Santiago Peña. Foto: Michael Nagle/Bloomberg/Getty Images.
presidência do paraguai
Pressionado pelo colapso de banco digital e sem apoio no Congresso, Santiago Peña deixa o poder após escândalo que abalou o país
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5) sob forte pressão política desencadeada por uma crise financeira sem precedentes. O estopim foi o colapso e a intervenção no Ueno Bank, instituição digital de rápida expansão que teve as operações suspensas por grave insuficiência de solvência. A turbulência rapidamente transbordou do setor econômico para o Palácio de López, minando a sustentação do governo.
Nos dias anteriores, a turbulência já havia derrubado o chefe do Banco Central, Carlos Carvallo. Isso porque o dirigente havia comandado a instituição privada antes de assumir o cargo público. Por esse motivo, surgiram graves denúncias de conflito de interesses e omissão na fiscalização. Além disso, a falta de respostas gerou protestos intensos pelas ruas da capital.
Enquanto isso, a oposição e parte da base aliada articularam pedidos de impeachment no Congresso. Paralelamente, setores empresariais retiraram o respaldo ao presidente. Portanto, sem margem de manobra política para conter o desgaste, Peña optou por formalizar sua saída.
Por fim, a renúncia abre um período de incertezas na política paraguaia. Em primeiro lugar, o país precisa cumprir os trâmites legais da sucessão presidencial. Além de estabilizar o governo, a prioridade máxima será conter o risco financeiro. Afinal, a autoridade monetária busca garantir os depósitos bancários e acalmar os mercados locais.