O encontro entre Bolsonaro e Beatrix von Storch Foto postada pela deputada alemã neonazista Beatrix von Storch com o presidente Jair Bolsonaro. Foto: redes sociais.

O encontro entre Bolsonaro e Beatrix von Storch

Assim como Beatrix, Jennifer Teege é neta de um dos principais líderes nazistas. Ela não conhecia a própria história e busca entender o passado.

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  • Senador Omar Aziz, presidente da CPI, condenou o encontro secreto de Jair Bolsonaro com a eurodeputada Beatrix von Storch na última semana.
  • Aziz afirmou que a reunião viola a Constituição, a democracia brasileira e o histórico de combate ao nazismo pelo Exército.
  • Beatrix von Storch é neta de Lutz Graf Schwerin von Krosigk, ministro das Finanças de Adolf Hitler.
  • O senador ressaltou que atos de apoio a Bolsonaro costumam exibir bandeiras de Israel, contrastando com o encontro citado.

O encontro entre o presidente Jair Bolsonaro e a deputada alemã neonazista Beatrix von Storch ocorreu há duas semanas, mas continua repercutindo. Storch é neta de um dos ministros do regime nazista de Adolf Hitler. A reunião aconteceu às escondidas, fora da agenda do presidente, e só veio à tona após a alemã publicar uma foto nas redes sociais dias depois.

Foto postada pela deputada alemã neonazista Beatrix von Storch com o presidente Jair Bolsonaro. Foto: redes sociais.

Na última semana, o presidente da CPI, senador Omar Aziz, retomou os trabalhos da comissão com uma dura crítica à postura de Bolsonaro.

“Agora, faz diferença sim a nossa atuação aqui para que mais de 555.000 vidas que já se perderam não fiquem impunes. Diferente, às escondidas o presidente recebe uma deputada nazista, afrontando a Constituição brasileira, afrontando a nossa democracia, afrontando o Holocausto, afrontando o Exército brasileiro, que lutou contra o nazismo. Nós temos que respeitar o povo judeu. Quando é para pedir ajuda, liga para o 1º ministro de Israel, mas, às escondidas, se reúne com uma deputada nazista. Não podemos permitir isso. Nazismo não!”, declarou Aziz.

Aziz ainda lembrou que a presença de bandeiras de Israel é frequente em atos de apoio ao presidente Bolsonaro.

Nas redes sociais, Beatrix von Storch disse que esteve no Brasil “para conquistar aliados para o AfD”. AfD é a legenda do partido de Storch, que é investigada por crimes de ódio na Alemanha. Ela já deu diversas declarações xenofóbicas e preconceituosas, defendeu que a polícia alemã abrisse fogo contra imigrantes e é uma das maiores opositoras do casamento homoafetivo.

Beatrix é neta do ministro das Finanças de Adolf Hitler, Lutz Graf Schwerin von Krosigk, um dos principais responsáveis pela perseguição aos judeus para roubar pertences e lavar ilegalmente o dinheiro.

Assim como Beatrix, Jennifer Teege é neta de um dos principais líderes nazistas. No livro “Amon, meu avô teria me executado”, ela conta como descobriu que era neta de Amon Göth, comandante do campo de concentração de Plaszow, na Polônia, conhecido pela extrema violência. Amon foi retratado no livro e no filme “A lista de Schindler”.

Mulher e negra, Jennifer Teege não conhecia a própria história e busca entender o passado. Algo essencial para a nossa sociedade.

“Estou na Biblioteca Central de Hamburgo, e tenho nas mãos um livro de capa vermelha que acabo de puxar da prateleira. Procuro o subtítulo: “A história da vida de Monika Göth, filha do comandante do campo de concentração do filme A lista de Schindler.” Monika Göth! Conheço esse nome. É o nome da minha mãe, que no passado me deixara em um orfanato e que não vejo há muitos anos.”