Desigualdade atinge recorde e renda média fica abaixo de R$ 1 mil pela primeira vez em 10 anos Auxílio emergencial chegará ao fim no próximo dia 31 de dezembro. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens) EFEITOS DA PANDEMIA

Desigualdade atinge recorde e renda média fica abaixo de R$ 1 mil pela primeira vez em 10 anos

Estudo da FGV Social mostra desigualdade em nível histórico no primeiro trimestre de 2021, enquanto renda média dos brasileiros despenca

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  • Marcelo Neri, da FGV Social, divulgou em 14/05 que o Índice Gini brasileiro chegou a 0,674 no 1º trimestre de 2021, recorde histórico.
  • A renda média per capita recuou 11,3%, ficando em R$ 995, abaixo de R$ 1 mil pela primeira vez em dez anos.
  • O declínio acompanha a deterioração do mercado de trabalho durante a pandemia, segundo dados da PNAD Contínua (IBGE).
  • No trimestre anterior, o Gini era 0,642, evidenciando aumento da concentração de renda no país.

Com a deterioração do mercado de trabalho na pandemia, a desigualdade social no Brasil subiu para nível histórico no primeiro trimestre do ano, enquanto a renda média dos brasileiros despencou. As informações são parte de um estudo divulgado nesta segunda-feira (14) pelo economista Marcelo Neri, do FGV Social.

O Índice Gini, que mede o nível de desigualdade dos países, subiu para 0,674 nos primeiros três meses de 2021 no Brasil e renovou o recorde. Na escala do Gini, o valor mais próximo do 1 equivale a mais concentração de renda, enquanto o zero, sinaliza maior igualdade econômica. Um ano antes, a medida no brasil era de 0,642.

O estudo mostra ainda a decréscimo na renda dos brasileiros depois de um ano de pandemia. Pela primeira vez o valor ficou abaixo dos mil reais mensais, com R$ 995 de média per capita no primeiro trimestre do ano. O resultado representa uma queda de 11,3% em relação ao mesmo período de 2020, quando a renda média per capita estava em R$ 1.122.

A pesquisa considera dados da Pnad Contínua, do IBGE, e analisa a renda efetivamente recebida do trabalho, dividida pelos integrantes da família. Segundo Marcelo Neri, que assina a publicação do estudo, os dados mostram que o Brasil retrocedeu nos avanços conquistados nas últimas duas décadas em relação a desigualdade.

“O Brasil teve um péssimo desempenho em termos de desigualdade. A gente devolveu quase dois terços da queda de desigualdade que tínhamos obtido nesse século, isso na grande recessão e durante a pandemia”, afirma o economista, que é diretor do FGV Social.

Em entrevista do Dinheiro Na Conta, economista Nelson Marconi, professor da FGV-EAESP, explica que o resultado demonstra o quanto a alta do PIB no primeiro trimestre ainda não reflete em melhores condições sociais e econômicas para as famílias.

“Houve um crescimento da produção e do PIB, mas por outro lado o emprego não acompanhou. O pior é que quem mais se beneficiou [da alta do PIB] foi quem já ganhava bem, pessoas que mantiveram seus empregos ou já trabalhavam em suas áreas. Boa parte da população continua à margem do mercado de trabalho”, explica ele.