Governo Bolsonaro atrasa dados do desmatamento por COP26 A 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), em Glasgow, na Escócia, começa nesta segunda-feira (1º) e segue até 12 de novembro. O encontro reunirá mais de 190 países para discutir medidas mais enérgicas contra o aquecimento global. A abertura do Brasil na Cúpula do Clima será às 11 horas (horário de Brasília) com um discurso do ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite. Amazônia

Governo Bolsonaro atrasa dados do desmatamento por COP26

Relatório do Inpe sobre desmatamento divulgado na quinta-feira está pronto desde final de outubro

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  • Governo Bolsonaro adiou a divulgação do relatório de desmatamento da Amazônia, concluído em 27 outubro, para não coincidir com a COP26 em Glasgow.
  • O INPE (Prodes) registrou 13 235 km² de floresta derrubada entre agosto 2020 e julho 2021, aumento de 22 % em relação ao período anterior, o maior índice em 15 anos.
  • A publicação ocorreu apenas em 18 de novembro, quase uma semana após o fim da conferência, sem anúncio prévio.
  • Ministros Anderson Torres (Justiça) e Joaquim Leite (Meio Ambiente) foram convocados para coletiva a fim de comentar os dados e a necessidade de ação mais contundente.

Fontes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) revelam que o governo do presidente Jair Bolsonaro retardou a divulgação de dados de desmatamento na Amazônia para não coincidir com a COP26. A informação foi revelada pelo Jornal Nacional e pela Folha de S. Paulo, que ouviram os servidores sob a condição de anonimato. 

O relatório foi concluído em 27 de outubro, quatro dias antes da conferência que discutiu as mudanças climáticas em Glasgow, na Escócia. Mas só foi divulgado nesta quinta-feira (18), quase uma semana após o seu encerramento.

Os dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite (Prodes) mostram que foram derrubados 13.235 quilômetros quadrados de floresta entre agosto de 2020 e julho de 2021. É o maior desmatamento nos últimos 15 anos e, só em comparação ao mesmo período no ano anterior, o aumento foi de 22%. 

Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, diz que governo precisa ter atitude mais contundente no combate ao desmatamento.

Os técnicos do Inpe registraram no documento a data de conclusão do relatório, 27 de outubro. Na quinta-feira, o documento foi disponibilizado no site, sem nenhuma divulgação. No meio da tarde, foi convocada uma coletiva do ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, e o do Meio Ambiente, Joaquim Leite, para comentar os dados. Leite disse que os números eram inaceitáveis e prometeu uma ação mais contundente do governo. 

O ministro chegou a ser questionado duas vezes sobre a data, mas nas duas, disse só ter tido acesso às informações na quinta-feira. Leite chegou a afirmar que o Inpe poderia ter atrasado a divulgação por uma questão de cautela, para revisar algum dado. 

“Talvez tenha sido por cautela que o Inpe tenha atrasado a divulgação desses dados, para alguma revisão, mas eu não tenho essa informação do Inpe. O que eu tenho informação é que foi divulgado hoje e nós estamos aqui deixando claro que esse número é inaceitável e nós vamos combater contundentemente o crime ambiental na Amazônia”, sustentou

Dados sobre desmatamento contradizem vice

Os números contrastam com o otimismo do vice-presidente Hamilton Mourão, que coordenou os esforços de combate ao desmatamento no governo. No final de agosto, ele antecipou os dados, e afirmou que mostrariam uma queda de 5% na devastação da floresta.

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