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Autora do MyNews Explica Pesquisas Eleitorais diz como identificar manipulações, por que escândalos não afetam certas candidaturas e o que as campanhas sabem sobre você
Você já desconfiou de uma pesquisa eleitoral? Pois saiba que essa desconfiança pode estar sendo usada contra você. Denilde Holzhacker, cientista política e autora do livro MyNews Explica Pesquisas Eleitorais, explica que a maioria dos questionamentos populares nasce de um erro básico: confundir pesquisa com previsão do futuro. Uma pesquisa não é uma corrida de cavalos. Trata-se de uma fotografia de um momento específico. E como toda foto, ela captura uma realidade que pode mudar no segundo seguinte. O problema é que poucos sabem ler essa imagem corretamente, e é aí que começa a manipulação.
Antes de acreditar em qualquer número, Holzhacker aponta quatro perguntas essenciais.
Primeiro: a pesquisa tem registro no TSE? Sem ele, é enquete de internet, sem valor científico.
Segundo: a amostra contempla diversidade nacional, regional e demográfica?
Terceiro: qual foi o método de coleta? Formulários online são vulneráveis a robôs.
E a quarta, talvez a mais poderosa, é saber quem pagou. A origem do financiamento, seja mídia, partido ou órgão público, determina como os dados serão interpretados e inseridos na narrativa política.
O ceticismo de quem “nunca foi entrevistado” é compreensível. Mas metodologicamente equivocado. Uma amostra de 2.000 a 3.000 pessoas pode representar estatisticamente a opinião de um país inteiro. No entanto, tem que reflitir com precisão a diversidade social, econômica, geográfica, de gênero e de escolaridade da sociedade.
O desafio, porém, está crescendo: o modelo tradicional do século XX, com entrevistas porta a porta e ligações telefônicas, enfrenta a resistência de um eleitorado que não atende mais a porta nem o telefone. Os institutos respondem com novas ferramentas, monitoramento de redes sociais, tendências de busca online e pesquisas qualitativas, enquanto a margem de erro exige atenção redobrada num cenário em que a diferença entre candidatos pode ser de apenas um ou dois pontos percentuais.
O que poucos percebem é que as pesquisas não apenas refletem a opinião pública: elas também a constroem. O chamado “efeito manada”, quando eleitores migram para o candidato que lidera para não “desperdiçar” o voto, convive com seu oposto, o voto de rejeição, impulsionado pelo desejo de derrotar um adversário.
Num eleitorado cada vez mais emocional e menos pragmático, escândalos graves simplesmente não movem as intenções de voto de apoiadores com convicção cristalizada. E enquanto o público debate os números divulgados, as campanhas monitoram o eleitorado em tempo real com pesquisas diárias fechadas, testando o impacto de cada aliança, cada discurso, cada imagem. A assimetria de informação é total, e conhecer as regras do jogo é a única forma de não ser apenas um dado numa planilha.