Eleições
Deputadas alegam omissão de Davi Alcolumbre, enquanto pressão pelo caso aumenta após vazamento de áudio de Flávio Bolsonaro
As deputadas Heloisa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS) ingressaram nesta sexta-feira (22) com mandado de segurança, com pedido de liminar, no Supremo Tribunal Federal para obrigar a instalação da CPMI do Banco Master. O requerimento, protocolado em 30 de abril na Mesa do Congresso, reúne 181 assinaturas de deputados e 35 de senadores, acima do mínimo constitucional exigido. As parlamentares argumentam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, descumpre o artigo 21 do Regimento Comum ao não instalar a comissão, e classificam o caso Master como possivelmente a maior fraude contra o Sistema Financeiro Nacional da história do país.
A ação chega ao STF em meio a uma virada política improvável. Após o vazamento, pelo Intercept Brasil, de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra de Daniel Vorcaro R$ 134 milhões para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, parlamentares que haviam ignorado a pauta por meses passaram a defender publicamente a abertura da comissão. O próprio Flávio, que não assinou nenhum dos pedidos anteriores de investigação, o primeiro deles protocolado em novembro de 2025, passou a defender uma nova CPI. Aliados bolsonaristas seguiram o mesmo caminho.
O contraste com a trajetória de Heloisa Helena e Melchionna é direto. As duas deputadas sustentam o tema desde antes de ele se tornar conveniente, acumulando assinaturas e pressionando institucionalmente por meses. “Trabalhamos muito pela CPMI do Banco Master e temos cobrado por sua instalação não por demagogia”, afirmou Heloisa Helena. Melchionna foi mais direta: “O presidente do Senado tem o dever de abrir a CPMI. Não cabe a ele escolher ou não.”
A questão que fica, num Congresso que em menos de duas semanas acumulou sete iniciativas distintas de CPI ou CPMI do Master, é se o apoio recém-descoberto reflete disposição real de investigar ou uma tentativa de controlar a narrativa de um escândalo que atingiu em cheio quem, por tanto tempo, preferiu o silêncio. O STF ainda não se pronunciou sobre o pedido de liminar.