Lista tríplice para PGR promete ser novo foco de desgaste para Bolsonaro Atual procurador-Geral da República, Augusto Aras, ao lado do presidente Jair Bolsonaro. Foto: Isac Nóbrega (PR). Insatisfação

Lista tríplice para PGR promete ser novo foco de desgaste para Bolsonaro

Sem a expectativa de serem escolhidos pelo presidente, candidatos a PGR devem ‘rasgar as vestes’ durante a campanha

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  • O prazo para inscrições na lista tríplice que definirá o Procurador‑Geral da República encerra nesta sexta‑feira (28) de outubro.
  • A lista, organizada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), foi ignorada por Jair Bolsonaro e deve ser novamente desconsiderada.
  • O Ministério Público prevê campanha de candidatos com críticas ao presidente e ao atual PGR, Augusto Aras.
  • A insatisfação dos procuradores cresce por perceberem blindagem de Aras ao governo e pela pressão sobre Bolsonaro diante da pandemia.

Encerra-se nesta sexta-feira (28) o prazo de inscrições para participar da votação da lista tríplice para a escolha do procurador-Geral da República. Organizada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), a lista já foi ignorada pelo presidente Jair Bolsonaro e deve ser ignorada novamente. Por conta disso, a expectativa no Ministério Público é de uma campanha carregada nas críticas a Bolsonaro e ao atual PGR, Augusto Aras.

Atual procurador-Geral da República, Augusto Aras, ao lado do presidente Jair Bolsonaro.
Atual procurador-Geral da República, Augusto Aras, ao lado do presidente Jair Bolsonaro. Foto: Isac Nóbrega (PR).

A avaliação de pessoas envolvidas no processo é de que, na última eleição, foi mantida alguma liturgia para evitar o rompimento de vez com Bolsonaro. Havia a esperança de que o presidente mantivesse a tradição de escolher o PGR entre os mais votados da categoria, muito embora não haja obrigação para que o faça. Agora, sem essa esperança e com Bolsonaro pressionado pela pandemia do coronavírus, a tendência é de os procuradores “rasgarem as vestes” e não economizarem nas críticas.

Há uma insatisfação na categoria com uma certa blindagem de Aras ao governo federal. Uma parte dos procuradores acredita que ele deveria ter sido mais duro com o presidente por conta do incentivo a aglomerações e pela forma como lidou com o avanço do coronavírus. Isso tudo deve ser explicitado durante a campanha.

O episódio envolvendo o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é um exemplo dessa insatisfação. O fato de o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes ter autorizado uma operação dessa magnitude sem a participação do MPF seria, em outros momentos, motivo de reação por parte dos procuradores, geralmente bastante coesos em quando enxergam ameaças ao papel da instituição. Desta vez, o bypass  foi visto como um vexame e não ensejou uma reação mais contundente.

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