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Jornal argentino
Segundo o Clarín, deslocamento até a fronteira ocorreu por terra e operação teria mobilizado veículos usados como despiste, três aeronaves particulares e agentes americanos em Puerto Iguazú
Há uma semana o Brasil descobria quem iria governá-lo pelos próximos quatro anos, e que essa pessoa não seria Flávio Bolsonaro (PL). 48h depois da derrota, Flávio já estava fora do Brasil. O jornal argentino Clarín publicou nesta sexta-feira (30) novos detalhes sobre a saída de Flávio Bolsonaro do solo brasileiro após a derrota na eleição presidencial e afirmou que a operação teria contado com participação de representantes dos Estados Unidos em território brasileiro e argentino. Segundo a reportagem, a família percorreu por terra o trajeto entre Brasília e a região da tríplice fronteira antes de embarcar em um jato particular com destino a Miami.
As informações foram publicadas em uma reportagem assinada pelo jornalista Nicolás Wiñazki. O relato atribui às fontes ouvidas pelo jornal uma operação planejada com diferentes rotas e alternativas de transporte para reduzir o risco de interrupção do deslocamento.
De acordo com o Clarín, pelo menos três aeronaves particulares teriam sido contratadas para servir como opções caso o plano principal não pudesse ser executado. Antes da viagem terrestre, Flávio teria alugado um jato para deixar Brasília em direção à fronteira, mas o proprietário da aeronave teria desistido do serviço após a divulgação de que o então candidato derrotado possuía restrições para sair do País.
A alternativa adotada, segundo a publicação argentina, foi percorrer aproximadamente 1,6 mil quilômetros entre Brasília e Foz do Iguaçu. O jornal afirma que seis veículos deixaram, em sequência, a residência da família na capital federal, numa estratégia de despiste para dificultar a identificação do automóvel em que Flávio Bolsonaro estaria. O deslocamento terminou na região de fronteira entre Brasil e Argentina. Já em Puerto Iguazú, a família teria chegado ao aeroporto cerca de uma hora antes do momento inicialmente identificado por equipes de televisão como sendo o desembarque de Bolsonaro.
Pouco antes da meia-noite de terça-feira, 27, câmeras registraram a entrada de uma van branca com vidros escurecidos no aeroporto argentino. Na ocasião, a presença do veículo seguida pela decolagem do Gulfstream IV de matrícula LV-JQW, com destino aos Estados Unidos, levou à percepção de que Flávio e seus familiares estariam dentro da van. O Clarín, contudo, sustenta que o grupo já se encontrava no aeroporto.
Segundo as fontes citadas pela publicação, o veículo que transportou a família até a área aeroportuária teria seguido uma movimentação coordenada por representantes americanos e acessado a pista por uma entrada distinta daquela acompanhada pela imprensa. O jornal também afirma que integrantes da Polícia de Segurança Aeroportuária, além de funcionários argentinos ligados à imigração e à alfândega, teriam sido afastados temporariamente da operação enquanto os procedimentos para o embarque eram conduzidos.
Ainda conforme o relato, a família aguardou aproximadamente 40 minutos no local até a autorização para a decolagem do jato.
A dimensão exata dessa eventual participação americana permanece, porém, sem esclarecimento no material apresentado. O próprio Clarín aponta lacunas sobre a atuação dos governos dos Estados Unidos e da Argentina e sobre quais autoridades teriam autorizado ou acompanhado os procedimentos.
A reportagem argentina também afirma que informações divulgadas anteriormente sobre Flávio Bolsonaro já estar nos Estados Unidos não correspondiam ao estágio real da viagem.
Segundo o jornal, declarações públicas que davam a saída do País como consumada teriam antecedido o embarque em Puerto Iguazú. A publicação trata esse desencontro como parte das informações utilizadas para dificultar a identificação da rota efetivamente percorrida.
As dúvidas sobre uma eventual participação dos Estados Unidos na operação chegaram ao debate político americano. Deputados do Partido Democrata enviaram questionamentos ao secretário de Estado, Marco Rubio, cobrando esclarecimentos sobre o papel de autoridades do país no episódio. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou neste sábado, 31, qualquer participação do governo norte-americano na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após sua derrota na eleição presidencial. Segundo ele, Washington apenas autorizou a entrada do parlamentar em território americano.
Rubio afirmou que Flávio já possuía visto para os Estados Unidos quando desembarcou no país. A permanência do senador, acrescentou, foi permitida por decisão do presidente Donald Trump.
“Não facilitamos nada. Soubemos que ele chegou aos EUA, ele já tinha um visto garantido e o presidente tomou a decisão de permitir que ele entrasse, mas não estávamos envolvidos em nenhum dos arranjos para ele sair do País”, declarou.
A manifestação de Rubio ocorreu durante entrevista coletiva em Atlanta, onde o secretário participou de uma reunião de chanceleres do G20. Pela versão apresentada pelo chefe da diplomacia norte-americana, o governo Trump tomou conhecimento da chegada de Flávio aos Estados Unidos sem ter atuado previamente na organização de sua saída do Brasil.