Episódio 1 de Insegurança Pública. Foto: MyNews
Crise de segurança pública
Em dez episódios, a produção traz os bastidores do crime organizado, das milícias e do sistema prisional para entender por que o Brasil ainda não resolveu sua crise de segurança pública
A sensação de insegurança é predominante no Brasil e atinge pessoas independentemente de renda ou idade. É o que diz a pesquisa do Instituto Sou da Paz, divulgada nesta terça-feira (19), que apontou que 94% dos brasileiros reconhecem algum grau de violência na cidade onde vivem. Esse tema é um dos pontos discutidos na série “Insegurança Pública” do Canal MyNews, produzida em 2024.
Entre os dados mais expressivos, a pesquisa mostra que apenas 20% dos entrevistados concordam com a frase “bandido bom é bandido morto”, enquanto 73% acreditam que os criminosos devem ser julgados e presos pelos seus crimes.
Dados também revelam uma busca por propostas que priorizem eficiência e prevenção na segurança pública, como forma de resolução.
“A sociedade brasileira está cansada de promessas antiquadas e deseja outras formas de pensar esse tema, para além dos radicalismos cristalizados que não têm trazido resultados reais no dia a dia das pessoas. Há uma maioria silenciosa que busca resultados e eficácia, por isso apoia novas ideias sobre a segurança pública”, destacou Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz.
Realizado entre novembro e dezembro de 2025 pela OMA Pesquisa, o estudo contou com 1.115 entrevistas presenciais, pessoais e domiciliares em abrangência nacional.
O tema é aprofundado na série Insegurança Pública, produção do canal MyNews composta por dez episódios. Com foco especial no Rio de Janeiro, a série examina milícias, crime organizado, sistema prisional, mercados ilegais e os impactos diretos da violência no cotidiano da população. À frente da produção está o antropólogo e cientista político Luiz Eduardo Soares.
Dois anos depois após sua produção, os problemas investigados em cada episódio permanecem vivos e urgentes.
Para abordar os temas, a produção reúne especialistas, policiais, pesquisadores e pessoas que viveram de perto os efeitos da insegurança pública.
Odir Santos relembra os 25 anos em que esteve no sistema prisional brasileiro e compartilha detalhes sobre a violência, as violações de direitos e os desafios enfrentados dentro dos presídios. O episódio também acompanha seu processo de reconstrução pessoal por meio da arte e do autoconhecimento.
O jornalista Rafael Soares explica o funcionamento das milícias no Rio de Janeiro, detalhando a estrutura dessas organizações criminosas, suas formas de atuação e a expansão do controle territorial em diferentes regiões do estado.
A pesquisadora Tainá Alvarenga analisa os impactos da violência no cotidiano das comunidades periféricas, mostrando como a insegurança pública interfere na mobilidade, no acesso a direitos e na qualidade de vida dos moradores.
Um delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro relata experiências no enfrentamento ao crime organizado e comenta os desafios encontrados pelas forças de segurança diante da complexidade das facções criminosas no estado.
O episódio discute a resistência das comunidades periféricas na busca por visibilidade social, políticas públicas e garantia do direito básico à segurança diante do avanço da violência urbana.
O delegado Vinícius analisa a evolução histórica das milícias e explica como esses grupos chegaram a ser vistos por parte da população como uma alternativa de proteção, além das mudanças que alteraram essa percepção ao longo dos anos.
O coronel Ibis Pereira reflete sobre sua trajetória pessoal e profissional dentro da corporação e explica como suas experiências transformaram sua compreensão sobre segurança pública, policiamento e a relação entre polícia e sociedade.
Fabrício Rosa destaca o trabalho da Polícia Rodoviária Federal no combate à exploração humana e ao tráfico de pessoas, explicando como ações de inteligência e monitoramento ajudam no enfrentamento dessas redes criminosas.
O episódio apresenta uma análise sobre o processo histórico e social que contribuiu para o aumento da violência no Rio de Janeiro, discutindo desigualdade, ausência do Estado e os impactos da criminalidade nas comunidades.
A produção investiga as estruturas econômicas dos mercados ilegais e mostra como essas atividades se conectam diretamente ao fortalecimento do crime organizado e à crise da segurança pública no Brasil.