Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Ordem do dia.
Na pauta, o PL 4.635/2024, que prorroga até dezembro de 2030 os benefícios tributários relativos às taxas de fiscalização de instalação e de funcionamento incidentes sobre estações de telecomunicações, são incentivos para tecnologia conhecida como “internet das coisas”.
Presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP) conduz sessão.
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Jornal Do MyNews
Em entrevista ao Jornal MyNews, cientista político avalia que a candidatura de Rogério Marinho divide a direita e que Davi Alcolumbre tem vantagem nas articulações políticas.
A disputa pela presidência do Senado em 2027 ganhou novos contornos nesta quarta-feira (4). Com o lançamento da candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN), a corrida pelo comando da Casa passou a reunir três nomes: o atual presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca a reeleição, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o próprio Marinho. Para analisar o cenário, o Jornal MyNews entrevistou o cientista político e professor do Insper Carlos Melo.
Na avaliação do especialista, o resultado das eleições de outubro alterou as condições da disputa. Caso Flávio Bolsonaro tivesse vencido a eleição presidencial, a direita teria mais força política e poderia contar com a estrutura do governo federal para ampliar sua influência no Senado.
Entretanto, como esse cenário não se concretizou, a disputa ganhou outra configuração. Melo avalia que Alcolumbre possui experiência política e instrumentos de articulação que podem favorecer sua tentativa de permanecer no cargo.
O professor considera que a eleição ainda está em aberto. Além disso, acredita que o resultado dependerá do ambiente político no próximo ano e da capacidade de cada candidato de construir alianças.
Para Carlos Melo, o tamanho da bancada do PL não garante a vitória de Rogério Marinho. Embora o partido tenha conquistado a maior bancada para a próxima legislatura, o Centrão deve ter papel decisivo na votação.
O PL terá 29 cadeiras entre os 81 senadores. Além disso, Marinho conta com o apoio dos três senadores eleitos pelo Novo. Mesmo assim, precisará ampliar sua base para alcançar os 41 votos necessários à eleição.
Segundo Melo, o posicionamento dos partidos de centro pode definir o resultado. Caso esse grupo se aproxime do governo Lula, a candidatura de Alcolumbre poderá reunir uma maioria mais ampla.
O professor também destaca que o atual presidente do Senado conhece os mecanismos de negociação da Casa. Por isso, sua experiência política pode pesar na disputa, especialmente diante da necessidade de reunir votos de diferentes partidos.
Outro ponto abordado na entrevista foi a atuação de Davi Alcolumbre nas discussões sobre a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Para Carlos Melo, o presidente do Senado pode estar antecipando uma pauta importante para conquistar apoio político.
O cientista político avalia que a movimentação pode fazer parte de uma estratégia eleitoral. No entanto, pondera que não é possível afirmar se a iniciativa busca diretamente atrair votos ou se está relacionada a algum entendimento com o Supremo Tribunal Federal (STF).
A discussão sobre a anistia também evidencia as dificuldades de articulação entre os diferentes grupos da direita. Enquanto Rogério Marinho defende uma agenda de oposição mais próxima do bolsonarismo, Alcolumbre busca manter diálogo com o governo e com setores da oposição.
A candidatura de Tereza Cristina acrescenta outro elemento à disputa. Mesmo com a federação União Brasil-PP apoiando a reeleição de Alcolumbre, a senadora mantém seu nome à disposição e busca construir uma alternativa dentro do campo político de centro e direita.
Nesse cenário, a definição do próximo presidente do Senado dependerá menos das declarações públicas de apoio e mais da capacidade de cada candidato de reunir votos.
Para Carlos Melo, o Centrão será fundamental nesse processo. Portanto, apesar da força eleitoral demonstrada pelo PL, a articulação entre governo, oposição e partidos de centro deve determinar os rumos da eleição, prevista para 1º de fevereiro de 2027.