o bronze
HISTÓRIA DO AUDIOVISUAL
Cinemateca Brasileira está fechada há mais de um ano e acervo está sem manutenção. Ainda não é possível dizer o que foi perdido no incêndio
OPERAÇÃO POLICIAL
Homem apontado por viúva de capitão Adriano Nóbrega como mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco será transferido para o Rio de Janeiro
SAÚDE
Ginasta abriu mão da competição para preservar saúde mental. Ela também está classificada para as finais de todos os aparelhos
FRIO
Entidades se organizam para receber doações de roupas e cobertores. Veja onde deixar a sua contribuição
Inscreva-se na newsletter

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e Política de Cookies. Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.