Mobilizações nas ruas

Há denominador comum para impeachment de Bolsonaro, diz cientista político sobre carreatas

Movimentos de esquerda e direita ainda não se uniram, mas expressam uma mesma reivindicação quanto ao atual presidente
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Carreata contra o presidente Jair Bolsonaro em São Paulo
Carreata em São Paulo pede o impeachment de Jair Bolsonaro.
(Foto: Guilherme Gandolfi/Fotos Públicas)

O último final de semana (dias 23 e 24) foi marcado por protestos contra Jair Bolsonaro (sem partido), que aconteceram em pelo menos 21 capitais brasileiras e o Distrito Federal. Os atos, representados de maneira geral por carreatas, criticaram a postura federal frente à pandemia, além de exigirem a volta do auxílio emergencial e o impeachment do presidente.

Os movimentos políticos de esquerda Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, com apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), convocaram manifestações para o sábado (23). Já no domingo (24), as organizações de direita Movimento Brasil Livre (MBL) e Vem Pra Rua foram responsáveis pela ordenação das ações – as expressões contrárias à administração federal foram registradas em 45 cidades.

Para o cientista político Rodrigo Prando, as divergências ideológicas entre os movimentos devem se portar como dimensões de um segundo plano, a fim de unificarem os interesses em comum, viabilizando o progresso nacional por intermédio da soberania popular.

“Não sejamos ingênuos: dentro de cada carreata, cada grupo ou cada partido existe líderes com interesses muito peculiares, particulares. No entanto, parece que a maioria, dentre os que estão protestando, tentam unificar o discurso de defesa da democracia”, esclareceu Prando.

Referindo-se à base eleitoral sólida do presidente, compositora de 30% de seus votos, o cientista político afirma que “é obvio que não dá para pensar que duas carreatas distintas, uma no sábado e outra no domingo, significará uma coalização em 2022 contra o governo Bolsonaro. Mas há um denominador comum, isto é, defender a democracia e explicitar que a gestão e escolhas do Bolsonaro – e dos bolsonaristas – têm gerado uma situação extremamente ruim para o país”.

As manifestações ocorrem em um momento no qual a popularidade de Bolsonaro apresenta forte queda, identificada por três pesquisas de opinião – Datafolha, Exame/Ideia e XP/Ipespe.

Os resultados das três pesquisas coincidem com uma piora na percepção da atuação de Bolsonaro para enfrentar a pandemia de Covid-19. O caos na saúde no Amazonas, somadas aos atropelos internos e diplomáticos quanto às vacinas ajudam a alavancar a reprovação ao presidente e seu governo.

No entanto, também segundo a pesquisa Datafolha que apontou queda na popularidade de Bolsonaro, 53% dos entrevistados opinam que a Câmara dos Deputados não deveria abrir um processo por crime de responsabilidade contra o presidente.

Carreata em São Paulo pelo impeachment de Jair Bolsonaro, puxada por MBL e Vem Pra Rua
Carreata em São Paulo pelo impeachment de Jair Bolsonaro, puxada por MBL e Vem Pra Rua. (Foto: Twitter/Vem Pra Rua)

Cisma partidária

Na manhã desta segunda-feira (25), em um encontro com apoiadores na frente do Palácio da Alvorada, Bolsonaro ironizou o tamanho das carreatas ao responder um apoiador que disse ser de Campo Grande (MS) – única declaração a respeito dos movimentos que ocorrem no final de semana. “Campo Grande? Eu vi uma carreata monstro lá de uns 10 carros contra mim”, afirmou, sorrindo.

Durante a conversa, o presidente disse novamente que decidirá, até março, se continua com o projeto de criação do partido ‘Aliança pelo Brasil’ ou se optará pela filiação à uma sigla já existente.

“É muita burocracia, é muito trabalho, certificação de fichas, depois passa pelo TSE [Tribunal Superior Eleitoral] também. O tempo está meio exíguo para gente. Não vamos deixar de continuar trabalhando, mas vou ter que decidir. Não é por mim, não estou fazendo campanha para 22”, falou.

Prando explica que a palavra partido “significa também assumir uma posição. Então, temos que pensar qual é o elemento denominador de tudo isso, quem é o adversário a ser batido.” Retornando aos protestos separados por princípios políticos, mas similares quanto ao propósito, o cientista citou que “é impossível imaginar que partidos não levem suas bandeiras, também existe a livre manifestação do pensamento: as pessoas estão angustiadas, há uma sucessão de equívocos, todos decididos pelo governo ao longo da pandemia”.

“Uma sociedade hiper conectada está com seus fios desencapados, e um curto-circuito pode mudar o humor da população […] Cada um tem de se posicionar e se manifestar de acordo com a sua consciência e convicções. Durante muito tempo, nas redes sociais, os bolsonaristas foram vigorosos, com um discurso que calou muita gente por medoAgora, as redes não são apenas dessa base, existe uma reação online e nas ruas”, complementou Prando.

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