2022

Lula é o candidato do pragmatismo e pode ser o nome do mercado, diz Glenn Greenwald

Jornalista afirma que o mercado pode considerar mais seguro apostar no PT do que na "instabilidade" de Bolsonaro
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O jornalista Glenn Greenwald. Foto: Lula Marques/Fotos Públicas.
Foto: Lula Marques/Fotos Públicas.

Com o descontrole da pandemia de covid-19 e o desgaste internacional causado pela devastação ambiental no Brasil, o mercado internacional e os ricos podem considerar que o ex-presidente Lula (PT) é uma aposta mais segura do que Jair Bolsonaro (sem partido), afirma o jornalista Glenn Greenwald.

“[A pandemia] está machucando muito a imagem internacional do país, o que está preocupando muito os setores do agribusiness e as classes mais ricas que estavam apoiando Bolsonaro por causa do Paulo Guedes e porque eles não queriam uma volta do PT. Agora eles estão quase apostando que a volta do PT com o Lula seria a opção mais segura. É incrível que o mercado internacional, a classe rica está pedindo Lula”, diz Greenwald ao Segunda Chamada. “Agora ele [Lula] é o candidato do pragmatismo”.

Para Greenwald, Bolsonaro foi reduzido ao “campo dos fanáticos”, de 25% a 30% de apoio, e deixou órfão setores políticos que procuram um substituto. De acordo com pesquisa EXAME/IDEIA, o governo Bolsonaro é avaliado como ruim ou péssimo por 52% dos brasileiros, o maior índice desde o início de sua gestão. Outros 23% avaliam o governo como ótimo ou bom.

Neste cenário, Bolsonaro está mais vulnerável, mas também é mais perigoso, avalia o jornalista que participou da Vaza Jato. “A estratégia de Bolsonaro, sempre quando ele está se sentindo ameaçado, é tentar criar um clima de medo. Ele está falando ‘aqui é o limite, vocês podem ser contra a mim, tudo bem, mas se você passar desse limite, tudo pode explodir’”.

Sobre 2022, Greenwald destaca que Sergio Moro não será viável politicamente “nunca mais” porque tornou-se o “inimigo número um do presidente” e a esquerda não votaria no ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública.

“Foi um pouco irônico porque ele [Moro] entrou no meu lugar e eu consegui sair, finalmente, desse espaço de inimigo número um do Bolsonaro”, diz o jornalista.

Mundo quer provas e não discurso, diz Jamil Chade

Apesar da participação brasileira na Cúpula do Clima com Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o jornalista Jamil Chade acredita que palavras não são suficientes porque a credibilidade internacional do país foi “destruída” nos últimos dois anos. O que realmente mudaria o cenário, diz o jornalista baseado em Genebra, na Suíça, são índices menores de desmatamento.

“O mundo quer provas do Brasil e não discurso. Você pode até ter um discurso mais moderado, menos moderado, mas a credibilidade do país é tão baixa, tão reduzida que um discurso do presidente Bolsonaro hoje pouco significa.”

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