Por que o Brasil deve chegar às 4 mil mortes diárias pela Covid-19? Cemitério Nossa Senhora Aparecida, o maior de Manaus, Amazonas. Estado é um dos mais afetados pela pandemia. (Foto: Altemar Alcantara/Semcom) REDE ANÁLISE COVID-19

Por que o Brasil deve chegar às 4 mil mortes diárias pela Covid-19?

Pesquisador alerta que taxas altas de mobilidade, lotação de UTIs e crescimento exponencial do número de mortos devem agravar pandemia em abril

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  • Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise Covid‑19, alerta que o Brasil pode chegar a 4 mil mortes diárias por Covid‑19 em abril.
  • A projeção considera alta mobilidade, UTIs lotadas, chegada do outono/inverno e falta de medidas restritivas.
  • Março foi o mês mais letal da pandemia no país, e a mobilidade ainda supera os níveis de março de 2020.
  • Amazonas já vive caos hospitalar e aumento de óbitos, refletindo a tendência nacional.

Depois de março – o mês mais letal na pandemia no Brasil até aqui – abril chega com um cenário que pode ser ainda mais letal da covid-19 no país. Essa é a avaliação de Isaac Schrarstzhaupt, cientista de dados e Coordenador da Rede Análise Covid-19: “Parece redundante falar em crescimento crescendo mas essa é a característica do movimento exponencial da pandemia. E é isso que tem acontecido”. 

Há duas semanas, no dia 19 de março, a Rede Análise Covid-19 alertou para o risco do país atingir as 4 mil mortes diárias em abril caso não fosse, adotadas medidas rígidas de restrição de mobilidade. Em entrevista ao Dinheiro Na Conta, Isaac explicou que a previsão atual é ainda mais pessimista do que a anterior. “A redução da mobilidade não chegou nem perto do que esteve em março de 2020”, disse.

Sistema de saúde do Amazonas vive caos diante do avanço da Covid-19 no estado e falta de ações contra o vírus
Amazonas vive caos e vê mortes crescerem diante do avanço da Covid-19 no estado e falta de ações contra o vírus.
(Foto: Chico Barata)

Além das taxas de mobilidade altas, o pesquisador explica que uma conjunção de fatores agrava o ritmo da mortalidade da covid-19 no Brasil: a lotação das UTIs, com filas de espera por leitos, a aproximação do outono e inverno, estações que favorecem a disseminação de vírus respiratórios, e a falta de medidas de restrição. 

“Nossas previsões tentam ser as mais conservadoras e otimistas possíveis, mas mesmo assim a gente enxerga que o cenário piorar”, avaliou Isaac. 

O especialista explicou também que o nível de imunização da população, com a vacinação, ainda é baixo para refletir de forma significativa nos números de mortos pela pandemia. “Não me parece que a vacinação neste momento é de onde a gente vai ver a saída de curto prazo”, afirmou.