Renan Santos (Foto: Iago Yoshimi Seo)
Fundador do MBL foi confirmado como candidato durante a primeira convenção nacional do partido, que disputará pela primeira vez uma eleição presidencial e proporcional em 2026
O partido Missão oficializou neste sábado (1º), em São Paulo, a candidatura de Renan Santos à Presidência da República durante congresso realizado no Komplexo Tempo, na Zona Leste da capital paulista. Em seu discurso, o presidente da legenda rejeitou a classificação de sua candidatura como integrante da chamada terceira via e afirmou que o projeto político da sigla pretende seguir um caminho próprio.
Renan subiu ao palco por volta das 17h30 e iniciou a fala relembrando a criação do Movimento Brasil Livre (MBL), há 12 anos. Segundo ele, a trajetória do grupo foi marcada por sucessivos desafios políticos, citando o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) como um dos momentos que, em sua avaliação, colocaram o movimento à prova.
Críticas ao conceito de terceira via
Ao longo do discurso, o candidato sustentou que a candidatura da Missão não representa uma alternativa construída em oposição aos demais campos políticos, especialmente ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para Renan, o partido busca consolidar uma identidade própria.
“Nós não somos nada de terceira via. Nós construímos o próprio caminho com as próprias ideias, com as próprias cores, com o próprio sonho, com a própria imaginação”, afirmou.
Na sequência, o candidato também disse que a legenda não se define pelo antagonismo ao PT e defendeu que um projeto político não deve ser construído exclusivamente em função de seus adversários.
“Nós não somos a negação do PT. Nós não somos antipetistas. Nós não somos como outros ratos que se vestem de verde e amarelo, se apropriando dos símbolos nacionais só para dizerem: ‘veja só, eu sou o oposto do Lula (PT)’. Quando você se define pelo seu inimigo, você nunca o supera”, declarou.
Ainda durante a manifestação, Renan afirmou que o país atravessa um período que classificou como “a noite do petismo” e associou as propostas da legenda à construção de um novo projeto político.
Ataques a Flávio Bolsonaro
O presidente da Missão também direcionou críticas ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Sem apresentar elementos adicionais durante o discurso para embasar as declarações, Renan fez ataques ao adversário e afirmou:
“O farsante, o fraco, o corrompido Flávio Bolsonaro. Aquele que trocou os 1 milhão na rua por 1 milhão na conta.”
Renan teceu críticas ao senador e candidato ao governo do Paraná Sérgio Moro: “não vamos nos trocar por um cargo como o senhor Sérgio Moro fez”. Ao citar Moro, a militância ecoou ofensas ao candidato. E prosseguiu com a polêmica frase: “A voz do povo não é a voz de Deus. A voz de Deus é a voz dos corajosos”
Ao se referir ao bolsonarismo e petismo, Renan diz que ambos devem ser jogados na lata de lixo da história: “é a história daquele grupo que levou uma das maiores manifestações do mundo no nosso século. Fomos condenados pelo sonho do PT”
Durante o discurso, o candidato a vice-presidente Aroldo Medina fez uma analogia ao defender a renovação política. Citando o senador Flávio Bolsonaro, afirmou que “uma vassoura velha não funciona, não limpa”, em referência à necessidade de substituir lideranças tradicionais.
Já o deputado Kim Kataguiri defendeu que a Missão pretende adotar medidas consideradas impopulares no início de um eventual governo, e que somente a Missão “tem coragem de assumir as medidas necessárias para melhorar o Brasil”
Ao abordar programas sociais, Kataguiri afirmou que a legenda pretende reformular a porta de entrada do Bolsa Família, vinculando parte da política de assistência à inserção no mercado de trabalho.
“A porta de entrada do Bolsa Família vai mudar. Vai ter emprego. Vamos chegar ao cidadão saudável e perguntar se ele quer trabalhar e receber mais do que o Bolsa Família”, disse.
Na área da segurança pública, ele também defendeu o endurecimento das políticas de combate ao crime e afirmou que um eventual governo da Missão faria pronunciamentos frequentes sobre o tema.
“A gente avança também no ‘prendeu, matou’. Eu desafio o presidente da República a fazer pronunciamentos semanais para, semana a semana, mostrar a mancha do crime sendo retomada pela sociedade brasileira”, afirmou.
Sem formar coligações com outras legendas, o Missão pretende se apresentar como uma alternativa no campo da direita. Entre as principais diretrizes anunciadas pela legenda estão propostas voltadas à segurança pública, com inspiração declarada no modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele. O plano também prevê endurecimento no combate às facções criminosas, criação de presídios de segurança máxima, metas de redução dos índices de homicídio e um projeto de “desfavelização” com horizonte de 30 anos.
Na área econômica, a sigla defende uma agenda de reformas de perfil liberal e privatizações. Além da chapa presidencial, o partido pretende lançar cerca de 450 candidatos a deputado em todo o país, tendo Kim Kataguiri como um dos principais nomes em São Paulo.
Aos 42 anos, Renan Santos é um dos fundadores do Movimento Brasil Livre, organização que ganhou projeção nacional durante as manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Músico de formação, ele disputa pela primeira vez um cargo eletivo.
Segundo as informações apresentadas no material-base, o candidato aparece variando entre 3% e 9% das intenções de voto em levantamentos eleitorais, em empate técnico com outros nomes que buscam ocupar o espaço do que ele chama de “verdadeira direita” no cenário presidencial.
O grupo político liderado por Renan Santos apoiou Jair Bolsonaro no segundo turno na eleição de 2018, mas rompeu com o então presidente no ano seguinte. Desde então, o dirigente passou a adotar uma postura crítica ao bolsonarismo, ampliando os ataques ao senador Flávio Bolsonaro, apontado como um dos possíveis candidatos da direita à Presidência em 2026.
Em uma transmissão realizada em janeiro deste ano, Renan Santos elevou o tom contra o adversário ao afirmar: “O traíra tem que morrer, e o traíra é o Flávio Bolsonaro. Ele precisa ser destruído, e eu vou acabar com a raça do Flávio Bolsonaro”.