“Potencial de sobrevida do Brasil voltou a níveis de 2013”, diz professora de Harvard EXPECTATIVA DE VIDA

“Potencial de sobrevida do Brasil voltou a níveis de 2013”, diz professora de Harvard

Pandemia vai reduzir expectativa de vida no país pela primeira vez em 80 anos. Em alguns estados, redução do indicador passa dos 3 anos.

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  • Pesquisa da demógrafa Márcia Castro, da Harvard T.H. Chan School of Public Health, indica que a expectativa de vida no Brasil recuou quase 2 anos em 2020.
  • O recuo chega a 3,62 anos no Amapá e 3,42 anos em Roraima, estados com maior impacto da Covid‑19.
  • Desde 1940 o país sempre avançava; a queda de 1,94 ano representa o primeiro retrocesso histórico no indicador.
  • O declínio está associado a mais de 375 mil mortes por Covid‑19, que revertam ganhos de saúde pública alcançados até 2019.

Com mais de 375 mil mortos pela covid-19, o Brasil deve ter uma redução próxima dos dois anos (1,94) na expectativa de vida da população. Em alguns estados, como Amapá e Roraima, o recuo passa dos três anos — queda de 3,62 anos no primeiro caso e 3,42 anos no segundo.

O resultado representa o primeiro retrocesso no indicador de expectativa de vida no país desde 1940 e faz parte de uma pesquisa liderada pela demógrafa Márcia Castro, professora titular da Harvard TH Chan School of Public Health. “O potencial de sobrevida do Brasil em 2020, com a pandemia, voltou a níveis de 2013”, afirma a pesquisadora, em entrevista ao Dinheiro Na Conta.

Desde 1940, quando a expectativa de vida era de 45,5 anos, o país vinha apresentando avanços no indicador. Em 2020, antes da pandemia, esperança de vida ao nascer no Brasil estava em 76,6 anos. A redução representa a primeira queda do indicador, que é referência no mundo para mensurar condições de saúde e bem-estar de uma população.

“Nós voltamos a um padrão de mortalidade que a gente não via desde 2013. Isso é um retrocesso em ganhos demográficos que o Brasil nunca tinha observado”, explica a pesquisadora. Ela explica que a tendência de queda da esperança de vida ao nascer é esperada em eventos extremos – como uma guerra ou uma pandemia.

O caso brasileiro, no entanto, é mais grave que o de outros países, segundo Castro. Nos Estados Unidos, por exemplo,a estimativa é que o indicador perca 1,13 anos, 73% a menos do que a redução no Brasil. “Alguns números ainda vão ser calculados, mas com certeza o Brasil vai estar no topo da lista dentre os países que mais perderam expectativa de vida com a pandemia”, diz a demógrafa.

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