DEMISSÃO COLETIVA

Secretários do Ministério da Economia pedem exoneração

Após governo liderar uma manobra para ampliar teto de gastos, secretários pediram demissão. Ministério da Economia diz que saídas ocorrem por motivos pessoais
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Após o governo liderar uma manobra para ampliar o teto de gastos e fechar um acordo, na manhã desta quinta (21) com o relator da PEC dos Precatórios, deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), que ampliará os gastos para 2022 em R$ 83 bilhões – uma forma de garantir o Auxílio Brasil de R$ 400, quatro secretários do Ministério da Economia pediram exoneração dos cargos.

Em nota, o Ministério da Economia disse que os pedidos de demissão ocorrem por razões pessoais. Deixam a equipe do ministro Paulo Guedes o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal; o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt; a secretária especial adjunta do Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas; e o secretário adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araújo.

Bruno Funchal - secretário especial do Tesouro e Orçamento
Bruno Funchal – secretário especial do Tesouro e Orçamento, pediu exoneração do cargo juntamente com Jeferson Bittencourt, secretário do Tesouro Nacional; a secretária especial adjunta do Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas; e o secretário adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araújo/Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Ao lado de Bittencourt, Funchal era um dos principais auxiliares do ministro da Economia. Ele havia assumido a Secretaria Especial da Fazenda no final de abril deste ano, no lugar de Waldery Rodrigues – que também saiu após desgastes com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e com o Congresso Nacional nos debates sobre o Orçamento 2021.

No acordo fechado na manhã desta quinta, o governo mudou a correção do teto de gastos e abriu espaço através de alterações no pagamento de precatórios. Atualmente, o teto de gastos é corrigido pelo IPCA acumulado nos últimos 12 meses, até junho do ano anterior ao exercício fiscal. A alteração proposta considera o ano fechado, de janeiro a dezembro, o que garantiria R$ 40 bilhões a mais, somados a outros R$ 40 bilhões alcançados com as alterações nas regras de pagamento de precatórios pelo governo. A soma resultará em cerca de R$ 83 bilhões acima do teto de gastos do governo para o ano que vem. O anúncio do acordo derrubou a Bolsa de Valores em 4% e fez o dólar encostar nos R$ 6.

Além do Auxílio Brasil, em agenda de viagem à Região Nordeste, Bolsonaro voltou a prometer mais um auxílio, sem dizer de onde sairão os recursos. Em viagem ao município de Sertânia, no Sertão de Pernambuco, onde inaugurou o Ramal do Agreste, o presidente prometeu um auxílio para 750 mil caminhoneiros, para compensar o aumento do valor do óleo diesel.

Apenas no mês de outubro, o diesel já foi reajustado duas vezes pela Petrobras. Os caminhoneiros prometem entrar em greve a partir de 1º de novembro se o governo não reduzir o preço do óleo diesel nos postos de combustíveis.

Mercado financeiro deve reagir a demissões no Ministério da Economia nesta sexta

A debandada do Ministério da Economia ocorreu após o fechamento do pregão desta quinta, mas especialistas já sinalizam que o mercado não deve reagir bem ao acontecimento. “Vai ter mais volatilidade. Essa notícia veio depois do mercado fechar e mostra um cenário de incerteza de pessoas lá dentro. Dada essa noticia, o mercado vai continuar volátil e não deve abrir bem amanhã’, explica Guilherme Assis, CEO do Gorila, em entrevista ao MyNews Investe.

Nesta quinta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 2,75%, aos 107.735 pontos, em reposta às declarações do ministro Paulo Guedes sobre furar o teto de gastos a favor do Auxílio Brasil e da promessa feita pelo presidente Jair Bolsonaro de ajudar 750 mil caminhoneiros para compensar o aumento do valor do óleo diesel.

Assista ao Café do MyNews, no Canal MyNews, de segunda a sexta, a partir das 8h30, com apresentação de Juliana Braga

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