SEGUNDA CHAMADA

Taxa de desemprego não pode ser parâmetro para controlar a inflação

Falar em "taxa de desemprego de equilíbrio" num país onde número de desempregados alcançou 14,8 milhões de pessoas, é penalizar a população mais pobre
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Falar em “taxa de desemprego de equilíbrio” num país onde o percentual de desempregados alcançou a marca de 14,7% – ou 14,8 milhões de pessoas – é um parâmetro que tende a penalizar a população mais pobre. O percentual de desempregados no Brasil atualmente é o maior da série histórica, iniciada em 2012, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e é apenas um dos dados que mostram a vulnerabilidade da maioria dos trabalhadores brasileiros na atual conjuntura.

O assunto foi tema do Segunda Chamada e motivou um debate sobre a questão do trabalho informal. No Brasil, essa “taxa de desemprego de equilíbrio”, que não pressionaria o aumento da inflação, está calculada atualmente em 10%.

Taxa de desemprego no Brasil bate recorde da série histórica.
Taxa de desemprego no Brasil bate recorde da série histórica. Foto: Jeso Carneiro (Flickr).

“O que os analistas explicam é que a nossa inflação é influenciada por outros fatores, como a alta do dólar, um período de alta de commodities, a alta do preço da energia. Se a gente for botar outros fatores, a gente ainda está com os juros mais altos e nem assim consegue segurar a inflação. Essa não é a minha área, eu cubro mais política, mas é surreal achar que para um país estar equilibrado, a gente precisa de 10 milhões de pessoas desempregadas”, argumentou a jornalista Juliana Braga – pontuando que a justificativa de reduzir o custo do trabalho foi utilizada para realizar uma reforma trabalhista, com a promessa de criar mais empregos.

“Mas esses empregos não aconteceram. Aí falam: não, mas é porque teve crise política e aí não teve emprego. E a impressão que eu tenho é que a gente está o tempo todo justificando o fato de que a nossa economia não investe em educação, a gente não tem qualificação do profissional, da mão-de-obra, e a gente tem um sistema que penaliza quem está na base da pirâmide e parece que vai continuar penalizando, pelo visto”, acrescentou.

No Brasil, segundo a Pnad, a população ocupada é de 85,9 milhões de pessoas – o que significa que 48,5% das pessoas com idade para trabalhar estão ocupadas no país. O número de subocupados alcançou 33,3 milhões de pessoas, enquanto os que desistiram de procurar trabalho por estarem desalentados, ou desesperançados, somou 6 milhões de pessoas. A informalidade é a realidade de 34,2 milhões de pessoas no Brasil – que trabalham sem carteira assinada, sem CNPJ, ou sem remuneração.

Se a média geral de desemprego está em 14,2%, entre as mulheres ela sobe para 17,9%. Entre as pessoas pretas e pardas, o desemprego está em 19,1% – também um recorde na série histórica realizada desde 2012. Já entre a população jovem, com idade entre 18 e 24 anos, a taxa de desemprego alcança os 31%.

Jefferson Nascimento, advogado e coordenador da Oxfam Brasil, analisou como a reforma trabalhista de 2018 teve impacto no aumento da informalidade e como as mulheres foram as mais afetadas nesse processo. Se antes da pandemia falava-se na diminuição da taxa de desemprego e verificava-se que essa redução se dava pela criação de postos de trabalho informais, o advento da pandemia fez desaparecer justamente esse trabalho precarizado.

“Começou a pandemia e o que aconteceu? As primeiras pessoas a perder o emprego foram justamente as que estavam nesses postos de trabalho informais. E ainda tem mais uma coisa: as mulheres estão super representadas entre os trabalhadores informais. Então tem um duplo impacto, que já acontecia na reforma trabalhista: a gente vai reduzir os direitos, vai aumentar os empregos com pessoas com menos direitos, e quando vem uma crise, esses postos são muito voláteis e isso acaba fatalmente aumentando a desigualdade”, analisou Nascimento.

Assista à integra do Segunda Chamada. O programa vai ao ar todas as segundas-feiras, a partir das 20h30, no Canal MyNews.

Leia também – Órgão técnico da Câmara afirma que piso para o Fundo Eleitoral é de R$ 800 milhões

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