Foto: Secretaria Municipal de Educação
Para o analista de geopolítica e macroeconomia Beny Fard, regimes autoritários conseguem pensar no longo prazo enquanto democracias sofrem com a pressão das urnas e da opinião pública
O analista Beny Fard apresenta, em seu livro Tempocracia, a ideia de que o tempo se tornou uma vantagem estratégica das autocracias. Segundo ele, regimes como China, Rússia e Irã conseguem manter projetos de longo prazo, enquanto democracias são condicionadas por ciclos eleitorais e pela necessidade de respostas rápidas à sociedade.
Fard afirma que essa diferença fica evidente em conflitos internacionais. Enquanto líderes democráticos precisam considerar a popularidade e o impacto imediato de suas decisões, governos autocráticos podem prolongar disputas e esperar mudanças no cenário político de seus adversários.
A hiperconectividade também amplia esse contraste, avalia o analista. As redes sociais criaram uma sociedade acostumada à velocidade e a respostas imediatas, mas instituições democráticas continuam operando em ritmos mais lentos. Para Fard, adaptar a democracia a essa nova realidade é um dos grandes desafios do Ocidente.