Salve um novato e grande violonista

Salve um novato e grande violonista

Confira a coluna de Aquiles Reis, no MyNews, nesta quinta-feira (10)

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  • Gabriel Veras lançou seu primeiro álbum solo de violão de seis cordas, “Vivo Sonhando”, financiado por campanha coletiva.
  • O disco apresenta oito faixas que mesclam choro, tango brasileiro, afro‑samba e outros gêneros da música popular violonística.
  • A direção musical foi conduzida pelo violonista e compositor Iuri Bittar.
  • A obra destaca a coerência melódica do jovem artista, que antes se destacava apenas no violão de sete cordas ao acompanhar cantores.

Hoje trataremos do álbum Vivo Sonhando (independente, mediante campanha de financiamento coletivo), de Gabriel Veras. É seu primeiro trabalho como solista de violão de seis cordas: apesar de fera no violão de sete cordas, ele usa-o somente quando acompanha cantores e solistas. Com oito faixas, cuja direção musical foi entregue ao violonista e compositor Iuri Bittar, Gabriel se dá ao choro, aos tangos brasileiros, ao afro samba e a outros gêneros do repertório popular violonístico.

Salve um novato e grande violonista

Mas o que impressiona em Vivo Sonhando, muito mais até do que o fato de ser o primeiro de um jovem, é como Gabriel se entrega ao instrumento: com rara coerência melódica. Por mais que outros jovens também se dediquem hoje ao violão (salve eles!), sempre haverá espaço para um se sobressair e despontar como o craque da parada, aquele que, pleno de emoção nas mãos, tem os dedos aptos a burilar os arranjos, ora carregados de sentimento, ora com dedilhados enérgicos.

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Particularmente, prefiro o comedimento à intensidade dos violonistas. Mas o que mais admiro mesmo é quando estas duas virtudes se tornam cúmplices do músico, alçando-o ao elenco dos bambas do instrumento.

E a sonoridade do violão do cara? Meu Deus, o que é aquilo? Gabriel Veras toca demonstrando gostar do que brota do seu violão – sem dúvida, um instrumentista com autoestima em alta –, deixando transparecer a alegria de poder oferecer ao ouvinte o que ama fazer com seu ofício. Ofício este que ele ainda irá desenvolver e que, evidentemente, aperfeiçoará para seguir encantando os amantes da boa música instrumental.

  “Vivo Sonhando” (Garoto): o violão vem despertando sentimentos. Bela abertura de tampa. “Interrogando” (João Pernambuco): os dedos vibram na obra imortal do genial João Pernambuco, acrescentando-lhe vigor. “Amigo Sena” (Canhoto da Paraíba): não poderia faltar, e aí esta o grande Canhoto, pelas mãos de Gabriel.

“Enigma” (Garoto): outro grande tema do mestre vem soar nos ouvidos agradecidos do ouvinte. “Odeon” (Ernesto Nazareth): bem-vindo o choro de Nazareth, aqui trazido pela emoção de Gabriel. “Três Colinas” (Iuri Bittar): Bittar diz presente com esta bela peça.

“Choro Triste” (Aymoré – 1908/1979): tão triste quanto lindo é este choro de Aymoré. “Canto de Xangô” (Baden Powell): não sei como vai ser, mas Baden tem que ouvir Gabriel Veras tocar esse canto que, carregando a força das entidades sagradas, abençoa compositores e intérpretes.

Daqui do meu canto, saúdo Gabriel Veras e seu violão!

 

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

 

Ouvir o álbum:

https://open.spotify.com/intl-pt/album/6j0BzUWQ1QKDp0zINrBZNp?si=ly7kc_stQReIm8fSWps6cg

 

Ficha técnica:

Gabriel Veras – violão; Iuri Bittar – direção musical e coordenação; João Ferraz – mixagem e masterização; Roberta Corrêa – engenheira de áudio e edição; Yuri Reis – arte da capa; Yasmim Loureiro – produção executiva e design; gravado no estúdio Radamés Gnatalli, no Rio de Janeiro.

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