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Sérgio Leitão defende coordenação dos investimentos e uma política industrial capaz de transformar a riqueza mineral brasileira em produtos de maior valor agregado
O Brasil precisa definir rapidamente uma estratégia para aproveitar sua riqueza mineral e não ficar para trás na corrida global pelos chamados minerais críticos. Em entrevista, o diretor-executivo do Instituto Escolhas, Sérgio Leitão, afirmou que países como China, Estados Unidos, Canadá e Indonésia já adotam políticas para garantir acesso a esses recursos e transformar sua exploração em capacidade industrial.
Segundo Leitão, o principal desafio brasileiro é deixar de exportar minério bruto e avançar na cadeia produtiva. Ele citou o minério de ferro como exemplo: apesar de o país ser um dos maiores produtores mundiais e possuir reservas de alta qualidade, o Brasil ainda envia grande parte do produto para o exterior e importa bens industrializados derivados, como o aço utilizado na construção civil. Para ele, o mesmo risco existe agora em áreas como terras raras, níquel e outros minerais estratégicos.
O especialista também alertou para o dilema brasileiro na atração de capital estrangeiro. Aprovado pelo Congresso, o novo marco regulatório prevê um conselho com poderes para analisar e homologar operações envolvendo empresas do setor. Na avaliação de Leitão, a medida pode gerar controvérsias e até dificultar investimentos se não houver regras claras. Ao mesmo tempo, ele ressalta que o Brasil não dispõe de poupança interna suficiente para financiar sozinho os investimentos bilionários necessários e precisa encontrar uma forma de combinar capital externo, coordenação estatal e estratégia industrial.
Para Leitão, a definição de prioridades será uma das tarefas centrais do próximo governo. Em um cenário internacional marcado por disputas entre Estados Unidos e China e pela pressão sobre cadeias de energia e matérias-primas, o Brasil terá de escolher onde concentrar seus recursos. “Chegar atrasado ao futuro” significa, segundo ele, repetir um problema histórico: possuir uma enorme riqueza debaixo da terra, mas capturar apenas uma pequena parcela do valor gerado por ela. A aposta, portanto, é transformar a vantagem geológica brasileira em força industrial e econômica.