Pacientes Yanomami com alta médica levam dias para voltar a aldeias Fernando Frazão / Agência Brasil BRASIL

Pacientes Yanomami com alta médica levam dias para voltar a aldeias

00:00 A+ A- Ler o resumo da notícia Pacientes yanomami recebem alta nos serviços de saúde de Boa Vista e são encaminhados à Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) enquanto aguardam retorno às aldeias. Entre 40 e 70 indígenas permanecem diariamente na Casai, e alguns esperam até 15 dias para voltar à comunidade. O […]

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  • Pacientes yanomami recebem alta nos serviços de saúde de Boa Vista e são encaminhados à Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) enquanto aguardam retorno às aldeias.
  • Entre 40 e 70 indígenas permanecem diariamente na Casai, e alguns esperam até 15 dias para voltar à comunidade.
  • O atraso decorre de restrições logísticas de transporte que limitam a capacidade de levar os pacientes às áreas remotas.
  • No boletim da última quarta‑feira (15), havia 62 pacientes na Casai, com média de 10 a 15 altas por dia.

A volta às aldeias de pacientes yanomami que receberam alta médica em Boa Vista esbarra em restrições de capacidade logística. Alguns pacientes esperam, na capital de Roraima, até 15 dias para poder voltar às suas aldeias.

Os yanomami são atendidos em unidades da saúde da capital e no hospital de campanha montado para atender à emergência humanitária. Depois de receberem alta, ficam hospedados na Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai), localizado na região norte de Boa Vista (ao lado do hospital de campanha), aguardando retorno à terra indígena.

Segundo Hernane Guimarães, coordenador regional do Centro de Operações de Emergência (COE) Yanomami do Ministério da Saúde, desde o início da situação humanitária, o número de pacientes indígenas que chegam a Boa Vista aumentou muito.

Com isso, cresceu também a quantidade daqueles que recebem alta e ficam na Casai aguardando o retorno. De acordo com ele, o número de yanomami nessa situação varia de 40 a 70 a cada dia. No boletim da última quarta-feira (15), por exemplo, havia 62.

“A gente tem, por dia, em média de dez a 15 pacientes saindo da Casai. O paciente que está há mais tempo de alta na Casai tem 15 dias. Hoje 10% dos pacientes que estão acomodados na Casai estão de alta”, afirmou.

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Guimarães conta que há dois problemas logísticos que atrapalham o processo de retorno: a quantidade de aviões disponíveis para o trabalho e as condições das pistas da terra indígena, que só permitem o pouso de aeronaves de pequeno porte.

“Na grande maioria [dos locais na terra indígena] para onde os aviões vão, eles só pousam com quatro pessoas. Se são 60 indígenas, precisaria de uns 15 aviões, mais ou menos, pra fazer isso [o retorno dos pacientes]. E a hora que a gente destina 15 aviões pra fazer isso, deixa de trocar a equipe de área [que trabalha nos postos de saúde na terra yanomami]”, afirmou, em entrevista à reportagem da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Segundo ele, se as pistas tivessem condições melhores, aviões de porte maior, como aqueles do Exército, poderiam ajudar nesse trabalho. “Se tivéssemos mais aporte [de aeronaves] e as pistas estivessem em condições de pousar aviões maiores, para poder levar esses pacientes em maior quantidade, isso daria uma diminuição [da fila de espera para retorno]”.

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