Epidemiologista diz na CPI que pesquisa sobre covid-19 foi censurada em apresentação no Palácio do Planalto Mesa: epidemiologista e pesquisador da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Hallal; presidente da CPIPANDEMIA, senador Omar Aziz (PSD-AM); diretora-executiva da Anistia Internacional e coordenadora do Movimento Alerta, Jurema Werneck. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado Mortalidade

Epidemiologista diz na CPI que pesquisa sobre covid-19 foi censurada em apresentação no Palácio do Planalto

Pedro Hallal, da UFPel, diz que dados sobre contaminação maior na pandemia entre indígenas e negros foram excluídos de coletiva

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  • Na CPI da Pandemia, em 24 de outubro, o epidemiologista Pedro Hallal afirmou que um slide com dados de risco de contágio entre indígenas (5×) e negros (2×) versus brancos foi censurado minutos antes de sua apresentação no Palácio do Planalto.
  • O slide excluído mostrava disparidades étnicas na infecção por covid‑19, informação que Hallal disse ter sido retirada pela assessoria de comunicação.
  • Pouco depois, o Ministério da Saúde cancelou o financiamento da pesquisa Epicovid, conduzida pela UFPel, sem apresentar justificativa técnica.
  • Hallal alegou que 400 mil mortes poderiam ter sido evitadas e destacou que o Brasil tem a maior taxa de letalidade entre os 10 maiores países e os BRICS, apesar de ser 4.º em doses aplicadas e 85.º em população totalmente imunizada.

Na CPI da Pandemia desta quinta-feira (24), o epidemiologista e pesquisador da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Pedro Hallal afirmou que teve sua pesquisa sobre a pandemia de covid-19 censurada minutos antes de apresentação no Palácio do Planalto. O trecho excluído da apresentação tinha dados de como indígenas têm cerca de 5 vezes mais chances de se contaminarem com o novo coronavírus do que os brancos e negros têm o dobro de chances de se contaminarem na comparação com os brancos, diz o pesquisador.

“Este slide que apresentava diferença pelos grupos étnicos foi censurado, repito o termo, censurado, na coletiva de imprensa no Palácio do Planalto na qual eu apresentei os resultados dessa pesquisa. Faltando 15 minutos para começar minha apresentação no Palácio do Planalto eu fui informado pela assessoria de comunicação de que o slide tinha sido retirado da apresentação”, afirma Hallal.

Ainda de acordo com o professor da UFPel, pouco tempo depois dessa apresentação o Ministério da Saúde decidiu cancelar seu financiamento da pesquisa que levantou os dados, a Epicovid, sem apresentar nenhum motivo técnico.

Ainda de acordo com o epidemiologista, 400 mil mortes por covid-19 no país poderiam ter sido evitadas “caso o Brasil estivesse na média mundial [de óbitos], não na situação dos melhores países do mundo no enfrentamento da pandemia”.

Hallal afirma que o Brasil tem os maiores índices de letalidade por covid-19 na comparação com os 10 maiores países do mundo e, também, na comparação com os BRICS. O professor da UFPel destaca que o Brasil é o 4° país no mundo em número absoluto de doses de vacinas aplicadas, mas quando o ranking é da população completamente imunizada, o Brasil está na 85° colocação.

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