Subi a 2.600 metros para cobrir Macará x Santos e entendi o que a altitude cobra Foto: Livia Camilo

Subi a 2.600 metros para cobrir Macará x Santos e entendi o que a altitude cobra

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Fui a Ambato, no Equador, acompanhar o Peixe pelas oitavas de final da Sul-Americana e entendi — nos pulmões — a responsabilidade dos jogadores em campo

O árbitro apitou o final da partida no Estádio Bellavista, em Ambato, cidade a cerca de 150 km de distância da capital Quito, e os atletas do Santos se atiraram no gramado. Não era a comemoração clássica de quem se classifica. Era cansaço mesmo — daquele em que você nem escolhe a posição em que vai cair.

A 2.600 metros de altitude, o 0x0 contra o Macará valeu vaga nas quartas de final da Copa Sul-Americana, mas o placar não conta o que aconteceu em campo.

Isso porque nem os jovens atletas do elenco santista escaparam dos efeitos da altitude. O lateral-direito Davizinho, de 18 anos, não aguentou os dois tempos em campo e precisou ser substituído. Começou firme na marcação, disputando bolas — e foi ficando sem ar. O técnico Cuca contou o episódio após a partida.

“A gente estava com o Davizinho no começo. Ele sentiu o jogo, abafou o Macará (na marcação), mas não vinha o ar, não vinha o ar. ‘Professor, não vem o ar’. A gente trocou no intervalo”, afirmou o treinador do Peixe.

Não vem o ar. Eu sei exatamente do que ele está falando.

Fui até Ambato acompanhar o jogo e a altitude me pegou muito antes do apito inicial. Foi difícil até caminhar. Subir escadas então, nem pensar. E isso para uma pessoa que corre provas. Dor de cabeça, respiração ofegante e muito cansaço. O sono, inclusive, era algo latente. Bocejos constantes, com o corpo pedindo para desligar a qualquer hora do dia.

O coração então? 140 bpm numa caminhada de pace 12.

Agora multiplique isso por 90 minutos de futebol de alto nível. Marcação, sprint, disputa aérea, transição. Só que do outro lado, há um adversário jogando em casa e acostumado com o ar rarefeito.

Vivenciar um pouquinho do que as competições sul-americanas proporcionam quando a questão é variedade geográfica me trouxe uma nova perspectiva sobre as dificuldades que os clubes enfrentam nessa logística.

Sai do Brasil no nível do mar, viaja 13 horas até Ambato e, de repente, o corpo do atleta está num lugar onde a coisa mais básica do jogo — respirar — vira tarefa dura. Não é frescura, é fisiologia. E, principalmente, é um problema de manutenção do alto rendimento que nenhum treino tático resolve na véspera.

Por isso não tenho dúvidas de que Neymar e Gabigol foram muito bem poupados nessa partida. Os craques sequer viajaram com o elenco para o Equador.

Numa temporada longa, com jogo a cada três dias, decidir quem sobe a montanha é tão estratégico quanto escolher a escalação.

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A repórter viajou ao Equador a convite do Santos Futebol Clube

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