São Paulo, São Paulo, Brasil. Foto: Pexels
papo de imóvel
Escassez de grandes áreas em bairros nobres faz incorporadoras investirem em projetos exclusivos, na contramão dos imóveis compactos
A escassez de áreas disponíveis nas regiões mais valorizadas de São Paulo está transformando a estratégia das incorporadoras e impulsionando a ascensão dos chamados “prédios boutique”. Em bairros disputados como Jardins, Pinheiros e Vila Madalena, unificar vários lotes tornou-se caro e complexo. Diante disso, terrenos menores — antes ignorados pelas gigantes do setor — passaram a valer ouro.
Por outro lado, o movimento vai contra a tendência de imóveis de 30 m² a 45 m². Afinal, os edifícios boutique oferecem plantas generosas de 60 m² a 300 m². Além disso, esses projetos abrigam poucas famílias em lotes a partir de 500 m². Consequentemente, o foco principal do mercado passa a ser a exclusividade.
Nesse cenário, a incorporadora Bioma captou R$ 100 milhões para investir no segmento. A empresa planeja elevar seu potencial de vendas para R$ 1 bilhão. Além disso, os projetos em Perdizes e nos Jardins possuem VGV médio de R$ 50 milhões. A aposta reflete a alta demanda por empreendimentos bem localizados.
Apesar dos desafios, os dados do Secovi-SP mostram que o mercado imobiliário paulistano segue aquecido, somando mais de 118 mil imóveis vendidos em doze meses. O cenário evidencia que a escassez de espaço não estagnou o setor, mas forçou uma reinvenção arquitetônica e financeira. Em São Paulo, o próximo grande avanço do setor já não depende de terrenos gigantescos, mas da capacidade de transformar pequenos lotes urbanos em produtos únicos.