Thiago Nigro: “Uma coisa que todas as crises têm em comum é que elas são sempre inesperadas” Bolha?

Thiago Nigro: “Uma coisa que todas as crises têm em comum é que elas são sempre inesperadas”

Fundador do Grupo Primo e do O Primo Rico fala sobre risco de bolha na Bolsa em meio a excesso de liquidez no mercado.

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  • Na sexta‑feira (19), o Ibovespa fechou em 116 mil pontos, próximo ao patamar de 114 mil registrado em fevereiro, antes da Covid‑19.
  • Thiago Nigro, fundador do Grupo Primo e do canal O Primo Rico, afirmou que muitas ações brasileiras estão caras devido a juros baixos e excesso de liquidez.
  • O investidor Jeremy Grantham, da gestora GMO, alertou que o pacote de auxílio de Joe Biden poderia manter bolhas nos mercados americanos.
  • Nigro concluiu que, apesar da avaliação alta, “todas as crises são inesperadas”, tornando incerto prever uma bolha no Brasil.

Enquanto a pandemia se agrava, o desemprego avança e a inflação sobe, a Bolsa de Valores brasileira segue em níveis próximos aos anteriores à crise da covid-19. Nesta sexta-feira (19), o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, encerrou o dia a 116 mil pontos. Em fevereiro, antes da chegada do coronavírus, o índice operava aos 114 mil pontos.

Em entrevista ao Dinheiro Na Conta, Thiago Nigro, fundador do Grupo Primo e do canal O Primo Rico, avalia que muitas ações no Brasil “estão caras mesmo”. Ele explica que o movimento acontece com a conjunção de um cenário com juros baixos e excesso de liquidez.

“Por um lado, a gente tem muita coisa cara no Brasil mesmo, inclusive na Bolsa. Só que o contraponto disso é qual? Tem um excesso de liquidez e uma taxa de juros baixa”, afirma. “Esse excesso de liquidez acaba fazendo a bolsa subir, é uma questão de fluxo”. 

Na última terça-feira (16), Jeremy Grantham, o confundador da gestora americana GMO, afirmou em entrevista ao jornal Valor Econômico que o pacote de auxílio do presidente americano Joe Biden “era tão grande que possibilitaria que as bolhas continuassem mais longe e ainda mais para cima” no mercado americano. Grantham ficou famoso nos Estados Unidos por alertar sobre o risco de bolhas no mercado acionário no início dos anos 2000 e na crise do subprime, em 2008.

Sobre o risco de uma bolha no mercado brasileiro, Thiago avalia que apesar de parte das ações de empresas no Brasil estarem caras, é impossível prever o futuro: “uma coisa que todas as crises têm em comum é que elas são sempre inesperadas”.

Nigro cita ainda um dos ensinamentos de Ray Dalio, americano que é gestor e fundador da Bridgewater Associates, maior gestora de hedge funds no mundo: “Quem tenta prever o futuro através de uma bola de cristal, está fadado a comer caco de vidro”. 

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