Jornal Do MyNews
Mariana Londres explica que Fazenda e Planejamento trabalham em um plano fiscal, enquanto o mercado aguarda definições sobre a equipe econômica e medidas para conter os gastos.
O governo Lula prepara um plano de ajuste fiscal para tentar equilibrar as contas públicas, mas ainda não sinaliza uma mudança radical na política econômica. A avaliação é da analista política sênior e jornalista Mariana Londres, entrevistada nesta quinta-feira (5) pelo Jornal MyNews. Segundo ela, o mercado espera medidas mais contundentes, enquanto o governo trabalha com uma estratégia gradual.
A discussão ganhou força após o episódio envolvendo o economista André Lara Resende. Um encontro previsto para o fim de semana acabou não acontecendo, mas um artigo publicado por Lara Resende alimentou o debate sobre a condução da política econômica e o comportamento dos juros.
Mariana destacou que o mercado financeiro acompanha com atenção propostas que possam interferir na política de juros. Segundo ela, existe resistência a medidas que possam gerar maior incerteza sobre a trajetória da taxa básica e dificultar o controle da inflação.
A preocupação dos agentes econômicos está relacionada principalmente à previsibilidade da política monetária. Na avaliação da analista, qualquer sinal de interferência sobre os juros pode aumentar a percepção de risco e provocar reações no mercado.
Por isso, a discussão sobre o ajuste fiscal ganhou ainda mais peso. Para o mercado, uma política fiscal considerada mais rígida poderia ajudar a controlar as expectativas e reduzir a pressão sobre a política monetária.
Apesar da pressão, o governo não indica que pretende apresentar uma mudança radical. Mariana afirmou que a sinalização atual aponta para um conjunto de medidas mais gradual, diferente do que parte do mercado gostaria de ver.
A expectativa por um pacote fiscal mais forte também envolve mudanças na equipe econômica. O mercado acompanha possíveis definições para o Ministério da Fazenda e para o Ministério do Planejamento, além do conteúdo das medidas que o governo pretende apresentar.
Segundo Mariana, os ministérios da Fazenda e do Planejamento trabalham formalmente em um plano de ajuste fiscal. A proposta deve chegar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o retorno dele de uma viagem internacional.
A reunião realizada nesta quinta-feira faz parte desse processo de discussão. De acordo com Mariana, Lula ouviu diferentes interlocutores e aproveitou o encontro para trocar ideias sobre os caminhos da política econômica.
A reunião, portanto, não representou necessariamente o anúncio de um pacote de medidas. O governo ainda precisa definir quais propostas entrarão no plano e qual será o ritmo de implementação.
Nesse cenário, o mercado mantém a atenção voltada para dois pontos: quem ocupará os principais postos da equipe econômica e qual será o tamanho do ajuste fiscal.
A expectativa aumenta porque as decisões do governo podem afetar diretamente a percepção de risco, os juros e as projeções para a inflação. Enquanto o mercado cobra uma resposta mais forte para as contas públicas, o governo sinaliza que prefere avançar de forma gradual.
O resultado dessa disputa entre expectativa e estratégia deve definir os próximos passos da política econômica. A principal dúvida agora é se o plano elaborado pela Fazenda e pelo Planejamento será suficiente para convencer o mercado ou se a equipe econômica terá de ampliar as medidas de ajuste.