Ministro investigado

STF manda abrir inquérito contra Pazuello por gestão da crise em Manaus

Supremo acolheu pedido da PGR contra o ministro da Saúde, que passa a ser investigado por suposta omissão
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O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante entrevista coletiva
O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante entrevista coletiva.
(Foto: Tânia Rego/Agência Brasil)

O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta segunda-feira (25) a abertura de inquérito para apurar a atuação do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em relação ao colapso no sistema de saúde pública em Manaus.

Lewandowski acolheu pedido feito no sábado (23) pelo procurador-geral da República, Augusto Aras. Ela decorre de representações apresentadas à Procuradoria por partidos políticos.

Com a abertura do inquérito, Pazuello se torna oficialmente investigado por suposta omissão. A investigação vai começar pelo depoimento do ministro à Polícia Federal, ainda sem data prevista.

A capital amazonense, que tem sido duramente afetada pela pandemia e vê seu sistema de saúde em colapso, registrou falta de oxigênio medicinal em hospitais na última semana.

A solicitação ao Supremo cita o documento “Relatório parcial de ações – 6 a 16 de janeiro de 2021”. Nele, Pazuello informa que o Ministério da Saúde teve conhecimento da falta de oxigênio no dia 8, por meio da empresa White Martins, fornecedora do produto. A pasta, no entanto, só iniciou a entrega de oxigênio apenas em 12 de janeiro, de acordo com as informações prestadas.

Também é questionado pela ação da Procuradoria o fato de a pasta ter informado a distribuição de 120 mil unidades de Hidroxicloroquina como medicamento para tratamento da Covid-19 no dia 14 de janeiro, às vésperas do colapso por falta de oxigênio. O fármaco não possui eficácia comprovada contra o vírus, mas o próprio ministro e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já realizaram uma série de menções defendendo seu uso.

Ministro em Manaus

Pazuello está desde a noite de sábado em Manaus, com o intuito de acompanhar de perto a entrega das vacinas da Oxford que vieram da Índia no dia anterior. De acordo com o Ministério da Saúde, ele deve ficar na capital amazonense “o tempo que forma necessário”.

Ainda segundo o Ministério da Saúde, um total de 458,5 mil doses chegarão ao Amazonas nos próximos dias. Nessa conta entram 44 mil que chegam neste domingo e outras 282 mil doses de Coronavac, a partir do Instituto Butantan.

A viagem a Manaus é vista como uma forma de tentar reduzir o desgaste sofrido por Pazuello diante dos últimos acontecimentos à frente do Ministério da Saúde.

Rotatividade na pasta

General da ativa do Exército, considerado especialista em logística, Pazuello é o terceiro nome a ocupar a chefiar o Ministério da Saúde no governo de Jair Bolsonaro e está no cargo efetivamente desde setembro de 2020, depois de quatro meses como interino.

Antes dele, ocuparam o Ministério da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. Ambos, no entanto, deixaram as funções em razão de divergências com Bolsonaro.

O presidente é crítico das medidas de distanciamento social e insiste na recomendação de tratamento da Covid-19 com remédios sem eficácia comprovada contra o vírus, como a cloroquina.

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