Pazuello diz ter documentos que comprovariam “negociação intensa” por  vacinas da Pfizer Pazuello na CPI. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado. General

Pazuello diz ter documentos que comprovariam “negociação intensa” por vacinas da Pfizer

Na CPI da Pandemia, ex-ministro afirma “nunca ter fechado a porta” para farmacêutica; presidente do colegiado defende acareação

00:00
  • Em 19 de outubro, o ex‑ministro da Saúde Eduardo Pazuello afirmou à CPI da Pandemia que manteve negociações com a Pfizer e possui documentos que comprovam a “negociação intensa” por vacinas.
  • Pazuello contradiz declarações de Carlos Murillo, presidente da Pfizer na América Latina, e de Fabio Wajngarten, ex‑secretário de Comunicação, ao dizer que nunca “fechou a porta” nas tratativas.
  • Segundo o general, o TCU e a AGU recomendaram que o Ministério da Saúde não concluísse o acordo devido a cláusulas contratuais consideradas problemáticas.
  • Ele prometeu encaminhar os documentos à CPI e ressaltou que as discussões sobre o contrato consumiram setembro e outubro de 2020, cabendo à administração burocrática a condução das negociações.

O general e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello afirmou nesta quarta-feira (19) que nunca deixou de negociar com a Pfizer para comprar vacinas e que tem documentos para comprovar sua afirmação. A versão do ex-membro do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) contraria os relatos do presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, e o ex-secretário especial de Comunicação Social, Fabio Wajngarten, na mesma CPI da Pandemia.

“As respostas [para a Pfizer] foram respondidas inúmeras vezes na negociação, nós nunca fechamos a porta”, afirmou Pazuello.

O ex-ministro também afirmou que o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Advocacia-Geral da União (AGU) recomendaram que o Ministério da Saúde não fechasse negócio com a Pfizer por conta de cláusulas da venda de imunizantes. Pazuello afirma ter documentos que comprovam suas afirmações e prometeu encaminhá-los à CPI. O general também pontuou que achou “muito estranho” as cláusulas contratuais da Pfizer e que discussões sobre as vacinas da farmacêutica “consumiram setembro e outubro [de 2020]”.

O general, que ressaltou ter “a segunda mais alta patente do Exército”, afirmou ao relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL) que ele deveria saber que ministros não recebem empresas e que a negociação é responsabilidade da parte administrativa do corpo burocrático.

Pazuello também afirmou que está na CPI para “responder todas as perguntas” e que não gostaria de receber “perguntas com respostas simplórias”.

Em pronunciamento, à mesa, ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Eduardo Pazuello na CPI da Pandemia. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado.

“Nossa excelência não vai dizer pra gente o que vamos perguntar ou não”, disse o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM). “Quando a gente fala muito e não consegue explicar nada, fica difícil pra gente ficar ouvindo”.

Aziz também afirmou que pode ser realizada uma acareação entre Pazuello e a Pfizer para esclarecer as versões conflitantes sobre a compra de vacinas da farmacêutica.

Bolsonaro, Carlos Wizard e Osmar Terra

Pazuello ressaltou que todas as decisões que tomou enquanto Ministro da Saúde são de sua responsabilidade e não de Bolsonaro e que “não havia desconvergência nenhuma” entre suas posições e as do presidente da República.

O ex-ministro também afirmou que convidou o empresário Carlos Wizard para trabalhar no Ministério da Saúde e que Wizard colaborou na área por cerca de um mês. Todavia, a colaboração foi descontinuada por burocracias empresariais de Wizard, disse Pazuello.

Pazuello reconheceu que conversou “muito superficialmente” com o deputado Osmar Terra (MDB-RS) sobre a tese da imunidade de rebanho, que acredita que a imunidade contra a covid-19 pode chegar por meio do contágio em massa, e portanto da morte, e não por meio de vacinas. O general disse que o tema da imunidade de rebanho não foi tratado com Bolsonaro.

Relacionados