colunista Hermínio Bernardo
Produtor e repórter do MyNews
LITERATURA EM FATOS

A educação contra o capacitismo

Ministro da Educação terá de dar explicações após falas contra alunos com deficiência
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O ministro da Educação, Milton Ribeiro, fez várias declarações capacitistas nas últimas semanas que repercutiram e chamaram a atenção. Ele terá de prestar esclarecimentos ao Senado depois de uma série de falas públicas.

Em uma entrevista à TV Brasil, Milton Ribeiro disse que crianças com deficiências “atrapalhavam” os demais alunos quando estão na mesma sala de aula.

Ministro Milton Ribeiro em entrevista à TV Brasil. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Na contramão do que os maiores especialistas em educação defendem, o ministro da Educação diz ser contra a inclusão de alunos com deficiência com os demais estudantes.

“Nós não queremos o inclusivismo, criticam essa minha terminologia, mas é essa mesmo que eu continuo a usar”, disse o ministro em outra entrevista.

Antes disso, para tentar se explicar, Ribeiro afirmou que existem crianças com “um grau de deficiência que é impossível a convivência”. 

“Imagina uma professora de geografia: ‘aqui é o rio Amazonas’ para uma criança que tem deficiência visual, são elas também. Tem outras que são surdas, por exemplo, tem uma gama de crianças, tem alguns graus de autismo e tem um grupo que a gente esquece que são os superdotados, que também estão nesse grupo, que precisam de uma atenção especial”, também declarou o ministro.

Justamente por isso, a necessidade de inclusão e adaptação dos professores para lidar com os alunos. Um globo terrestre (ou uma simples bola) na mão de um aluno com deficiência visual daria essa noção para ele sobre onde fica o rio Amazonas e qualquer país do mundo.

Talvez inspirado no antecessor, o ministro tem feito declarações polêmicas e que repercutem justamente pelo cargo e ocupa. Milton Ribeiro já afirmou que “A universidade, na verdade, deve ser para poucos”.

O ministro também já disse que gays “vêm de famílias desajustadas” e usou o termo “homossexualismo”, que é preconceituoso.

As ações e declarações já tem uma consequência: o Enem 2021 será o mais elitista e branco da história. O número de inscritos com isenção na taxa de inscrição caiu 77%.

Todo e qualquer desenvolvimento – de pessoa com ou sem deficiência – passa pela educação. Ao invés de seguir o ministro, uma alternativa melhor é “Stoner”. O livro de John Williams conta a história do protagonista que dá nome a obra. Um filho de camponeses, que se torna professor por sua paixão pela literatura.

“Para William Stoner o futuro era uma certeza nítida é inalterável. Aos seus olhos, não era um fluxo de eventos e mudanças e potencialidade, mas um território virgem só à espera de ser explorado. Via-o como a vasta biblioteca da universidade, para a qual novas alas poderiam ser construídas, à qual livros novos poderiam ser adicionados com alguns dos velhos sendo retirados, enquanto a sua verdadeira natureza permanecia essencialmente inalterada”.

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