Para fugir de agenda negativa, Lira traz crise de governadores para o seu colo O atual presidente da Câmara dos Deputados, deputado Arthur Lira (PP-AL). Foto: Luis Macedo (Câmara dos Deputados).

Para fugir de agenda negativa, Lira traz crise de governadores para o seu colo

O presidente da Câmara se reúne nesta terça-feira com gestores locais

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  • Arthur Lira, presidente da Câmara, reuniu-se hoje na residência oficial com governadores de diferentes partidos.
  • O encontro busca conter a repercussão negativa após a tentativa de aprovar a PEC que protegeria deputados de futuras prisões.
  • Lira adotou a estratégia de seu antecessor Rodrigo Maia, que mediava tensões entre Jair Bolsonaro e gestores estaduais.
  • No Planalto, a iniciativa é vista com desconfiança; assessores de Bolsonaro alertam que o presidente “dorme com o inimigo” e exigem lealdade.

O presidente da Câmara, Arthur Lira, se reúne hoje na residência oficial com governadores de diversos partidos. Lira tenta apagar o desgaste da semana passada, quando acreditou ter fôlego para aprovar uma PEC que blindaria os deputados de futuras prisões. Mas, com o movimento, pode acabar trazendo para o seu colo uma crise com solução muito além da sua capacidade.

Lira reproduz um comportamento de seu antecessor, Rodrigo Maia. Toda vez que a temperatura entre Bolsonaro e os gestores locais chegava próxima à ebulição, Rodrigo chamava-os à mesa para colocar água na fervura. Funcionava para ele porque o parlamentar fluminense tinha um lado, o dos governadores. E, ainda assim, por pouco tempo. Logo a panela começava a esquentar de novo.

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No Planalto, o movimento de Lira é visto com certa desconfiança. Um auxiliar de Bolsonaro diz que o presidente sabe estar “dormindo com o inimigo”, mas espera lealdade do aliado que ajudou a chegar ao comando da Câmara. Suas declarações serão observadas com bastante atenção.

Do lado dos governadores, a expectativa também não é das mais altas. Há uma pauta a ser negociada com o Congresso que passa desde a manutenção do auxílio emergencial até uma agenda de investimentos para a retomada da economia. Espera-se também a criação de regras claras para o estabelecimento de lockdown, mas no fundo os governadores sabem que pouco pode ser feito sem a participação do governo federal.

Ainda assim, é um esforço em meio ao avanço do coronavírus, que já matou mais de 250 mil brasileiros, enquanto políticos apontam os dedos entre si. 

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