Arquivos imprensa - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/imprensa/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Fri, 24 May 2024 14:36:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Receita infalível para se tornar um colunista neocon de sucesso https://canalmynews.com.br/balaio-do-kotscho/receita-infalivel-para-se-tornar-um-colunista-neocon-de-sucesso/ Thu, 18 Jan 2024 17:56:41 +0000 https://localhost:8000/?p=41986 Fundamental é ser contra o governo, principalmente se for de esquerda. Nem o Vaticano deve ser poupado

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Para começar, é preciso ter diploma, qualquer um, para se diferenciar dos simples mortais. Vivemos a época dos especialistas em qualquer assunto. Não há mais lugar para genéricos autodidatas como Cláudio Abramo e Mino Carta.

Você pode ser sociólogo, filósofo, geógrafo, diplomata, médico, advogado, mas tem que ser um “ista” em qualquer área do conhecimento humano. Importante é sempre deixar claro que você não é jornalista, um ofício menor, para não ser obrigado a se ater à verdade factual e poder viajar à vontade nas tuas verdades absolutas.

Fundamental é ser contra o governo, principalmente se for de esquerda. Nem o Vaticano deve ser poupado. É preciso sempre combater o perigo “comunista”. Fazer cara de mau também ajuda, mas se permite um sorriso irônico e um balançar de cabeça vez ou outra, quando você discorda dos menos dotados de saber e inteligência.

Em qualquer plataforma, recomenda-se ser sempre contra o senso comum, duvidar da ciência, colocar minhoca na cabeça da plateia, confundir para depois explicar, criar polêmica, causar. Cancelar e humilhar quem pensa diferente também é recomendável. Gera leitura, cliques e audiência, o combustível do sucesso. É só ver o exemplo do inacreditável Javier Milei, que começou falando abobrinhas como colunista neocon de economia na TV e virou presidente da República, repetindo as mesmas ideias, que agora está colocando em prática.

O primeiro case de sucesso desta fauna foi o “filósofo” Olavo de Carvalho, que hospedou suas colunas em grandes jornais, não esqueçamos, antes de se tornar guru do nascente bolsonarismo, escola que também chegou ao poder. A ele se seguiram várias contrafações, até de jornalistas, mas quem brilhou mais foram os novos filósofos, que fazem cara de inteligência superior até para dar boa noite.

Outra dica infalível é fazer citações eruditas de autores desconhecidos para mostrar como os mortais que debatem com eles são ignorantes. Seja num programa do “mainstream” dos canais de notícias, num podcast ou no Domingão do Huck, repita sempre os mesmos bordões, não importa o assunto.

Faz parte do receituário naturalizar os autocratas mais bizarros e  os crimes contra a humanidade, levantando questões de semântica e semiótica, que ninguém vai entender, mas a plateia do papel ou da telinha achará bonito.

Ser um colunista neocon de sucesso não é para qualquer um. Tem que ter “feeling” para o negócio, pois é disso que se trata, e uma tremenda cara de pau para agradecer os aplausos. O que era um nicho de mercado nos tempos de Paulo Francis, outro precursor, virou tendência no preenchimento de vagas de novos colunistas, com preferência para os neocon.

Rubem Braga, coitado, não teria a menor chance nesse nicho.

Vida que segue.

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Barroso diz que decisão sobre imprensa vale para casos de má-fé https://canalmynews.com.br/brasil/barroso-diz-que-decisao-sobre-imprensa-vale-para-casos-de-ma-fe/ Thu, 30 Nov 2023 15:00:43 +0000 https://localhost:8000/?p=41532 Pela tese aprovada, princípio constitucional da liberdade de imprensa impede a censura prévia de conteúdos publicados

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, disse nesta quarta-feira (29) que a decisão da Corte que permite a responsabilização de veículos de imprensa por declarações falsas de entrevistados vale para casos de má-fé e negligência na apuração dos fatos.

Pela tese aprovada pelo Supremo, o princípio constitucional da liberdade de imprensa impede a censura prévia de conteúdos publicados. Contudo, se um entrevistado acusar falsamente outra pessoa, a publicação poderá ser responsabilizada judicialmente.

Segundo Barroso, a única restrição à liberdade de expressão é a atuação mal-intencionada de veicular informações falsas.

“Esse caso foi julgado com grande excepcionalidade porque houve uma intenção de fazer mal a alguém, que já havia sido absolvido. Se uma pessoa foi absolvida, você não pode dizer que ela foi condenada. Se uma pessoa nunca foi condenada, você não pode dizer que ela foi condenada”, afirmou.

Repercussão
Após o julgamento, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) declarou que a decisão do Supremo representa “avanço” em relação a ameaças sobre a liberdade de imprensa, que também foi garantida no julgamento.

No entanto, a ANJ ressaltou que a decisão reforça a responsabilidade de imprensa sobre o que publica, mas ainda “pairam dúvidas” sobre outras questões.

“A ANJ espera que, na elaboração e publicação do acórdão de inteiro teor sobre o julgamento, tais dúvidas sejam dirimidas, bem como outras situações não explicitadas, como no caso de entrevistas ao vivo, sempre em favor da preservação do preceito constitucional da liberdade de imprensa”, declarou a entidade.

Processo
A decisão do Supremo foi baseada em ação na qual o ex-deputado federal Ricardo Zarattini Filho processou o jornal Diário de Pernambuco por danos morais, em função de uma reportagem publicada em 1995.

Na matéria jornalística, o político pernambucano Wandenkolk Wanderley afirmou que Zarattini, morto em 2017, foi responsável pelo atentado a bomba no aeroporto de Recife, em 1966, durante a ditadura militar.

Ao recorrer à Justiça, a defesa de Ricardo Zarattini disse que Wandenkolk fez acusações falsas e a divulgação da entrevista gerou grave dano à sua honra. Segundo ele, o jornal reproduziu afirmação falsa contra ele e o apresentou à opinião pública como criminoso.

 

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Mulheres jornalistas recebem mais que o dobro de ofensas que colegas homens https://canalmynews.com.br/mais/mulheres-jornalistas-recebem-mais-que-o-dobro-de-ofensas-que-colegas-homens/ Sun, 28 Nov 2021 21:30:16 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/mulheres-jornalistas-recebem-mais-que-o-dobro-de-ofensas-que-colegas-homens/ Polarização e ataques organizados e institucionalizados à liberdade de imprensa potencializam discurso misógino contra profissionais que cobrem política

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Atenção: A reportagem abaixo, realizada pela Revista AzMina, mostra trechos explícitos de conteúdo misógino e racista. Optamos por não censurá-los porque achamos importante exemplificar como o debate é violento nas redes, como a violência contra mulheres jornalistas se espalha, quais termos são frequentemente utilizados e como podemos identificá-la.

“Puta. Vai abrir a perna e dar pro Lula”. Essa foi a primeira mensagem que Eliane Cantanhêde, jornalista, colunista do Estadão e comentarista do Globonews Em Pauta, da Rádio Eldorado (SP) e da Rádio Jornal (PE), recebeu pela manhã do dia 18 de novembro. A ofensa chegou à sua caixa de mensagens privadas em um dos seus perfis profissionais nas redes sociais. Essa, infelizmente, não é a única frase ofensiva que ela recebe em suas redes. Algumas ficam públicas nos comentários de suas postagens, documentando a misoginia e violência contra mulheres jornalistas para quem quiser ver.

Eliane lidera um ranking de impunidade e ataques a profissionais de imprensa. As mulheres jornalistas recebem mais que o dobro de ofensas em seus perfis no Twitter, se comparado aos colegas homens. Esse foi um dos achados preocupantes de uma investigação de dados feita pela Revista AzMina e pelo InternetLab, junto ao Volt Data Lab e ao INCT.DD, com apoio do International Center for Journalists (ICFJ). A crescente onda de ataques à imprensa brasileira aparece também em relatórios da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Seja no ambiente offline ou online, a violência tem o gênero feminino como principal alvo.

No levantamento realizado no Twitter, constatou-se que os usuários que disparam ataques contra jornalistas tentam deslegitimar a capacidade intelectual feminina para o exercício da profissão e silenciar a imprensa, apontam aspectos físicos das profissionais para desviar a atenção das pautas abordadas e disseminam informações falsas sobre elas.

Foram monitorados 200 perfis de jornalistas brasileiros na rede social. A partir de um dicionário composto de palavras ofensivas, misóginas, sexistas, racistas, lesbo, trans e homofóbicas, coletamos 7,1 milhões de tuítes com conteúdo ofensivo em 133 perfis de mulheres jornalistas e 67 homens. Em uma análise mais minuciosa, que considerou o período entre 1 de maio e 27 de setembro, o monitoramento chegou a um grupo de pouco mais de 8,3 mil tuítes, com cinco ou mais ações de engajamento (RT e/ou curtidas). Eles foram verificados um a um para identificar se o conteúdo era ou não um ataque direto ao jornalista.

Profissionais que trabalham com cobertura política estão mais expostos aos ataques massivos. Mas, enquanto 8% dos tuítes ofensivos direcionados para os jornalistas homens eram de fato hostis, 17% dos direcionados às jornalistas mulheres eram ataques. Entre os termos mais usados contra elas estão “ridícula”, “canalha”, “louca”, “mulherzinha”. A maioria das agressões também sugerem que as mulheres são incapazes de interpretar um texto ou cenário político.

No caso dos homens, a incidência de ataques diretos é menor e, muitas vezes, as ofensas se misturam com ataques a outras mulheres ou à imprensa no geral. Várias mensagens direcionadas aos homens também continham comentários misóginos ofendendo outras figuras femininas relacionadas a eles, como mãe, irmã e colegas de profissão.

De acordo com a antropóloga Fernanda K. Martins, uma das coordenadoras da pesquisa no InternetLab, “a misoginia se sustenta e se espraia socialmente a partir de movimentos que colocam as mulheres como alvo mesmo quando o objetivo é atingir um homem. Os ataques direcionados às colegas e às familiares mulheres apontam para um comportamento social que coloca o gênero feminino como naturalmente atacável, naturalmente suscetível a discursos que inferiorizam e menosprezam as mulheres”.

O que se vê em comum em ambos são expressões que tentam posicionar os profissionais em espectros políticos, chamando-os de “comunista” ou de “jornazistas”, além dos que afirmam que os jornalistas são, de alguma maneira, “parciais” em suas coberturas.

arte - violência jornalistas mulheres Twitter

Ações orquestradas contra as mulheres jornalistas

No topo do ranking das jornalistas mais ofendidas estão Eliane Cantanhêde; Vera Magalhães, apresentadora do programa Roda Viva, colunista no jornal O Globo e comentarista na rádio CBN; Daniela Lima, apresentadora da CNN; e Miriam Leitão, jornalista de O Globo, TV Globo, Globonews e CBN. Elas compartilham a opinião de que os ataques são ainda mais virulentos quando iniciados ou instigados por figuras políticas, como o presidente Jair Bolsonaro. AzMina já mostrou em seu canal no YouTube porque as agressões de Bolsonaro a jornalistas mulheres são um problema.

Eliane lembra que os ataques nominais a jornalistas começaram na época do PT na presidência, por apoiadores do partido. Ela também recorda que já foi muito atacada pelo PSDB. Um mesmo artigo desagradava os dois lados. “Mas o Bolsonaro não só usou essa tática, como passou a descredibilizar nominalmente jornalistas, o que inflama os apoiadores”, avaliou.

Para Vera, os ataques são estratégicos. “Eu entendo que eles são propositalmente misóginos, machistas, exatamente como uma forma de tirar a credibilidade de mulheres jornalistas”. Ela acredita que seu caso é agravado pelo fato de ter feito muitas críticas ao PT, “e faço contra o governo Bolsonaro”. Mas hoje a coordenação das ofensas, diz Vera, parte do presidente, de sua família e seus ministros. “Isso não havia nos governos anteriores. É violento e orquestrado”.

A jornalista Mariliz Pereira Jorge, colunista da Folha de S.Paulo, roteirista e apresentadora do Canal MyNews, conta que enfrentar a hostilidade para exercer a profissão infelizmente já faz parte da sua rotina. O problema, na opinião dela, é que agora os ataques estão mais organizados e massivos. “Quando um tuíte parte da própria presidência, ou dos parlamentares da base governista, já sei que vai ter uma enxurrada de ofensas”. E, muitas vezes, além de ofensivas, as mensagens são intimidatórias.

Além dos xingamentos, as jornalistas precisam combater a disseminação de notícias falsas sobre suas trajetórias, o que é também uma estratégia política de descredibilização dessas profissionais. Miriam Leitão, por exemplo, é constantemente ofendida com termos como “assaltante de banco” e “mulher da cobra”, expressão criada por seguidores do presidente Jair Bolsonaro, que minimizou e zombou do episódio de tortura sofrido pela jornalista na época da ditadura militar.

“Já entrei no Trending Topics do Twitter porque usaram uma foto minha dizendo que era da minha prisão por ter assaltado um banco”, comentou Miriam, acrescentando que nunca pegou em uma arma e essa informação já foi desmentida dezenas de vezes. “Mas vira e mexe, surge uma nova onda usando isso volta”. Ela nota que perfis falsos criam ondas artificiais de ataque que poluem o debate, distorcem o diálogo.

arte - violência contra jornalistas

Gênero e raça

Como é de praxe em narrativas misóginas, as mulheres também sofrem ofensas que são direcionadas aos seus corpos, seus relacionamentos e também suas idades. Com Eliane Cantanhêde e Vera Magalhães, por exemplo, colocaram em cheque a saúde intelectual delas. “Eles acham que me ofendem, mas nunca fiz questão de esconder minha idade. Tenho orgulho da minha história, da avó que sou”, disse Eliane.

A atuação profissional do marido de Vera Magalhães, que também é jornalista e já trabalhou na assessoria de diferentes políticos do cenário nacional, frequentemente é discutida nas redes sociais como algo que supostamente interfere na trajetória e opiniões delas. Estratégia semelhante acontece com a jornalista Eliane Catanhêde.

As conclusões do monitoramento são muito similares às do relatório desenvolvido pela Abraji, que mostrou um índice de 56% de ataques online para mulheres jornalistas em 2020. Também foram usados xingamentos, palavrões e termos misóginos quando as vítimas eram mulheres. “Esse cenário chama atenção para a necessidade de mecanismos de proteção legal e institucional da liberdade de expressão, especificamente atentos à questão de gênero”, defendeu Cristina Zahar, secretária executiva da associação.

Muitos usuários insinuam que mulheres negras e indígenas se aproveitam de suas características para acessarem os espaços profissionais que conquistaram. É o caso das jornalistas Maju Coutinho, mulher negra, e Alice Pataxó, mulher indígena. “vc não é monarquista? E essa eletricidade que cê tá usando aí, cabra? No tempo do império tinha essas coisas não”, postou um perfil depois que a jornalista postou uma foto onde um indígena tira foto com o celular.

arte - matéria violência contra jornalistas

Como agir nesses casos

Além da experiência violenta que é abrir as redes sociais todos os dias e se deparar com ataques como esses, as jornalistas também chamam a atenção para a dificuldade de denunciar isso dentro das próprias plataformas.

Mariliz Pereira Jorge conta que já reportou vários ataques, mas não obteve respaldo. As respostas que recebeu foi de que aquilo não feria as políticas da plataforma. “Uma mulher que postar foto do seio pode ser banida porque isso fere muito mais as políticas das plataformas do que uma ameaça de estupro, de morte, como já aconteceu comigo e outras colegas”. Ela avalia também que agressões geram engajamento.

Para Miriam Leitão, todo perfil deveria ter uma pessoa física e/ou empresa, identificável juridicamente. Ela sugere que as plataformas tenham a responsabilidade de apontar quem é real em ondas de ataques organizadas, neutralizar e excluir perfis que não são verdadeiros, porque os bots (robôs) não têm rosto. “Quando recebo uma ofensa sexista, mentirosa, quem posso processar se eu quiser?”, questiona.

O monitoramento identificou que muitos tuítes com conteúdo agressivo explícito, como “puta” e “vagabunda”, por exemplo, já foram retirados do ar.

arte - jornalistas mulheres mais atacadas

Posicionamento da plataforma

Em nota, o Twitter informou que possui política de comportamento abusivo (que trata de tentativas de assediar, intimidar ou silenciar a voz de outra pessoa) e política contra propagação de ódio (que estabelece que não é permitido promover violência, atacar diretamente ou ameaçar outras pessoas com base em categorias ou características específicas). Se confirmada a violação, são tomadas diferentes medidas corretivas, que vão desde a remoção e/ou redução de visibilidade de um Tweet até a suspensão permanente de uma conta.

Sobre o grande volume de perfis falsos identificados como autores dos tuítes ofensivos, o Twitter informou que tem regras para endereçar tentativas de manipulação do debate na plataforma, seja via spam ou contas falsas. Essas regras determinam que não é permitido usar os serviços do Twitter com o intuito de amplificar ou suprimir informações artificialmente nem de se envolver em comportamento que manipule ou prejudique a experiência das pessoas na plataforma. A rede social tem usado aprendizado de máquina e treinamento da equipe para identificar esses perfis. Quando há suspeita, as contas detectadas passam então pelo chamado desafio (como confirmação de e-mail ou telefone ou digitação de um código Captcha, por exemplo) para provar que existe uma pessoa por trás dela. Se a conta não passa pelo desafio, ela sofre as medidas corretivas cabíveis.

Por fim, o Twitter informa que faz revisão periódica das regras e políticas, entre elas a política contra propagação de ódio para incluir mais categorias no que chama de linguagem desumanizante. A empresa afirmou ainda que conta com um Conselho de Confiança e Segurança composto por 40 organizações e especialistas em 13 regiões, inclusive brasileiros.

 


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Pela credibilidade da imprensa tradicional https://canalmynews.com.br/voce-colunista/pela-credibilidade-imprensa-tradicional/ Sun, 03 Oct 2021 15:28:29 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/pela-credibilidade-imprensa-tradicional/ Em tempos de terraplanismo escancarado a defesa dos pilares da democracia é uma atitude necessária. sem a valorização da liberdade de imprensa não há maturidade democrática

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Em uma conhecida anedota popular, diz-se que um homem ameaça jogar-se da cobertura de um prédio de muitos andares. Logo reúne-se uma multidão de curiosos na rua, aglomerados, apreensivos, na expectativa do que pode ocorrer. Os bombeiros são chamados mas, antes que possam tomar qualquer atitude para evitar o pior, o homem pula no vazio. Ainda caindo, ao passar por um andar qualquer do prédio, alguém da janela de um apartamento lhe pergunta: “Como você está?”. E ele responde: “Até aqui, tudo bem!”.

Toda ditadura, ainda que de início possa apresentar-se como um pulo no vazio aparentemente libertador, uma ruptura necessária com a ordem política anterior; mais cedo ou mais tarde terminará por desnudar-se e mostra-se como de fato é: um mergulho no lado obscuro da história. Mesmo que algumas pessoas possam condescender, apoiar ou até mesmo ansiar por um regime ditatorial, chegará logo o tempo em que esse salto no desconhecido se revelará um encontro com um destino tão excruciante para a população quanto o concreto da calçada, para o suicida.

Em tempos de terraplanismo escancarado, a defesa dos pilares da democracia é mais do que uma atitude necessária, é um imperativo para a manutenção de qualquer Estado que tenha como objetivo garantir a liberdade, a igualdade, a solidariedade e a dignidade do seu povo. O melhor remédio contra as inconsistências do regime democrático não é a sua substituição por um modelo autoritário, vinculado a qualquer um dos extremos do espectro político-ideológico, mas o fortalecimento contínuo dos seus fundamentos (equilíbrio entre os poderes, eleições regulares, imprensa livre etc.). O autoritarismo é para as ciências humanas o que o terraplanismo é para as ciências naturais.

Na linha de frente do combate ao autoritarismo, por óbvio, estão os veículos de comunicação. Sem a valorização da liberdade de imprensa não há maturidade democrática. A imprensa brasileira, notadamente a mais tradicional, sempre será alvo de críticas legítimas ou infundadas mas, no limite, será também inexoravelmente responsável, inclusive na esfera jurídica, por tudo aquilo que divulga. O que se publica na mídia institucionalizada tem nome, sobrenome e árvore genealógica.

Não se pode colocar no mesmo patamar dessas instituições, no entanto, os divulgadores de “fake news”, instituições ou indivíduos que se arvoram ao direito de enunciar quaisquer acontecimentos que lhes sejam convenientes política ou financeiramente, muitas vezes protegidos pelo anonimato das redes sociais, e sem qualquer responsabilidade legal sobre o que propagam. Numa palavra, são semeadores de informações majoritariamente sem nome ou sobrenome, sem paternidade definida, portanto. A divulgação de “fake news” é um dos tentáculos do autoritarismo.

Dessa forma, é necessário defender a imprensa livre e responsável e o fazer de maneira recorrente e incessante. Nesse ponto cabe o clichê: “É preciso caminhar o mais rápido que pudermos, para permanecermos no mesmo lugar!”. Nesse sentido, para que se fundamente a defesa do jornalismo de qualidade, é importante estabelecer como ponto de partida a distinção, mesmo simplista, entre aquilo que se entende por “informação”, “opinião” e “fake news”. Essa diferenciação precisa ficar clara para o maior número possível de brasileiros.

A informação pode ser compreendida como a descrição de um fato qualquer (natural, cultural, social, político ou econômico). Há que existir, portanto, correspondência direta e objetiva entre o fato e o relato que o descreve. Reitere-se que, sendo legal e formalmente estabelecidos, os veículos de comunicação tradicionais são passíveis de sanções não apenas no âmbito da opinião pública mas também na esfera jurídica.

A opinião não é o relato do fato em si, mas aquilo que se diz dele, ou seja, sua interpretação; sendo cabível aqui um certo grau de subjetivismo inerente às visões de mundo próprias dos formadores de opinião e dos veículos de imprensa como instituições. Para que tenham algum poder de persuasão, contudo, sem que recaiam nos sofismas ou nas falácias, as opiniões demandam algum fundamento racional consistente, algum embasamento teórico ou prático.

Ao largo desses dois conceitos vicejam as “fake news”, notícias falsas propagadas intensamente nas mídias sociais. Elas reúnem o pior dos dois mundos: não são apenas informações descoladas da realidade factual, mas também opiniões delas derivadas (as “fake opinions”, segundo o jornalista Reinaldo Azevedo) que, por basearem-se em premissas falsas, não podem ser racionalmente justificadas. Essas notícias inverídicas e seus corolários precisam ser detectados com precisão, desmentidos insistentemente e passíveis de alguma punição efetiva no âmbito jurídico.

É evidente quase por si só, que para a integridade de qualquer democracia, a credibilidade da imprensa como um todo é imprescindível. Os ataques sistemáticos aos veículos de comunicação e aos jornalistas, não com vistas à melhoria de seus serviços, mas visando à extinção ou ao asfixiamento de suas atividades, são profundamente deletérios ao Estado democrático de direito.

Só é possível a formação legítima da opinião, individual ou coletiva, sua depuração ou ainda o seu eventual descarte, se as informações que lhe servem de lastro forem verdadeiras. O principal resultado da perda de credibilidade dos veículos de comunicação é a abertura de espaço para a difusão da ignorância, como hoje acontece a olhos vistos no país.

Nas palavras do ex-presidente estadunidense Barack Obama: “A ignorância não é uma virtude”. A perpetuação dessa truculência intelectual está na geratriz da negação da responsabilidade do homem pela aceleração do aquecimento global; alimenta tentativas de justificar a misoginia, a homofobia, o racismo, a xenofobia e, no limite, o terrorismo; encontra eco nos movimentos antivacina e terraplanista. Se por um lado as consequências da difusão do conhecimento são virtuosas e conhecidas; por outro lado, os desdobramentos da proliferação da ignorância são viciosos e imprevisíveis.


Quem é Renato de Almeida Eliete?

Renato de Almeida Eliete é cientista político e escritor

* As opiniões das colunas são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a visão do Canal MyNews


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Jornalismo sob ataque https://canalmynews.com.br/sem-categoria/jornalismo-sob-ataque/ Mon, 31 May 2021 21:05:58 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/jornalismo-sob-ataque/ De sequestro a xingamentos. Governos autoritários e a perseguição de jornalistas.

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Quem não se espantou com o sequestro do jornalista de Belarus nos últimos dias? Numa ação inacreditável, o governo autoritário de Alexander Lukashenko forçou o pouso de um avião comercial da irlandesa Ryanair, que ia para outro país, para prender o jornalista Roman Protasevich. Roman montou um canal de jornalismo independente no Telegram onde faz críticas ao regime Lukashenko, há 26 anos no poder. Não é a primeira vez que um avião é obrigado a fazer pousos forçados para a prisão de alguém, mas de um jornalista eu nunca tinha ouvido falar. 

A União Europeia se pronunciou horas após a prisão e, entre outras sanções, proibiu todas as companhias aéreas de Belarus de usarem o espaço aéreo e os aeroportos dos 27 países-membros do bloco. Apesar das sanções, o jornalista continua preso. 

Um ataque desses em plena Europa assusta, mas a verdade é que jornalistas são perseguidos no mundo todo. 

Pra mim, um dos casos internacionais mais marcantes foi o do saudita Jamal Khashoggi que escrevia para o The Washington Post. Ele era crítico da monarquia saudita. Jamal foi  torturado e esquartejado no consulado da Arábia Saudita em Istambul em outubro de 2018.  Ele tinha ido até lá para pegar um documento para se casar.  

Aqui no Brasil, um dos momentos mais tristes da história do nosso jornalismo foi a morte do Tim Lopes. Tim foi assassinado em 2002 enquanto fazia uma reportagem sobre abuso de menores e tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Foi sequestrado, torturado e executado por traficantes que queimaram covardemente o corpo do jornalista. 

O Brasil não é um país fácil para jornalistas. No ranking mundial de liberdade de imprensa feito pela ONG  Repórteres Sem Fronteiras estamos na posição 111. Ao todo são 180 países neste ranking onde os últimos lugares são ocupados por China, Turcomenistão, Coreia do Norte e Eritreia. 

Desde a chegada de Jair Bolsonaro ao poder os ataques à imprensa, segundo a Fenaj,  aumentaram em 105,77%. Você deve ter visto algumas dessas agressões. Bolsonaro  já mandou jornalistas calarem a boca, chamou profissionais de canalhas, disse que um jornalista tinha “cara de homossexual terrível”, insinuou – num ataque misógino e covarde  – que a jornalista da Folha Patrícia Campos Mello conseguiu informações em troca de favores sexuais e por aí vai. 

Xingar jornalistas, claro, não é exclusivo de Bolsonaro. Outros presidentes brasileiros já fizeram isso também. A diferença é que hoje descredibilizar a imprensa é política de estado, assim como fazia Trump. 

Os apoiadores mais cegos do presidente replicam o comportamento das redes sociais nas ruas. Na última manifestação pró-Bolsonaro, um repórter da CNN que estava trabalhando teve que sair acompanhado de seguranças enquanto uma multidão raivosa gritava “lixo”. 

Os que estavam gritando não admitem críticas aos seus ídolos. Já aconteceu também em outros governos. São pessoas que  querem uma imprensa conivente, que só dê notícias boas, que não incomode. Não entendem que o problema não são os jornalistas, mas as notícias, os fatos… O jornalismo é perfeito? Não. Empresas de comunicação têm as suas agendas. Mas hoje existem vários veículos independentes com jornalismo profissional, como o MyNews. Você pode se informar por uma variedade de canais sérios e chegar às suas próprias conclusões. Isso é ampliar e melhorar o debate. Quem quer calar a imprensa não tem a mínima noção das consequências disso. Sem imprensa, não há democracia. Sem jornalismo, só sobram trevas. 

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Bolsonaro é “extremista de direita” e “perigo para o mundo”, diz jornal britânico https://canalmynews.com.br/politica/bolsonaro-e-extremista-de-direita-e-perigo-para-o-mundo-diz-jornal-britanico/ Tue, 06 Apr 2021 15:32:56 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/bolsonaro-e-extremista-de-direita-e-perigo-para-o-mundo-diz-jornal-britanico/ O periódico The Guardian publicou texto de opinião com duras críticas ao presidente brasileiro

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Em editorial, o jornal The Guardian classificou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como um perigo para o Brasil e o mundo. A publicação destaca o surgimento de uma variante brasileira de covid-19, o uso da Lei de Segurança Nacional contra críticos, o avanço do desmatamento na Amazônia e outros episódios.

O editorial é uma sessão em que a publicação destaca sua própria opinião sobre fatos ou personagens. Nas versões impressas, o editorial costuma acompanhar as primeiras páginas dos jornais e revistas.

“Este é um homem com histórico de denegrir mulheres, gays e minorias, que elogiava o autoritarismo e a tortura. O pesadelo se revelou ainda pior na realidade”, afirma o The Guardian.

O jornal britânico destaca a demissão do ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva por uma possível oposição ao desejo do presidente de usar as Forças Armadas como uma “ferramenta política pessoal” e diz que, se Bolsonaro perder as próximas eleições, pode tentar continuar no poder ilegalmente, como fez Donald Trump nos Estados Unidos.

O editorial destaca que ainda há “alguns motivos para a esperança”, diz que a “elite econômica” pode estar pensando em abandonar Bolsonaro, setores militares demonstram descontentamento e o retorno de Lula à política eleitoral pode fomentar o surgimento de um candidato “menos extremista”. “Sua saída seria bem-vinda para o Brasil e o resto do mundo”, diz o jornal.

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A crise não é de imagem, é de ação https://canalmynews.com.br/creomar-de-souza/a-crise-nao-e-de-imagem-e-de-acao/ Thu, 25 Mar 2021 13:05:26 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/a-crise-nao-e-de-imagem-e-de-acao/ O momento difícil pelo qual o governo e o país passam não é resultado de uma campanha negativa das oposições

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Na semana que passou, a CNN dos Estados Unidos deu a seguinte manchete (tradução livre): “Sem vacinas, sem liderança, sem luz no fim do túnel. Como o Brasil se tornou uma ameaça global”. Algumas vozes se levantaram para denunciar mais uma vez a conspiração da imprensa internacional, lembrando que reportagens alarmistas desse tipo já haviam sido publicadas pelo The New York Times e pelo Washington Post, jornais supostamente “esquerdistas”. Haveria, portanto, campanha internacional contra o Brasil.

A tese da conspiração internacional não é nova. Contudo, à medida que as falhas do governo se tornaram inegáveis, inclusive para parte de seus apoiadores, começaram a surgir ventos de mudança narrativa. O cavalo de pau narrativo iniciou-se com o discurso proferido pelo presidente no dia 23 de março. Os quatro minutos de fala lembraram os melhores momentos da narrativa de Alexandre Dumas em o “Homem da Máscara de Ferro”. O contraste das falas do presidente entre março de 2020 e março de 2021 dão o tom do quanto os caminhos até aqui delineados estavam equivocados. No entanto, há limites claros do que pode fazer uma nova narrativa ou um discurso de ocasião.  

Bolsonaro com cloroquina
O presidente Jair Bolsonaro com caixa de hidroxicloroquina durante a posse de Eduardo Pazuello como ministro da Saúde.
(Foto: Carolina Antunes/PR)

Como desdobramento do discurso, ou seu segundo ato, a Presidência da República reuniu-se com outros atores institucionais importantes e exortou os presentes na construção de uma reação conjunta à pandemia, ainda não reconhecida como tempestade perfeita. Ao não reconhecerem de maneira abrangente a gravidade da situação, corre-se o risco de que as medidas de solução do problema sejam pouco eficazes. Afinal, só é possível combater um problema ou uma doença quando há o reconhecimento do paciente de que está doente. A notícia de que o Ministério da Saúde alterou critérios tornando mais difícil registrar os óbitos causados pela covid-19 não é nada auspiciosa nesse contexto.

Sob o risco de se assemelhar a um enfermo que não se reconhece como tal, o governo ainda flerta com o risco de culpar outros pelos seus equívocos. De esquerdistas nacionais a conspirações estrangeiras fomentadas por uma mídia globalista, ainda se percebe o flerte com a fuga da realidade em falas e símbolos. E isso permite uma reflexão em paralelo com outro momento crítico da história nacional, quando o Regime Militar, pressionado por uma onda de questionamentos acerca de desaparecimentos, torturas e prisões arbitrárias, reagia com a ideia de que havia um complô contra o país.

O problema é que a técnica de transferir responsabilidades para o estrangeiro ou para uma quinta-coluna nacional é manifestamente ineficaz. De fato, nenhuma campanha de imagem ou discurso oficial edulcorado é capaz de mudar a opinião pública nacional e internacional diante de um cenário devastador.  No passado, de pouco adiantou a promoção da imagem de país ordeiro e trabalhador diante da realidade que se impunha com irritante insistência: as liberdades cerceadas e as arbitrariedades em profusão. Hoje também serão necessárias mais que falas difusas e simbolismos para mudar a opinião que se consolida acerca da incapacidade de nossa liderança em aplacar o sofrimento dos cidadãos-eleitores. 

É hora de assumir responsabilidades e o primeiro passo seria reconhecer o retumbante fracasso das estratégias empregadas até agora na condução do país em diversos campos, a começar pela saúde, mas também nas Relações Exteriores, na economia e no meio ambiente. A imagem de um país sem governo, sem vacinas, sem luz no fim do túnel, que se transforma em ameaça global como viveiro de novas variantes do vírus, não será dissipada com retórica, diatribes contra a imprensa ou promoção irreal de uma imagem idealizada e falsa. A imagem só vai mudar quando a realidade que lhe dá substrato for alterada.

Apenas uma nova atitude será capaz de começar a restaurar a reputação do país no exterior e a credibilidade das instituições internamente. E isso deve ser feito não para aparecer bem na foto, mas por imposição moral, dever humanitário e responsabilidade política diante do povo brasileiro, para quem o sofrimento e as mortes que poderiam ser evitados não constituem imagem abstrata divorciada da realidade, mas a dura, tangível e muito concreta sina de quem vive num país à deriva.

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Descontrole da pandemia no Brasil estampa jornais globais https://canalmynews.com.br/politica/brasil-descontrole-pandemia-repercussao/ Thu, 04 Mar 2021 15:21:30 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/brasil-descontrole-pandemia-repercussao/ Avanço da covid-19 no Brasil é assunto em publicações internacionais

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A disparada no número de casos de covid-19, a variante surgida em Manaus e o ritmo lento da vacinação no Brasil são assunto em pelo menos três jornais de grande repercussão: Financial Times, The Wall Street Journal e The Guardian. A pauta também foi abordada pelo diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos Anthony Fauci.

Em coletiva de imprensa, Fauci afirmou que a situação brasileira é “muito difícil” e destacou a circulação da variante brasileira da enfermidade. “A melhor coisa a ser feita é vacinar o maior número de pessoas e o mais rápido o possível”, disse.

Financial Times

O jornal britânico Financial Times cita estudo conjunto de pesquisadores da Universidade de Oxford, Imperial College de Londres e da Universidade de São Paulo (USP) sobre a maior transmissibilidade e resistência da variante P1 e afirma que ela surgiu em Manaus em 6 de novembro de 2020.

“A preocupação internacional com a variante PI disparou enquanto mais de 25 países detectaram a variante, incluindo Bélgica, Suécia e o Reino Unido”, afirma reportagem.

The Wall Street Journal

O The Wall Street Journal destaca que a falta de vacinação em massa no Brasil e na América Latina transforma a região em uma possível incubadora de “versões mais potentes do vírus que podem tornar as vacinas contra covid-19 menos efetivas”.

Teste com voluntário para vacina contra a Covid-19
Teste com voluntário para vacina contra a Covid-19.
(Foto: Governo do Estado de São Paulo)

O jornal dos Estados Unidos e com foco especial na área de economia e negócios destaca que enquanto nos EUA mais de 15% da população já recebeu ao menos uma dose de vacina contra o novo coronavírus, este número está em 3% no Brasil.

The Guardian

Já o The Guardian traz uma entrevista com Miguel Nicolelis, neurologista e professor da Universidade de Duke. O cientista critica o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e diz que o país pode ter até 500 mil mortos até março do próximo ano se medidas não forem tomadas.

“Do que adianta resolver a pandemia na Europa ou nos Estados Unidos se o Brasil continua a ser uma incubadora para o vírus?”, pergunta Nicolelis. “Se você permitir que o vírus se prolifere nos níveis que está se proliferando aqui, você abre a porta para a ocorrência de novas mutações de versões ainda mais letais.”

Na avaliação do professor da Universidade de Duke, o fracasso do Brasil ao enfrentar a pandemia e implementar uma campanha de vacinação efetiva criou uma tragédia doméstica da qual o país não deve sair antes do final de 2022.

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Lira decide mudar imprensa para o subsolo do Congresso https://canalmynews.com.br/politica/arthur-lira-muda-imprensa-na-camara/ Wed, 10 Feb 2021 19:47:27 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/arthur-lira-muda-imprensa-na-camara/ Presidente da Câmara pretende ocupar local destinado aos jornalista com novo gabinete presidencial. Duas tentativas já haviam ocorrido anteriormente

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O recém-eleito presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), decidiu alterar o local de trabalho dos jornalistas na Casa, instalando no lugar o novo gabinete presidencial. Com o despejo, marcado para quinta-feira (11), a imprensa deixará de ocupar um espaço ao lado do plenário, reservado para os meios de comunicação desde a transferência do Legislativo para Brasília, em 1960. Os jornalistas passarão a trabalhar em uma sala sem janelas no subsolo do prédio do Congresso.

O espaço reservado para a mídia dispõe de uma visualização direta ao local onde ocorrem as votações, permitindo, assim, agilidade no processo de registro e disseminação de informações das sessões. A mudança, então, dificulta o acesso a Lira, que poderá ingressar no plenário sem atravessar o Salão Verde (área de livre circulação, a qual promove o encontro entre políticos e jornalista), evitando que o presidente da Câmara seja abordado por profissionais da imprensa.

Plenário da Câmara, ao lado do local destinado à imprensa.
Plenário da Câmara, ao lado do local destinado à imprensa. Foto: Waldemir Barreto (Agência Senado).

Nesta terça-feira (9), um grupo de parlamentares iniciou abaixo-assinado, a fim de anular a transição. O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) encabeça a petição de oposição à transferência, afirmando que a ação se trata de “uma decisão administrativa”. “A gente tenta reverter politicamente, mostrando força”, disse Kataguiri.

No documento, o deputado argumenta que o trabalho da imprensa é vital para a continuação dos processos democráticos que tramitam no Congresso Nacional: “A Câmara dos Deputados é um dos órgãos mais democráticos do Brasil. Aqui, nada deveria ser feito de forma secreta. A presença ostensiva da imprensa se justifica para permitir ao povo a mais absoluta transparência sobre todos os assuntos da Câmara. Respeitosamente, entendemos que a atitude de Vossa Excelência é equivocada, pois dá azo a que se cogite que a imprensa tem papel secundário nos trabalhos da Casa. Não tem. A imprensa é parte vital do processo democrático”, pondera parte do abaixo-assinado.

Além do deputado do DEM, outros parlamentares se manifestaram contrários à mudança. “A liberdade de imprensa é uma das principais questões da Constituição Federal. Infelizmente nós já temos Jair Messias Bolsonaro que ataca os jornalistas sistematicamente, e não será a Câmara dos Deputados que vai inviabilizar o livre exercício das jornalistas e dos jornalistas”, afirmou a deputada Fernanda Melchiona (PSOL-RS) no plenário.

O prédio do Legislativo é registrado como patrimônio brasileiro, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – qualquer modificação estrutural deve ser autorizada pelo órgão. A tentativa de deslocamento dos jornalistas já ocorreu outras duas vezes: em 2007, sob a gestão de Arlindo Chinaglia (PT-SP) e em 2015, quando o gabinete de Eduardo Cunha (MDB-RJ) tentou ocupar o local.

Em nota, a Câmara dos Deputados alegou que os custos da operação ainda estão sendo levantados, mas que a mudança já foi aprovada pelo Iphan.

“A proposta de mudança vem sendo cogitada ao longo dos últimos anos, resultando em um estudo mais aprofundado na última gestão. A obra seguirá as regras de tombamento, de acordo com as normas do Iphan. O projeto de arquitetura do novo gabinete da Presidência está em fase final de aprovação. Os custos da obra, prevista para começar até o fim de fevereiro, ainda estão sendo levantados. Para a execução, serão utilizados recursos de contratos de mão de obra já firmados pela Câmara e alguns insumos adicionais, se necessário”, diz o texto.

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Discurso hostil de Jair Bolsonaro incentiva violações contra a imprensa https://canalmynews.com.br/politica/discurso-hostil-de-jair-bolsonaro-incentiva-violacoes-contra-a-imprensa/ Thu, 24 Dec 2020 12:56:28 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/discurso-hostil-de-jair-bolsonaro-incentiva-violacoes-contra-a-imprensa/ Ao insuflar PMs contra jornalistas, Bolsonaro se torna corresponsável por eventuais violações futuras

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O presidente Jair Bolsonaro, que costuma atacar a imprensa em suas declarações
O presidente Jair Bolsonaro, que costuma atacar a imprensa em suas declarações.
(Foto: Alan Santos/PR)

No dia 18 de dezembro de 2020, o presidente da República, aparentemente em meio a uma escassez de tarefas mais relevantes, participou da cerimônia de formatura de policiais militares do Rio de Janeiro. Jair Bolsonaro aproveitou a oportunidade para insuflar a turma de cerca de 500 novos PMs contra a imprensa, sugerindo em seu discurso que jornalistas tomam partido ao realizarem coberturas: “Numa fração de segundo, está em risco a sua vida, do cidadão de bem ou de um canalha defendido pela imprensa brasileira […] Não se esqueçam disso, essa imprensa jamais estará do lado da verdade, da honra e da lei. Sempre estará contra vocês. Pensem dessa forma para poderem agir.”

Tais afirmações são apenas mais um exemplo do discurso estigmatizante adotado por Bolsonaro contra a imprensa desde que assumiu o assento no Palácio do Planalto. Nos últimos dois anos, o presidente acusou os veículos jornalísticos de produzirem “fake news” e questionou a imparcialidade, o preparo, a sexualidade e até mesmo a aparência física de repórteres. Em atuação digna do fundo de uma sala de aula do ensino fundamental, o homem mais poderoso da República desceu ao ponto de injuriar a mãe de um jornalista. Noutra ocasião, acusou uma repórter premiada de trocar favores sexuais por informações.

Em resposta, no final de maio de 2020 a direção de várias redações, em atitude inédita, retirou os setoristas do Palácio da Alvorada, que diariamente faziam plantão ao lado de militantes bolsonaristas, enquanto aguardavam a pantomima do presidente. A sociedade não perdeu nada com essa atitude, porque as “entrevistas” concedidas por Bolsonaro ao sair e chegar na residência oficial raramente traziam informação relevante, mas no geral se destinavam a oferecer à militância oportunidades de captar em vídeo suas “lacradas” contra a imprensa e alimentar as redes sociais com desinformação.

Infelizmente, o discurso hostil do presidente e seus associados contra a imprensa não se resume a um teatro grotesco, mas incentiva a violência, tanto física quanto simbólica, contra esses profissionais. Conforme o monitoramento realizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), ocorreram 68 agressões e ataques contra jornalistas em 2020, contra 19 casos no ano anterior. Muitos deles se deram durante a cobertura de manifestações de apoio a Bolsonaro em Brasília e outras cidades, mas em 20 de maio deste ano um empresário de Barbacena (MG), ao ver o repórter cinematográfico Robson Panzera registrando imagens da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar), decidiu descer de seu veículo e agredir o profissional, quebrando um de seus dedos. 

Esse é o tipo de comportamento legitimado pelo presidente, por seus ministros e por seus assessores próximos, quando difundem teorias da conspiração contra a imprensa. Ao insuflar policiais militares contra jornalistas, Bolsonaro se torna corresponsável por eventuais violações das forças de segurança contra repórteres que venham a ocorrer no futuro.


Marcelo Träsel é jornalista, doutor em Comunicação Social, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

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