Arquivos crise econômica - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/crise-economica/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Tue, 07 Jun 2022 16:22:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Conflito impulsiona vulnerabilidade alimentar e escassez energética https://canalmynews.com.br/economia/conflito-impulsiona-vulnerabilidade-alimentar-e-temor-por-escassez-energetica/ Wed, 16 Mar 2022 01:26:33 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=26581 Tendo a interdependência econômica como arma de batalha, guerra no Leste Europeu afeta países dependentes de insumos alimentícios e fontes de energia provenientes da Rússia e Ucrânia.

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O encarecimento do petróleo e de insumos, reforçando a inflação ao redor do mundo, já são consequências econômicas do conflito provocado pela invasão russa ao território ucraniano. No entanto, o impacto dessa guerra ameaça de forma mais direta dois grupos de países: os africanos e os europeus, tendo em vista, respectivamente, a vulnerabilidade alimentar e a dependência de fontes de energia provenientes da Rússia.

Há uma outra nuance macro presente na movimentação militar, caracterizada por uma singularidade: pela primeira vez, a interdependência econômica está sendo empregada como arma de combate. A Rússia joga forte com esse cenário, apostando na necessidade existente sobre sua oferta de gás e petróleo para a Europa, nos investimentos que bilionários russos fazem em alguns dos principais centros financeiros mundiais e na relação comercial com os chineses.

Dados financeiros explanam a tática: por exemplo, a Rússia, em oposição a sua extensão territorial, representa apenas 8% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, 3% do PIB global (Ucrânia responde por apenas 0,14%) e não apresenta diversificação de mercado, sendo muito subordinada ao segmento de gás natural e commodities. Dessa maneira, o impacto direto sobre a economia mundial e a cadeia internacional de produção é restrito, mas potente sobre os setores de energia e alimentos.

Usina de carvão e rede de energia russas em terras convertidas para cultivo de grãos.

Usina de carvão e rede de energia russas em terras convertidas para cultivo de grãos. Foto: Peretz Partensky (Flickr)

Crise alimentícia

Russos e ucranianos possuem parcelas relevantes em dois mercados que servem de base, basicamente, para diversas atividades essenciais. A Rússia é o principal exportador e segundo maior produtor mundial de gás natural, além de ser o segundo maior exportador e terceiro maior produtor de petróleo no mundo, com 12% da oferta global. Já a Ucrânia responde por 12% das exportações internacionais de trigo e 15% das de milho – insumos relevantes para a indústria de alimentos e para o sistema de criação de aves e porcos.

Juntas, Rússia e Ucrânia detêm 30% de todo o comércio mundial de trigo, 17% da oferta de milho, 32% do mercado da cevada e 50% do segmento de óleo, sementes e farelo de girassol.

Assim, a ameaça de escassez e, principalmente, de fome preocupa países que dependem dos envolvidos no conflito para alimentar a própria população, tendo em vista que algumas das nações que mais compram insumos alimentícios da Ucrânia e da Rússia não têm e não terão poder financeiro para acompanhar o encarecimento generalizado dos produtos.

Ao analisar a lista das cinco economias mais impactadas pela guerra no quesito exportação de trigo é possível ter noção da crise humanitária que esse cenário pode ocasionar (fonte: ONU):

  1. Líbano: De US$ 148,49 milhões importados, 80% vêm da Ucrânia e 15% da Rússia.
  2. Palestina: De US$ 11 milhões importados, 51% vêm de Israel (que compra da Ucrânia e da Rússia) e 33% diretamente da Rússia
  3. Egito: De US$ 3 bilhões importados, metade vem da Rússia e 26% da Ucrânia.
  4. Etiópia: De US$ 458,4 milhões importados, 30% vêm da Ucrânia e 14% da Rússia.
  5. Iêmen: De US$ 549,9 milhões importados, 26% vêm da Rússia e 15% da Ucrânia.

Dependência energética

Quando a pauta é dependência de fontes energéticas, os países europeus que importam gás natural são, sem dúvidas, os primeiros a sentirem o choque.

Primeiramente, é preciso compreender que algumas dessas nações que são dependentes da importação de gás russo investiram amplamente em infraestrutura, a fim de receber e comportar a commodity – outra parte relevante dos parques industriais dessas economias depende diretamente dessa fonte de energia. Dessa maneira, a redução ou mesmo o encarecimento do produto já vão atingir o PIB desses países.

Gasodutos ao sul da Rússia

Gasodutos ao sul da Rússia. Foto: Reprodução (Redes)

Estados como Macedônia do Norte, Bósnia Herzegovina e Moldávia possuem um consumo de gás natural 100% dependente da Rússia – Letônia e Finlândia mais de 90%; na Alemanha, por exemplo, o consumo interno do gás russo é de 49%.

Vendo a participação do gás proveniente da Rússia na matriz energética de cada país fica compreensível o temor europeu frente às sanções impostas à economia russa (fonte: Eurostat):

  1. Itália: 38,6%
  2. Holanda: 36,7%
  3. Alemanha: 24,4%
  4. Letônia: 22,3%
  5. Polônia: 15,3%
  6. França: 14,8%
  7. Polônia: 15,3%
  8. Bulgária: 12,9%
  9. Finlândia: 6%

Quanto ao petróleo, incluindo cru e derivados, a Rússia fornece 30% das importações da Alemanha, 35% das compras da Estônia, 40% das transações húngaras e 60% das importações polonesas, chegando a 75% das compras da Eslováquia e 85% das importações da Lituânia.

Momento decisivo

Após 20 dias de conflito no Leste Europeu, Rússia e Ucrânia ainda divergem sobre a possibilidade efetiva de encerrar a guerra. Oleksy Arestovich, assessor do chefe de gabinete do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, estimou que o embate se encerre em maio, enquanto o governo russo prefere não fazer quaisquer previsões.

De acordo a agência de notícias Reuters, em um vídeo veiculado por diversos meios de comunicação ucranianos, Arestovich afirmou que a conjuntura necessária para o fim dependeria de quantos recursos os russos estão dispostos a empreender na movimentação militar.

“Estamos em uma bifurcação na estrada agora: ou haverá um acordo de paz muito rapidamente, dentro de uma ou duas semanas, com retirada de tropas e tudo, ou haverá uma tentativa de juntar alguns, digamos, sírios para uma segunda rodada e, quando os triturarmos também, um acordo em meados de abril ou final de abril”, declarou o assessor.

Entre os ucranianos há também a hipótese de que a Rússia pode enviar novos recrutas do serviço militar apenas após um mês de treinamento, e que, mesmo após um acordo de paz, pequenos confrontos podem acontecer ao longo do ano.

Explosão em prédio ucraniano ocasionado por um tanque de guerra russo.

Explosão em prédio ucraniano ocasionado por um tanque de guerra russo. Foto: Manhhai (Flickr)

Em contrapartida, o governo russo ressalta que as negociações são um trabalho difícil e que ainda é muito cedo para fazer projeções. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, elucidou esse posicionamento em uma coletiva nesta terça-feira (15): “O trabalho é difícil e, na situação atual, o próprio fato de que eles estão continuando [a negociar] é provavelmente positivo. Não queremos fazer previsões. Aguardamos resultados”.

Ainda nesta terça, o presidente da Ucrânia sinalizou que seu país deve realmente ficar de fora da Otan, uma vez que o momento não possibilita dar continuidade ao acordo de admissão – é importante frisar que a renuncia à Organização é uma das condições centrais de Moscou para encerrar os ataques

Em pronunciamento, Zelensky disse que “a Ucrânia não é um membro da Otan. Entendemos isso. Durante anos, escutamos que as portas estavam abertas, mas também escutamos que não podíamos nos unir. Esta é a verdade e temos de reconhecê-la”.

 

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Os programas MyNews Investe de segunda-feira (14) e terça-feira (15) são complementares e explicam os impactos e consequências macroeconômicos do conflito no Leste Europeu. Confira:

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Ciro Gomes concentra críticas em Moro e Bolsonaro durante entrevista https://canalmynews.com.br/politica/ciro-gomes-concentra-criticas-moro-bolsonaro-durante-entrevista/ Tue, 23 Nov 2021 22:02:26 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/ciro-gomes-concentra-criticas-moro-bolsonaro-durante-entrevista/ Para Ciro Gomes, Brasil virou ‘pária internacional por conta da política ambiental do governo Bolsonaro. O ex-ministro não poupou críticas ao atual presidente e ao ex-ministro da Justiça, a quem considera um ‘corrupto’

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Entrevistado especial do Segunda Chamada deste dia 22, gravado diretamente de Portugal, o ex-ministro e pré-candidato à presidência da República Ciro Gomes (PDT) concentrou suas críticas ao ex-ministro da Justiça do Governo Bolsonaro e também pré-candidato à presidência nas eleições de 2022, Sérgio Moro (Podemos), e ao atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Para Ciro Gomes, o Brasil virou um “pária internacional” por conta da política ambiental do governo Bolsonaro e devido à crise econômica em que o país foi colocado. Além disso, Ciro criticou a postura de Bolsonaro diante da pandemia do Covid-19 e na condução de ações para alavancar a economia do país.

Ciro Gomes
O ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), foi entrevistado por Mara Luquet, Antonio Tabet, Lucas Mendes e Caio Blinder no Segunda Chamada gravado diretamente de Portugal

“O Brasil virou um pária internacional nos assuntos que importam: o manejo da questão ambiental. Nós saímos de um lugar de protagonistas globais para o lugar de grande bandido e com um presidente que mente descaradamente sobre dados que são disponíveis globalmente, através de acesso por satélite. (…) E você tem todo um conjunto de variáveis que a propaganda interna não engana os grandes formuladores, a (revista) Economist, os editoriais dos jornais, aqueles que leem o Brasil. O Brasil vai muito mal economicamente, vai muito mal no manejo do território, as notícias da degradação social, de violência são substantivas”, afirmou o pedetista.

Para o ex-ministro e ex-governador do Ceará, existem também questões “adjetivas” que passam pela figura do presidente Jair Bolsnaro e por sua forma de governar. “Adjetivamente, você tem um presidente que é um bandido. Desculpa, as pessoas acham que muitas vezes eu uso palavras muito duras, mas é um bandido, é um marginal”, afirmou Ciro, ressaltando a condução da pandemia pelo governo federal.

“Se no Brasil tivesse morrido na pandemia a média de pessoas do mundo, teriam morrido menos 480 mil pessoas. Essas 480 mil pessoas acima da média morreram pela atitude assassina, genocida de Bolsonaro. E as instituições brasileiras estão colapsadas, ou subornadas. No caso, o presidente da Câmara e a maioria dos deputados viraram marginais de uma quadrilha de assaltantes. Orçamento secreto – o que é isso?”, questionou.

Ciro diz que só será presidente se conseguir confiança da população

Questionado sobre seu principal defeito, Ciro disse que “precisa ser mais transigente com a realidade política posta no Brasil”. Sobre quais as qualidades de seus adversários políticos, Lula, Bolsonaro e Moro, o pedetista disse que a viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Europa foi boa para o Brasil e que consegue elogiar Lula, ao contrário de Bolsonaro e Moro – a quem chamou de corrupto. Disse ainda que o desejo de ser presidente segue uma condição: “Eu só quero ser presidente da República se eu estabelecer uma relação de confiança com a massa da popular brasileira. Então eu vou falar a verdade, não me importa a consequência”.

“Lula pegou o salário mínimo valendo 120 dólares e entregou valendo 320 dólares. Lula pegou o crédito como proporção do PIB com 15% e entregou com 57%. (..) Moro e Bolsonaro não dá. Moro é um corrupto. O stablishment, o sistema, agora quer fazer do Moro à força. Eles não aprendem nada. O Moro é uma filial deplorável do Bolsonaro. Em qualquer lugar civilizado que você diz: um juiz julgou um político, tirou dele os direitos políticos e em seguida foi ser ministro do político que ganhou as eleições que aquele político não estava participando por uma sentença dele. Isto é de uma ladroeira, de uma corrupção”, argumentou Ciro Gomes, citando a definição de corrupção passiva no Código Penal (aceitar promessa de vantagem indevida) e lembrando que Bolsonaro revelou que se reuniu com Sérgio Moro antes das eleições de 2018 e ofereceu ao então juiz de primeira instância o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.

“Se isso não for vantagem indevida a qualificar corrupção passiva… temos agora o Supremo Tribunal Federal que diz que Moro é um juiz suspeito. Essa é a primeira dimensão. Quer ver outras? Nossa elite pirou. Moro destruiu a construção pesada brasileira – que não se faz. Vocês acompanharam a crise de 2008. Você manda prender as pessoas e salva as empresas e os trabalhos. Moro destruiu a Odebrecht e sabe onde ele trabalhava até ontem? Pra empresa norte-americana contratada para gerir a massa falida da Odebrecht. Tenha santa paciência! É um picareta!”, continuou.

Apesar de dizer que consegue elogiar o ex-presidente Lula, Ciro Gomes também fez críticas ao petista. “Lula faz uma aposta no ‘nacional-consumismo’. É o neoliberalismo, com a ideia vã, mentirosa, de dourar a pílula. Lula não mudou uma linha das instituições brasileiras. Quando terminou o período do mando do Lula, o Brasil tinha cinco pessoas concentrando a renda de 100 milhões de brasileiros mais pobres. A única mudança institucional [dos governos do PT] que Bolsonaro não destruiu foi a tomada de três pinos”, criticou Ciro Gomes.

Veja a íntegra da entrevista com Ciro Gomes ao Segunda Chamada no Canal MyNews.


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Geração de empregos nos Estados Unidos abaixo do esperado https://canalmynews.com.br/mynews-investe/geracao-empregos-estados-unidos-abaixo-esperado/ Fri, 08 Oct 2021 22:47:14 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/geracao-empregos-estados-unidos-abaixo-esperado/ Expectativa para divulgação do payroll pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos era grande e números vieram abaixo do esperado

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Não que seja uma novidade, claro, mas o mundo estava com os olhos voltados para os Estados Unidos nesta sexta-feira. A expectativa era grande para a divulgação pelo Departamento do Trabalho do payroll, o relatório de empregos não-agrícolas do país. E os números vieram bem abaixo do esperado. O documento apontou uma geração de 194 mil postos de trabalho em setembro. Resultado bem distante dos 500 mil postos projetados pelos analistas.

A previsão otimista do mercado levava em conta a redução da onda de infecções por Covid-19 durante o verão norte-americano. Com isso, haveria uma demanda maior por serviços que exigem contato, como, por exemplo, a alimentação fora de casa. Aparentemente, não foi o que aconteceu e o resultado “tímido” do mês passado agora pode esfriar a possibilidade de uma rápida aceleração no crescimento econômico do país governado por Joe Biden.

Fim da pandemia deve favorecer troca de emprego
Números do payroll foram abaixo do esperado pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos/Foto: Pixabay

Tamanha ansiedade – e frustação – com o payroll se explica porque o relatório de emprego é o único dado disponível antes da reunião de política monetária do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. O encontro está marcado para os dias 2 e 3 de novembro. O que os investidores agora querem saber é como ele irá influenciar o Fed na decisão de retirar estímulos à economia e aumentar a taxa de juros.

Por conta da pandemia da Covid-19, em 2020, foram injetados mais de US$ 3 bilhões na economia norte-americana. E, neste ano, também como uma forma de ajudar o mercado a lidar com a crise econômica, o Federal Reserve passou a comprar todos os meses US$ 120 bilhões em títulos públicos. O presidente do Fed, Jerome Powell, tinha dito, mês passado, que “um relatório de empregos razoavelmente bom” poderia levar o banco central a iniciar a retirada dos estímulos.

Dados da economia dos Estados Unidos no mês de agosto foram revisados

Mas o payroll divulgado nesta sexta-feira não foi de todo ruim para a economia dos Estados Unidos. Os dados de agosto foram revisados e, ao invés da criação de 235 mil vagas anteriormente divulgadas, foram registrados efetivamente 366 mil novos postos de trabalho no país naquele mês. Outro dado positivo foi o recuo da taxa de desemprego, de 5,2% em agosto para 4,8% em setembro.

Saiba mais sobre os principais assuntos de economia e investimentos no MyNews Investe, no Canal MyNews, com apresentação de Mara Luquet e Thais Skodowisk

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