TECNOLOGIA
Primeira turma de News Creators acelerada pelo Hub MyNews, em parceria com Google e YouTube, mostra como jornalistas donos do próprio negócio estão redesenhando o ecossistema de notícias no Brasil
O principal assunto do Brasil hoje não é a eleição. É o Supremo Tribunal Federal. E ninguém cobre o Supremo melhor do que Felipe Recondo. Quem acompanha o Recondo e Os Onze, o canal dele, não vai encontrar cobertura melhor em lugar nenhum.
Isso não diminui ninguém. Há muitos jornalistas fazendo um trabalho excelente sobre o tribunal, e jornalismo não é competição. Mas melhor do que o Recondo não há. Ali tem experiência, análise e jornalismo raiz. Não tem militância, não tem influência, não tem torcida. Tem apuração rigorosa de um repórter que cobre o Supremo há décadas, autor de “Os Onze” e “Tanques e Togas” e sócio-fundador do JOTA.
E onde está esse trabalho? No YouTube, nas plataformas, na newsletter que ele mesmo publica. Não está numa grande redação. Está num negócio do qual o próprio jornalista é dono.
O exemplo é emblemático porque trata do tema do momento. Mas ele não é exceção. É assim que o jornalismo brasileiro está se reorganizando.
Das famílias às redes
Durante décadas, o sistema de informação no Brasil esteve nas mãos de três ou quatro famílias. Não há crítica nisso. Era o formato daquele tempo, com grandes redações, grades fechadas e profissionais contratados com exclusividade. Um modelo fordista, de linha de montagem.
Esse formato está migrando para uma nova fórmula, a das redes. E, mais cedo ou mais tarde, as próprias famílias que construíram a imprensa brasileira vão perceber que esse modelo também lhes cabe. Vão precisar se adaptar a ele, até por uma questão de estrutura de custos e eficiência.
A conta é simples. Há jornalistas incríveis produzindo conteúdo no Brasil inteiro. Não haveria dinheiro suficiente para contratar todos eles e montar uma grade com essa pluralidade. E nem é preciso. A exclusividade custa muito caro e nem sempre compensa. O que importa agora é fomentar uma estrutura em que esses profissionais sejam apoiados nos próprios negócios e participem do resultado, dividindo o lucro. Um modelo mais eficiente e também mais justo, inclusive na remuneração de quem faz jornalismo.
A primeira turma
É esse ecossistema que o Hub MyNews ajuda a construir. A incubadora acaba de formar sua primeira turma de News Creators, acelerada pelo MyNews em parceria com o Google e o YouTube.
São 17 canais de jornalismo independente que cobrem meio ambiente, direitos humanos, política, economia, arte e literatura e que estavam fora do YouTube. Em três meses foram mais de 800 mil views, mais de 400 conteúdos novos e mais de 16 mil horas assistidas. Ao longo do programa, os participantes receberam diagnóstico da presença digital, acompanhamento em monetização, SEO e retenção de audiência, apoio técnico de gravação e edição e representação comercial para parcerias com marcas, uma das maiores barreiras para quem tenta transformar o canal em negócio sustentável. Também foram capacitados em ferramentas como Gemini, Pinpoint e NotebookLM.
Cada canal ganhou uma página própria no site do MyNews, que passou a funcionar como portal dessas vozes independentes. E o MyNews trabalha agora num arcabouço de proteção para os News Creators, com previdência aberta para quem tem renda irregular e plano de saúde acessível.
Quem apostou no projeto
Rodrigo Vizeu, Fabiana Zanin e Lúcia Zaragoza acolheram o projeto de uma forma muito especial desde o início. E aqui meu agradecimento público.
É por esse caminho que o jornalismo segue. O jornalismo profissional tomando a frente e assumindo a difícil missão de levar notícias verdadeiras ao público e barrar as fake news.
Um movimento que o mercado vai seguir
O Google tem apoiado diversas frentes do jornalismo independente. Começou com o GNI, o programa de grants para projetos jornalísticos, passou pela criação de ferramentas que ampliam a monetização no YouTube, como o membership e o YouTube Shopping, e chegou ao apoio a projetos específicos que funcionam como catalisadores de movimentos que fortalecem o jornalismo independente.
A empresa descobriu a importância desse movimento para construir uma sociedade democrática e sustentável e para aperfeiçoar as boas práticas na plataforma. E, claro, descobriu também uma fonte de negócios lucrativos.
A mídia mainstream no Brasil vai chegar à mesma conclusão. E deve caminhar cada vez mais nessa direção para aperfeiçoar seu próprio modelo de negócios.