Do PL ao MBL? Entenda o caso de Flávio Bolsonaro na Missão Eleições 2026

Do PL ao MBL? Entenda o caso de Flávio Bolsonaro na Missão

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Entenda a cronologia que levou o candidato Flávio Bolsonaro a sair do PL para a Missão, de Renan Santos

Do PL à Missão e, novamente, de volta ao PL. O senador Flávio Bolsonaro foi filiado e desfiliado em menos de 24 horas do partido presidido por Renan Santos, que também é candidato à Presidência da República. A reversão ocorreu depois que o PL tentou registrar a candidatura de Flávio Bolsonaro, mas teve o pedido negado em razão de uma divergência relacionada à filiação partidária.

A situação foi percebida pela campanha de ambos os partidos na madrugada desta quarta para quinta-feira (13). Ainda na tarde do mesmo dia,  o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou o restabelecimento imediato da filiação do senador Flávio Bolsonaro ao Partido Liberal e a exclusão do vínculo do parlamentar com o Partido Missão. A decisão libera o sistema Candex para que a campanha registre a candidatura de Flávio à Presidência da República.

Nunes Marques atendeu integralmente ao pedido de urgência apresentado pela defesa do senador. A filiação ao PL foi restabelecida com efeito retroativo à data original, 30 de novembro de 2021, preservando a continuidade do vínculo partidário.

Resolvida a desvinculação do Missão, a campanha deve registrar ainda hoje a candidatura de Flávio à Presidência pelo PL, acompanhada do plano de governo. O senador apresenta o documento, batizado de “Para o Brasil Vencer o Atraso”, em transmissão ao vivo nas redes sociais.

A coluna reuniu as principais informações sobre o episódio inusitado e detalha, a seguir, o que aconteceu e como cada parte se comportou. Confira abaixo.

TSE aponta uso indevido de credenciais

A informação foi noticiada inicialmente pela jornalista Malu Gaspar, do O Globo, que trouxe detalhes dos bastidores do ocorrido. Segundo ela, a campanha de Flávio Bolsonaro informou que havia perdido “todo o acesso ao TSE”, impossibilitando o registro por divergência partidária. Até manhã de hoje, o site do próprio TSE apontava que Flávio estava filiado ao partido Missão.

Inicialmente a suspeita de um suposto hackeamento foi dado como hipótese, mas desmentida pelo próprio tribunal eleitoral. Em nota enviada à esta coluna, o TSE informa que a filiação de Flávio ao Missão não decorreu de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas de uso indevido da ferramenta por alguém que possuía as credenciais da própria Missão para efetivar filiações. Nunes Marques enviou representação à Procuradoria-Geral Eleitoral e determinou a instauração de inquérito pela polícia judiciária. O PL, ao perceber o erro, protocolou pedido de desfiliação do Missão.

A versão do tribunal difere do relatório divulgado pelo próprio Missão à imprensa. Enquanto o TSE atribui o episódio ao uso indevido de credenciais que pertenciam à legenda, o documento do partido fala em ação de “terceiro não identificado”.

Em uma live, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão) explicou que: “o secretário do partido não foi lá, e colocou os dados do Flávio. Quem pede para filiar é o indivíduo, e não um representante do partido“. Segundo Kataguiri, o indivíduo realiza um cadastro, e uma assinatura automática do partido confirma o registro que é enviado ao TSE.

Ter a nossa assinatura não significa que a gente que fez, nem que a gente se quer tenha visto. Vai com a nossa assinatura por conta da lei do sistema“, finalizou.

Missão nega responsabilidade e Flávio fala em “sistema”

Em nota oficial, o Partido Missão afirma ter sido vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta em nome de Flávio Bolsonaro. Segundo a nota, o sistema do partido identificou a fraude e tentou cancelar o registro no mesmo dia, mas o pedido foi rejeitado pelo TSE. A legenda diz ainda que o gabinete do senador foi informado da tentativa de filiação desde o dia 2 deste mês, por e-mail, e que as mensagens foram abertas, mas não respondidas.

O Missão afirma estar adotando providências junto à Polícia Federal e ao TSE para identificar os responsáveis e promete disponibilizar à imprensa e às autoridades um relatório com logs, e-mails e IPs.

A nota acrescenta que não é do interesse do partido abrigar um parlamentar que, segundo o texto, “figura em acusações e suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção“, e reafirma que a legenda “não compactua com filiações de natureza fraudulenta“.

Flávio Bolsonaro publicou um vídeo no X, onde afirmou: “vocês viram que fraudaram a minha filiação partidária. O sistema vai fazer de tudo para me parar.” Durante uma live realizada nesta quinta-feira, Flávio disse que seu gabinete classificou como “spam” os e-mails relacionados à filiação ao Missão recebidos em sua conta institucional do Senado.

Em contrapartida, na publicação anterior a live, Renan Santos replicou o candidato, chamando-o de “covarde”, e afirmando que a “malandragem foi feita no e-mail oficial” do senador. O partido apresentou uma série de prints mostrando o “trajeto do e-mail”, que confirma a filiação. Em alguns deles, as mensagens não só teriam sido abertas, como clicadas para confirmar a ação.

A campanha de Flávio Bolsonaro não retornou as tentativas de contato da coluna.

Relatório detalha divergência de CPF

O documento elaborado pelo partido Missão e enviado à imprensa reuniu os dados utilizados na filiação de Flávio Bolsonaro (PL) à legenda. No arquivo, o endereço informado para o pré-candidato à Presidência da República aparece de forma fictícia: “Rua dos Bandidos, nº 666, Bairro Miliciano, Rio de Janeiro/RJ”.

Documento técnico reconstitui a linha do tempo do cadastro. Confira abaixo:

  • 2/8, 9h05 — Registro de filiação com contribuição financeira (plano Vanguarda, R$ 4.789,68). Duas tentativas de pagamento via Pix são feitas na sequência e recusadas pelo gateway de pagamento; nenhum pagamento é concluído.
  • 9/8, 9h10 — A cobrança pendente é cancelada por falta de pagamento.
  • 12/8, 9h06 — Diante da ausência de pagamento, a filiação anterior é cancelada e um novo registro, sem contribuição financeira, é aberto com os mesmos dados e enviado ao sistema Filia, do TSE.
  • 12/8, 9h11 — O Missão identifica divergência entre o CPF informado no cadastro e o CPF vinculado ao título eleitoral de Flávio Bolsonaro no Filia, e solicita ao sistema a reversão do registro.
  • 12/8, 9h11 — O Filia recusa o pedido de reversão, com mensagem de erro de permissão de acesso (código HTTP 403).
  • 13/8, 0h44 — Ao conferir o registro, o Missão constata que a filiação foi efetivada — status “Regular” — apesar da tentativa de reversão. O partido envia e-mail ao endereço cadastrado, comunicando a divergência e pedindo confirmação ou correção dos dados.

O relatório afirma não haver confirmação de que os dados informados no cadastro correspondam aos reais de Flávio Bolsonaro, e aponta a divergência de CPF como indício de que o nome do senador foi utilizado por terceiro sem autorização.

A informação não foi confirmada pelo TSE, deixando o espaço aberto para eventuais réplicas.

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