Discussão na CCJ mostra “radicalização” do bolsonarismo, diz historiador Deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), que comandará a CCJ da Câmara. Foto: Edilson Rodrigues (Agência Senado). Bate-boca

Discussão na CCJ mostra “radicalização” do bolsonarismo, diz historiador

Os deputados federais Paulo Teixeira (PT-SP) e Carlos Jordy (PSL-RJ) tiveram uma troca ríspida durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça

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  • Historiano Odilon Caldeira (UFJF) afirmou que a briga na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) evidencia a radicalização do bolsonarismo e da extrema‑direita.
  • O conflito iniciou quando o deputado Paulo Teixeira (PT‑SP) chamou Jair Bolsonaro de “genocida” por mortes na pandemia de Covid‑19.
  • O deputado Carlos Jordy (PSL‑RJ) reagiu chamando Teixeira de “vagabundo”, gerando troca de ofensas até a presidente da CCJ, Bia Kicis, encerrar a sessão.
  • Caldeira destacou que Jordy já militava em círculos integralistas, participando de homenagem a Gumercindo Rocha Dorea em 2017, refletindo um padrão anti‑intelectual da nova onda de extrema‑direita.

O professor de história da Universidade Federal de Juiz de Fora e estudioso do integralismo Odilon Caldeira acredita que o bate-boca na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) é um sinal da radicalização do bolsonarismo e da extrema-direita.

“Nos últimos anos, o que se tem notado na realidade política brasileira, particularmente de alguns nichos da extrema-direita e ainda mais particularmente nos nichos do bolsonarismo, é uma intensa radicalização com esse aspecto da agitação e propaganda”, afirma Caldeira em entrevista ao Almoço do MyNews.

A briga na CCJ começou após o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) chamar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de “genocida” por conta do número de mortos pela pandemia da covid-19. O petista foi interrompido pelo deputado Carlos Jordy (PSL-RJ), que chamou o colega de “vagabundo” e disse que não iria “tolerar esse tipo de comportamento”.

A discussão seguiu por alguns minutos, e continuou mesmo com os pedidos de calma da presidente da comissão, a deputada Bia Kicis (PSL-DF), que resolveu encerrar a sessão.

Odilon ressalta que antes de Jordy ser eleito em 2018, ele já era ativo nos circuitos da extrema-direita do Rio de Janeiro e participou, em 2017, de uma homenagem a Gumercindo Rocha Dorea, responsável por publicar obras integralistas.

“Essas novas ondas, novas expressões da extrema-direita, ele opta sobretudo não apenas por um não intelectualismo, mas sim pelo anti-intelectualismo. Faz um jogo político da propaganda política dessas figuras de linguagem, desses processos de agitação política, de provocação política. O caso do Jordy é uma estratégia bastante comum a uma extrema-direita global e particularmente do bolsonarismo”, explica o historiador.

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