Medidas econômicas

“Biden não quer incorrer no mesmo erro de Obama”, avalia ex-diretor do Banco Mundial

Para o economista, o novo presidente americano enfrenta "corrida contra o tempo" para aprovar medidas econômicas
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Foto: Arquivo pessoal

O economista Otaviano Canuto, membro sênior do Policy Center for the New South e ex-diretor-executivo e ex-vice presidente do Banco Mundial, enxerga no democrata Joe Biden, presidente dos EUA, a oportunidade de marcar o início de um novo governo pela aprovação de medidas robustas na economia, logo nos primeiros dois anos de gestão. 

Em entrevista ao Dinheiro Na Conta, Canuto destaca a rapidez do novo governo em apresentar um pacote de estímulo econômico. “É marcante a preocupação de Biden de começar a mil”, avalia.

Na última quinta-feira (15), seis dias antes de tomar posse, Biden anunciou um plano de estímulo no valor de US$ 1,9 trilhão como resposta à crise econômica gerada pela pandemia nos EUA. 

Entre as medidas do pacote, estão o direcionamento de US$ 400 bilhões para combate direto à pandemia, repasse de US$ 350 bilhões para Governos estaduais e locais, aumento do seguro-desemprego e US$1 trilhão para auxílio aos trabalhadores americanos. 

Para Canuto, a velocidade na apresentação e aprovação das medidas é crucial para que a gestão de Biden não caia nos mesmos entraves enfrentados por seu antecessor democrata. Barack Obama, ex-presidente dos EUA, perdeu apoio no Congresso dois anos depois de assumir, nas eleições de meio de mandato, em 2010. 

“O pacote de estímulo econômico apresentado na semana passada mostra que Biden não quer incorrer no mesmo erro de Obama nos dois primeiros anos dele, em que perdeu a maioria no Congresso, e a partir daí simplesmente foi impossibilitado de fazer uma política fiscal agressiva”, avalia o Canuto, que é também diretor do Center for Macroeconomics and Development em Washington.

Apesar de o Partido Democrata ter maioria nas duas casas legislativas, a margem governista no Senado é apertada: cada legenda ficou com 50 senadores. O desempate fica a cargo de Kamala Harris, vice-presidente e presidente do Senado, que terá o voto de minerva nas decisões da Casa. Nesse cenário, o governo tem o desafio de conquistar unanimidade entre os democratas e impedir possíveis obstruções no Senado, pelo lado dos Republicanos. 

“É uma corrida contra o tempo”, avalia Canuto. Uma corrida que, além da crise econômica, traz o desafio de controlar a pandemia do novo coronavírus, que já deixou mais de 400 mil mortos nos Estados Unidos.

 “Sem combater o vírus, você não tem a recuperação dos serviços e a economia também não decola.  O último trimestre do ano passado já mostrou isso”. 

Em dados anualizados, a economia americana cresceu 33,4% no terceiro trimestre de 2020. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta, no entanto, um quarto trimestre de crescimento mais fraco, abaixo de uma taxa anualizada de 5%.

Para enfrentar os desafios da maior crise econômica da História recente, Biden nomeou para a Secretaria de Tesouro o nome de Janet Yellen, a primeira mulher a ocupar o cargo. Yellen foi chefe do Federal Reserve, o Banco Central americano, e trabalhou na Casa Branca no governo de Bill Clinton. 

Canuto, que foi colega da nova secretária de Tesouro no centro de estudos Brookings Institution, de Washington, avalia que ela é “a pessoa certa” para lidar com os desafios postos para a economia americana. “A fala dela no Senado foi notável. Ela não só repetiu como mantra o fato de agir de maneira grande, e agora, no início do governo, como fez referências às mudanças climáticas e a necessidade de enfrentamento da concentração de renda”. 

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