colunista Natália Fernandes
Especialista em mídia digital e diretora de operações da MightyHive Brasil
Tecnologia sonora

Áudio retoma a cena e atrai os olhos de marcas e ouvintes

Tecnologia revisita recursos sonoros que, na verdade, nunca saíram de cena
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Os olhos (e ouvidos) do mundo têm se voltado para o áudio e suas novas formas de uso e consumo. Com tanta especulação e futurologia sobre o tema, parece até que estamos falando de uma tecnologia de última geração. Na verdade, estamos diante de um velho conhecido que agora assume o centro da cena com novas roupagens.

O mercado tem dado largo espaço para a interação por voz. Seja por assistentes virtuais, audiolivros, podcasts ou até redes sociais baseadas puramente em áudio, estamos revisitando o papel do áudio nas plataformas tecnológicas e em nossas vidas.

Conteúdos de áudio recebem novas interações e formatos, remodelando o papel do formato nas plataformas.
Conteúdos de áudio recebem novas interações e formatos, remodelando o papel do formato nas plataformas. Foto: Reprodução (Pixabay).

O áudio na pandemia

Enquanto muitos acreditavam que podcasts perderiam fôlego durante a pandemia, por serem até então conhecidos como companheiros da jornada casa-trabalho-casa nas grandes cidades, o número de pessoas que ouvem este formato regularmente aumentou para 33% em 2020, surpreendendo as expectativas de crescimento, segundo a Kantar Ibope.

O áudio vem ganhando outros contornos na rotina confinada. Em um ano de pandemia em que tantos se viram privados de uma vida e contato social, podcasts nos fizeram companhia enquanto arrumávamos a casa ou quando queríamos descansar os olhos das telas depois de tantas reuniões de trabalho. Da mesma forma, redes sociais baseadas puramente em áudio, como o ClubHouse, chamaram a atenção por serem um espaço em que poderíamos reproduzir encontros em um mundo ausente de rodas de conversa.

O poder do áudio na experiência com marcas

Colocamos uma música para relaxar e outra diferente para nos animar, e o motivo é que sons podem nos mover a determinada direção, alterando nossas emoções e modelando estados de espírito.

Em um cenário em que é tão concorrido ter a atenção da audiência, há um espaço incrível para marcas se apropriarem destas possibilidades para ressignificarem suas experiências.

A PUMA, grande fabricante de artigos esportivos, já tirou proveito disso em uma instalação que fez em Xangai, na China, em que os interessados poderiam colocar tênis da marca, subir em uma esteira e navegar por meio de avatares em mundos imaginários virtuais. Trilhas sonoras de corrida acompanhavam a experiência por meio de um software de rastreamento facial e de movimento. Assim, quanto mais intensa a experiência virtual, mais intensa era a experiência sonora.

Um dos centros interativos da PUMA em Xangai, China.
Um dos centros interativos da PUMA em Xangai, China. Foto: Reprodução / 1SHI (Redes Sociais).

O sentimento registrado durante interações com marcas é importantíssimo. Por isso, se o som ajuda a direcionar a subjetividade e que acrescentar à experiência sentida, estamos falando de um ótimo ingrediente para construção da imagem de um produto ou empresa.

Estes e outros caminhos são possíveis em um mundo cada vez mais conectado e disruptivo. A capacidade do som de influenciar a atenção do usuário se torna muito mais interessante quando se considera o crescente interesse das marcas em ir além do conteúdo tradicional e construir experiências virtualizadas imersivas, como mundos de realidade mista ou instalações que usam música como ponto de contato para personalização.

Caminhos que passem por subjetividades, personalização e novas tecnologias são caminhos necessários para que as velhas formas deixem de ser apenas as únicas conhecidas nas interações com potenciais clientes. À medida que esses novos canais e necessidades surgem, surgem também novos papéis que o som desempenha.



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