Jornal Do MyNews
Presidente do PSD afirma que partido não é “centrão”, defende candidatura de Ronaldo Caiado e diz que aproximação com Lula dependerá dos projetos do novo governo
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta sexta-feira (6), em entrevista ao Jornal MyNews, que o partido está disposto a contribuir para que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva faça uma boa gestão. Segundo ele, porém, uma aproximação maior entre as duas partes dependerá dos projetos e das propostas apresentados pelo governo.
Kassab também afirmou que o PSD manterá uma posição independente. Para ele, o partido não se encaixa na definição de “centrão” e buscou uma candidatura própria para representar a legenda em um cenário político cada vez mais polarizado.
Durante a entrevista, Kassab falou sobre o futuro de Ronaldo Caiado dentro do PSD. O governador de Goiás disputou a eleição presidencial pelo partido e, segundo o dirigente, sua candidatura cumpriu um papel importante na estratégia da legenda.
Kassab afirmou que o PSD precisava apresentar um nome próprio em meio à polarização política. A escolha de Caiado, segundo ele, ajudou o partido a defender uma posição independente dos dois principais polos da disputa.
O presidente do PSD também afirmou que Caiado deverá contribuir com a direção partidária. A participação do governador na estrutura da legenda pode ajudar o partido a definir seus próximos passos e manter uma atuação própria no cenário nacional.
Kassab também comentou a possibilidade de aproximação com o governo Lula. Ele lembrou que, em 2022, o PSD não lançou candidato à Presidência. Naquele momento, integrantes do partido apoiaram Lula e permaneceram no governo.
Já em 2026, segundo Kassab, o partido adotou uma postura mais independente. Integrantes do PSD apoiaram diferentes candidaturas durante a eleição, incluindo Lula e candidatos de outros campos políticos.
Apesar disso, Kassab afirmou que existe disposição dentro do partido para ajudar o presidente a governar.
“O PSD tem disposição de ajudar o governo para que o Lula possa governar e fazer um bom governo.”
Para o dirigente, uma eventual aproximação não significa necessariamente uma adesão automática ao governo. O partido deve analisar os projetos apresentados pelo Planalto e conversar sobre quais propostas podem receber apoio.
Kassab afirmou que a relação entre o PSD e o governo Lula deve avançar conforme os projetos programáticos da nova administração.
Segundo ele, o partido pretende manter o diálogo aberto e avaliar as propostas do governo antes de definir uma participação mais próxima. A ideia é construir uma relação política a partir de convergências, sem abrir mão da independência do PSD.
A economia deve ocupar um espaço importante nessa negociação. O próximo governo terá de conciliar políticas sociais, equilíbrio fiscal, controle das contas públicas e redução dos juros. Para Kassab, a condução econômica será determinante para definir o relacionamento entre Lula e o PSD.
Nesse cenário, o partido pode se tornar um dos principais interlocutores do governo no Congresso. A legenda tem interesse em participar da construção de políticas públicas, mas deve manter a liberdade para apoiar ou rejeitar propostas de acordo com sua orientação.
Kassab, portanto, deixa aberta a possibilidade de uma aproximação maior com Lula. Ao mesmo tempo, sinaliza que o PSD não pretende abandonar a posição independente que adotou durante a eleição.
A mensagem do presidente da legenda é clara: o PSD está disposto a ajudar Lula a governar, mas a proximidade com o governo será construída a partir dos projetos apresentados pelo novo governo.