No início da pandemia

Michelle Bolsonaro pediu à Caixa liberação de empréstimo emergencial para amigos

Primeira-dama é apontada como intermediaria em esquema de inclusão de empresas amigas no programa emergencial de subsídios. Mulher de Bolsonaro chegou a conversar diretamente com o presidente da Caixa
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

O gabinete da primeira-dama da República, Michelle Bolsonaro, foi responsável por enviar à Caixa Econômica Federal, ainda no início da pandemia de covid-19, pedidos via e-mail para que o banco incluísse empresas e pessoas próximas à família presidencial no programa emergencial de subsídios que prometia distribuir para o setor empresarial alguns bilhões de reais a juros baixos e em condições facilitadas. A informação foi revelada com exclusividade pela revista ‘Crusoé’ nesta sexta-feira (1º).

Primeira-dama Michelle Bolsonaro ao lado do marido e presidente da República Jair Bolsonaro
Primeira-dama Michelle Bolsonaro ao lado do marido e presidente da República Jair Bolsonaro. Foto: Marcelo Camargo (Agência Brasil)

De acordo com a reportagem, os assessores de Michelle teriam atuado como despachantes para agilizar a aprovação das companhias bolsonaristas. Em uma das oportunidades, a mulher do mandatário chegou a falar sobre o assunto diretamente com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

A revista divulgou uma troca de mensagens em que a assessora especial de Michelle afirmou que “a pedido da sra. Michelle Bolsonaro e conforme conversa telefônica entre ela e o presidente Pedro, encaminhamos os documentos dos microempresários de Brasília que têm buscado crédito a juros baixos”.

Após Guimarães encaminhar as exigências da primeira-dama para uma agência em Taguatinga (DF), o sistema de controle do próprio banco identificou a movimentação anormal, fator que levou à instauração de uma investigação interna – praticamente todas as demandas de Michelle foram atendidas.

No sistema da filial brasiliense onde os pedidos foram submetidos, foi localizado uma pasta denominada “Indicações”, que continha todas as solicitações enviadas pela diretoria da Caixa baseadas nas instruções de Michelle.

Auxílio para os amigos

Entre os contemplados pelo programa estão o florista que atende a mulher de Bolsonaro, a confeiteira que fornece doces e bolos para festas no Palácio do Planalto, a cabeleireira da primeira-dama e um promoter responsável pelas recepções para os integrantes da Corte, além de marcas de roupa que foram divulgadas pela família Bolsonaro nas redes sociais.

Um dos processos aprovados, por exemplo, consta no nome “Luiza Coiffeur”. Um dos sócios do salão de beleza, Waldemar Caetano Filho, disse que “o contato com a primeira-dama foi fundamental. É o famoso QI [quem indica] que fala, não é!? Foi uma parceria com a primeira-dama, ela que deu a força final. Foi a Maria Amélia, amiga da gente, que conseguiu com a primeira-dama. Precisei ir uma vez só na Caixa. Foi fácil conseguir”.

A referida Maria Amélia, confeiteira e amiga próxima da família do presidente, também recebeu um empréstimo da instituição financeira, avaliado em R$ 518 mil.

Outra indicação da primeira-dama foi o florista Rodrigo Resende, dono de uma floricultura em Brasília; a loja de roupas Derela Modas, que tem parceria com Michelle; a rede de óticas de Márcia Barros de Matos; Márcia Barros, que divide a sociedade de um brechó com uma assessora da ministra Damares; o empresário Robson Lemos, o dono de uma empresa de eventos com sede no Clube do Exército de Brasília.

Os citados foram contactados pelo veículo e negaram todas as acusações. Em nota à ‘Crusoé’, a Caixa alega que “em todas as suas linhas passa por rigoroso processo de governança, compliance e análise de riscos independente. No caso do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, anteriormente à análise de crédito dos bancos operadores do programa, há uma avaliação de enquadramento por parte da Receita Federal, que notifica as empresas validadas”.

Já o gabinete da primeira-dama preferiu não se pronunciar.

Relacionadas
Violência doméstica
Pelo menos 18 estados já contam com lei sobre violência doméstica, mas nem todos os síndicos, porteiros e funcionários conhecem ou têm preparo para cumprir as novas regras. Medo de retaliação é frequente
SEGUNDA CHAMADA
Para Ciro Gomes, Brasil virou ‘pária internacional por conta da política ambiental do governo Bolsonaro. O ex-ministro não poupou críticas ao atual presidente e ao ex-ministro da Justiça, a quem considera um ‘corrupto’
ELE SÓ PENSA NAQUILO
Segundo interlocutores, ex-presidente Lula disse ser questão de honra derrotar o ex-juiz Sérgio Moro nas urnas em 2022
Amazônia
Relatório do Inpe sobre desmatamento divulgado na quinta-feira está pronto desde final de outubro
ENCONTROS POLÍTICOS
Em viagem pela Europa, o ex-presidente Lula tem se encontrado com lideranças políticas tratando de temas como cooperação internacional, redução da pobreza e impactos das mudanças climáticas
Eleições 2022
Ex-titular do MEC, Ricardo Vélez exaltou candidatura de Moro e fez críticas à forma como Bolsonaro conduz o combate à corrupção
Inscreva-se na newsletter

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e Política de Cookies. Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.