Crise sanitária

Patrocinadores desistem da Copa América

Ao menos 52 casos de covid já foram registrados no torneio que começou neste domingo
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A Copa América começou neste fim de semana com a partida entre Brasil e Venezuela, em Brasília. A seleção venezuelana enfrenta um surto de covid e 15 jogadores foram convocados às pressas para garantir a realização da partida.

Brasil enfrentou a Venezuela na abertura da Copa América em Brasília.
Brasil enfrentou a Venezuela na abertura da Copa América em Brasília. Foto: Lucas Figueiredo (CBF).

Contra o Brasil, a seleção venezuelana só tinha 18 jogadores, com sete no banco. O normal é ter 23 jogadores com 12 no banco nas competições internacionais. Entre os infectados, estão jogadores e membros da comissão técnica da Venezuela.

Já são 52 casos de covid em pessoas envolvidas na competição. O Ministério da Saúde confirmou os diagnóstico de 33 casos entre jogadores e membros das delegações e outros 19 casos prestadores de serviços contratados para o evento. Os casos de prestadores de serviços foram registrados em Brasília.

Além da Venezuela, os casos já foram confirmados nas delegações de Peru, Bolívia e Colômbia.

A mudança de sede do torneio para o Brasil gerou muito debate e críticas pela situação da pandemia. O torneio seria dividido entre Colômbia e Argentina, mas os dois países abriram mão. As autoridades colombianas desistiram por causa dos protestos contra o governo. Já os argentinos abriram mão devido à piora dos índices da pandemia.

A repercussão negativa pesou e, às vésperas do torneio, patrocinadores desistiram de exibir suas marcas na competição. Além disso, a crise no futebol brasileiro veio também com as denúncias de assédio contra o presidente da CBF, Rogério Caboclo.

O MyNews entrou em contato com as 14 empresas que patrocinam a CBF para entender qual era o posicionamento delas em relação ao torneio e às denúncias envolvendo a chefia da CBF. 

A maioria evitou qualquer posicionamento sobre a Copa América e repudiou as denúncias contra Caboclo. As empresas são:

  • Nike
  • Guaraná
  • Vivo
  • Itaú
  • Mastercard
  • Gol
  • Semp TCL
  • Fiat
  • Pague Menos
  • 3 Corações
  • Technogym
  • Statsports
  • Kin analytics
  • Cimed

Do total, seis não responderam ao nosso contato: Guaraná, TCL, Fiat, Technogym, Statsports e Kin Analytics.

As outras se manifestaram, mas muitas não quiseram falar sobre a Copa América. A Nike, por exemplo, não trouxe sua posição sobre o torneio. A empresa disse estar preocupada com as graves acusações contra Rogério Caboclo e que acompanha de perto a apuração do caso.

A Vivo também ressaltou que não patrocina o torneio, e sim a CBF. A empresa disse que está acompanhando com atenção as apurações sobre o caso e repudia qualquer ato de assédio ou discriminatório.

A Pague Menos também repudiou qualquer ato de assédio e disse que não é patrocinadora do evento, apenas da CBF. A mesma resposta da 3 Corações.

A Gol, que ainda foi contratada para transportar as delegações, disse que reforça seu compromisso com a segurança de todos e reitera que segue protocolos de saúde e sanitização certificados pelo hospital Albert Einstein.

A Cimed afirmou que segue com o seu compromisso junto aos atletas, à comissão técnica e à CBF, desde que sejam cumpridos e garantidos todos os protocolos de segurança para a realização dos jogos da Copa América, não só para os times participantes, mas para toda a nossa população.

Já o Itaú declarou que a decisão cabe à entidade organizadora dos torneios em conjunto com as autoridades competentes. O banco afirmou que o mais importante é que todos os protocolos de segurança sejam seguidos com o máximo rigor. O Itaú também disse que recebeu com preocupação as denúncias contra Caboclo.

A TCL não nos respondeu, mas decidiu usar o espaço nos jogos para exibir mensagens de conscientização e prevenção ao vírus.

Entre as empresas que patrocinam a CBF, algumas também eram patrocinadoras da Copa América. Uma delas decidiu se retirar, é a Mastercard que declarou que, após análise criteriosa, decidiu por não ativar o patrocínio à Copa América no Brasil. A empresa não vai expor a marca no campo, nem nas entrevistas de jogadores e técnicos.

A Mastercard foi a primeira a desistir. Outras empresas fizeram o mesmo e decidiram não expor suas marcas na competição. A segunda foi a Ambev, empresa de várias marcas de cerveja, que disse seguir apoiando o futebol brasileiro. Depois foi a vez da Diageo, empresa de bebidas dona de marcas como Smirnoff e Johnnie Walker. A empresa anunciou que a decisão foi tomada diante da atual situação sanitária brasileira e em respeito ao momento da pandemia da covid-19.

Marketing esportivo

O sócio da Sports Value Marketing Esportivo, Amir Somoggi, explica que a situação afasta futuros negócios e os próprios torcedores. Ele afirma que ainda mostra uma falência do modelo já que as empresas pagaram e optaram por não mostrar a marca durante os jogos.

“Eu tenho mostrado para os clientes que no digital você pode sem fazer o mal, fazer o bem, ganhar dinheiro e aumentar o seu valor de marca. Então, qual marca patrocinadora de esporte está fazendo o bem na pandemia como a Magalu ou a Natura? Ou o Itaú que está no futebol e está fazendo o bem fora do futebol. Por que o futebol sul-americano não carrega esses valores positivos que são tão fortes no mundo corporativo? O futebol tem de se repensar como propósito, como entidade de melhorar a sociedade que ela está inserida. Por que outros setores econômicos têm de continuar sofrendo, porque o Flamengo quer a volta do público aos estádios? Está faltando uma consciência dos clubes de que eles representam milhões de pessoas. Quanto mais eles ferirem aspectos socioambientais, menos apoio vai ter da comunidade e também da sua torcida”, disse.

A professora de estratégia e mídias digitais da Coppead/UFRJ, Paula Chimenti, explica porque as marcas tomam a decisão de abrir mão de um patrocínio.

“A gente está falando de grandes marcas que patrocinam esses eventos de grande porte, então já são marcas que já são reconhecidas. Elas estão buscando associações efetivas positivas com seus potenciais consumidores. Quando você se vê no meio do patrocínio de um evento que acabou cercado por polêmicas, a gente começa a compreender o movimento das marcas de falar ‘talvez não seja o melhor momento, não seja a melhor exposição da minha marca’. Não pelo reconhecimento, mas por conta das associações que podem passar a ter conotações negativas”, explicou.

A realização da Copa América e seus desdobramentos econômicos foram temas abordados no programa ‘Dinheiro na Conta‘ desta segunda-feira (14).
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