Projeção pessimista

Pandemia escancara a desigualdade global, aponta Oxfam em Davos

Documento mostra ainda que a desigualdade global deve chegar a níveis recordes nos próximos anos
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Comunidade do Moinho e prédios recém-construídos em Campos Elíseos, região central de São Paulo. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

A desigualdade é um dos temas abordados durante o Fórum Econômico Mundial que começou nesta segunda-feira (25) em Davos (Suíça), na modalidade virtual. E na abertura do encontro, a Oxfam, uma organização global que trabalha com o tema, divulgou um relatório sobre o impacto da pandemia de Covid-19 na desigualdade global.

O documento mostra que as mil pessoas mais ricas do mundo recuperaram em nove meses as perdas que tiveram com o novo coronavírus. Em novembro, esse grupo concentrador de riqueza já havia recuperado as perdas que tiveram com a pandemia e fecharam o ano com aumento de US $3,9 trilhões. 

A fortuna dos bilionários encerrou 2020 em US$ 11,95 trilhões de dólares – o equivalente ao que os governos do G20, juntos, gastaram para combater a pandemia.

Enquanto isso, a Oxfam projeta que a população mais pobre no mundo leve pelo menos 14 anos para conseguir repor as perdas que tiveram com a pandemia. A estimativa é que o total de pessoas que vivem na pobreza, em 2020, tenha aumentado entre 200 milhões e 500 milhões de pessoas.

O documento aponta que, embora ainda seja cedo para determinar todos os impactos, afinal a pandemia ainda está ai, o relatório aponta que a desigualdade global deve chegar a níveis recordes. 

A diretora da Oxfam Brasil, Kátia Maia, alertou que as políticas públicas devem considerar a redução da desigualdade.

“Fazer um planejamento que também considere a redução das desigualdades como prioridade, a inclusão daquelas populações que são discriminadas, é fundamental. É garantir esse investimento social em saúde, em educação, em proteção social e renda básica. É muito importante que a gente tenha uma reforma tributária de verdade, não é só simplificação de imposto. É uma reforma tributária baseada numa visão de justiça”, afirma.

Desemprego

Um relatório divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirma que a pandemia causou a perda de 255 milhões de postos de trabalho em 2020.

Segundo o documento, 8,8% das horas de trabalho globais foram perdidas em todo o ano passado. A perda é quatro vezes maior do que o número perdido na crise financeira global de 2009 e equivale a US$ 3,7 trilhões. As mulheres foram mais impactadas que os homens e os jovens até 24 anos perderam mais os empregos.

A OIT prevê recuperação lenta, desigual e incerta em 2021, a menos que haja políticas de recuperação centradas no ser humano. O documento cita a proteção social, os direitos dos trabalhadores e o diálogo social.

Relacionadas
Intervenção do BC
Moeda dos EUA opera em forte alta após mudanças em políticas de preços de combustíveis
Ministro da Economia
Ministro defendeu limites para o endividamento público e falou sobre sua permanência no cargo
DESIGUALDADE
Avanço da pandemia, desemprego, inflação sobre alimentos e afrouxamento de políticas de proteção social agravam cenário
REAJUSTE
No ano, é a quinta alta da gasolina e a sexta do diesel. Elevações fizeram Bolsonaro trocar comando da estatal
home office?
Em janeiro, desvalorização de imóveis comerciais se estabilizou. Tendência é que empresas comecem a retomar atividades presenciais em escritórios mais adaptados ao home office
CRISE DA PANDEMIA
Paulo Gala avalia condução econômica do governo e alerta para um início de 2021 problemático ao Brasil

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e Política de Cookies. Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.