Polarização ultrapassa as urnas e transforma diferenças políticas em conflitos sociais Urna eletrônica | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Almoço Do MyNews

Polarização ultrapassa as urnas e transforma diferenças políticas em conflitos sociais

Em entrevista ao Almoço MyNews, filósofo Frederico Kepe analisa a politização do cotidiano brasileiro, o impacto das redes sociais e a divisão entre pessoas que pensam diferente.

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  • O filósofo Frederico Kepe, da UFJF, analisou a polarização política no Brasil em entrevista ao Almoço MyNews nesta quinta‑feira (29).
  • Ele afirma que, desde 2014, a política passou a ocupar cada vez mais o cotidiano, afetando relações pessoais e decisões diárias.
  • Kepe aponta que a direita também aderiu a essa lógica, ainda que tente se apresentar menos ideológica.
  • Essa dinâmica, segundo o especialista, transforma divergências políticas em conflitos sociais, ultrapassando o âmbito das urnas.

A polarização política no Brasil vai muito além das eleições. Ela atravessa relações pessoais, decisões cotidianas e a maneira como os brasileiros enxergam uns aos outros. Em entrevista ao Almoço MyNews desta quinta-feira (29), o filósofo Frederico Kepe, graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e mestre na área, analisou o avanço desse fenômeno no país.

Politização da vida cresce desde 2014

Segundo Kepe, o Brasil vive uma crescente politização da vida desde 2014. Nesse período, a política passou a ocupar cada vez mais espaço no cotidiano. Além disso, a direita também aderiu a essa lógica, embora muitas vezes tente se apresentar como menos ideológica. Para o filósofo, essa dinâmica alimenta uma polarização extrema, que transforma diferentes questões sociais em disputas políticas.

Redes sociais ampliam a polarização

Kepe também critica o papel das redes sociais nesse processo. Ele define essas plataformas como uma “arma de destruição em massa”, em referência à capacidade de ampliar conflitos e reforçar divisões. Além disso, o filósofo questiona a atuação de empresários ligados à direita. Segundo ele, esses agentes não são inocentes, pois explorar públicos alinhados ideologicamente pode trazer vantagens econômicas.

Dessa forma, a polarização não envolve apenas divergências de opinião. Ela também pode atender a interesses políticos e comerciais, que encontram nas divisões sociais oportunidades para conquistar público e ampliar influência.

Divisão política afeta a convivência

Outro ponto destacado por Kepe é a tendência humana de organizar o mundo por meio de divisões. Em vez de compreender situações complexas, as pessoas frequentemente separam os indivíduos em grupos. Esse comportamento ajuda a explicar, segundo o filósofo, as dificuldades de convivência em uma sociedade polarizada.

O problema se intensifica quando a divergência política passa a determinar o julgamento sobre outras pessoas. Nesse cenário, indivíduos com opiniões diferentes podem ser considerados menos competentes, menos inteligentes ou até menos bondosos.

Assim, a polarização deixa de representar apenas uma disputa de ideias. Ela também enfraquece o diálogo, aumenta a desconfiança e aprofunda o afastamento entre os brasileiros.

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