De olho nas eleições Modelo de urna eletrônica usada em eleições no Brasil. (Foto: José Cruz/Agência Brasil) Opinião

De olho nas eleições

Dados indicam que o clima pré-eleitoral brasileiro tem incentivado o engajamento político da população.

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  • Pesquisa BTG Pactual/FSB mostra que 65 % dos eleitores brasileiros estão interessados ou muito interessados nas eleições presidenciais de outubro 2022.
  • Apenas 20 % declararam pouco ou nenhum interesse, e o engajamento costuma crescer à medida que a data do pleito se aproxima.
  • Em agosto de 2014, pesquisa CNT/MDA apontava 41 % de eleitores com interesse médio ou alto nas eleições daquele ano.
  • O aumento de interesse é interpretado como mudança relevante no cenário político, apesar de diferenças metodológicas entre os levantamentos.

Eleições 2022: A participação política é objeto de desejo de boa parte da teoria democrática, embora continuamente frustrado pela realidade. Os dados indicam, porém, que o clima pré-eleitoral brasileiro tem incentivado o engajamento político da população.

Pesquisa BTGPactual/FSB aponta que 65% dos eleitores estão interessados (28%) ou muito interessados (37%) nas eleições para presidente de outubro próximo, enquanto 20% estão pouco interessados (10%) ou nada interessados (10%). Quanto mais próximo o dia do pleito, maior costuma ser esse interesse. No entanto, além de já elevados, esses números estão estáveis no tempo e chamam atenção se comparados aos de 2014, quando, assim como Bolsonaro, a então presidenta Dilma Rousseff buscava a reeleição.

eleições pesquisa btg

Em agosto daquele ano, pesquisa CNT/MDA apontou 41% dos eleitores muito interessados (15%) ou com interesse médio (26%), enquanto 58% se diziam pouco interessados (31%) ou sem nenhum interesse (27%). Vivia-se a ressaca dos protestos de 2013 e caminhava-se para uma polarização no 2º turno, cujas consequências ainda se fazem  presentes. Apesar disso, as eleições pareciam pouco atrativas ao eleitor.

eleições pesquisa cnt

Ressalvadas as distinções metodológicas e contextuais que separam os dois levantamentos, o aumento significativo dos interessados na disputa presidencial deve ser entendido como uma mudança relevante de cenário. Seus condicionantes estão associados ao processo de midiatização da política em, ao menos, dois aspectos.

O primeiro diz respeito a fluxos comunicacionais. Nesse intervalo de tempo, muito mudou na forma como as pessoas se informam – ou se desinformam – sobre política. Grupos autointeressados desenvolveram e popularizaram estratégias de comunicação em ambientes de mídias digitais ainda mais diversificadas e sofisticadas quanto ao
potencial de influenciar a opinião pública.

Ao mesmo tempo, e este é o segundo aspecto, os personagens da disputa atual são midiaticamente mais atrativos em relação aos de 2014. Lula e Bolsonaro encarnam e comunicam polarizações históricas de modo mais eficiente do que Dilma e Aécio, como no embate comunistas vs. fascistas, vermelho vs. verde-amarelo, patrão vs. trabalhador.

O aumento do grau de interesse pela política, embora desejável em democracias, não significa necessariamente que a população esteja mais politizada. De qualquer forma, já é alguma coisa.

 

*Juliano Domingues é jornalista e cientista político, coordenador da Cátedra Luiz Beltrão de Comunicação da Unicap.

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