Foto: Cuidadores BH
A transição demográfica do país exige mudanças sociais, econômicas e na saúde para atender aos idosos
O envelhecimento da população brasileira ocorre em um ritmo inédito. Em razão disso, a estrutura demográfica muda muito mais rápido no Brasil do que em países desenvolvidos. Por outro lado, as nações europeias tiveram várias gerações para adaptar suas economias ao aumento da longevidade. Portanto, o Brasil enfrenta essa transição de forma abrupta, sem ter alcançado o enriquecimento econômico necessário.
Além disso, a transição epidemiológica acompanha essa mudança acelerada. Com isso, o foco da saúde pública se desloca das doenças infantis para as enfermidades crônicas não transmissíveis. Consequentemente, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a operar sob um grande desafio. Dessa forma, ele precisa manter a assistência à infância e, ao mesmo tempo, reestruturar redes para o cuidado gerontológico.
Infelizmente, essa transformação esbarra na falta de infraestrutura e na escassez de profissionais especializados. Por exemplo, a carência de médicos geriatras expõe os pacientes a intervenções inadequadas e à iatrogenia. Além disso, as desigualdades socioeconômicas aprofundam ainda mais os impactos do envelhecimento. Assim, as populações de menor renda sofrem mais por dependerem exclusivamente de serviços públicos subfinanciados.
Diante desse cenário, a garantia de uma velhice digna exige profunda conscientização individual. Paralelamente, o país precisa consolidar garantias legais e políticas públicas realmente eficientes. Nesse sentido, a ratificação de acordos internacionais e o cumprimento do Estatuto da Pessoa Idosa são passos fundamentais. Sem um planejamento adequado, o país continuará perpetuando a vulnerabilidade social de sua população mais velha.