Flávio Bolsonaro provocou reação contra a extrema direita, diz economista Foto: reprodução Almoço do MyNews

Flávio Bolsonaro provocou reação contra a extrema direita, diz economista

Economista e conselheiro do BNDES avalia derrota de Flávio Bolsonaro e afirma que campanha não conseguiu combater o medo gerado pelo próprio discurso

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  • Economista Arthur Koblitz, membro do Conselho de Administração do BNDES, analisou o segundo turno das eleições presidenciais.
  • Em entrevista ao Almoço MyNews na sexta‑feira (6), disse que o resultado refletiu reação da sociedade ao avanço da extrema‑direita.
  • Segundo ele, parte dos eleitores conservadores votou contra o bolsonarismo, rejeitando o projeto político da extrema‑direita.
  • Koblitz atribui esse repúdio como fator que contribuiu para a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

O bolsonarismo sofreu um baque nas eleições presidenciais. Essa é a avaliação do economista Arthur Koblitz, membro titular do Conselho de Administração do BNDES e vice-presidente da Associação de Funcionários do BNDES (AFBNDES). Em entrevista ao Almoço MyNews desta sexta-feira (6), ele afirmou que o resultado do segundo turno mostrou uma reação de parte da sociedade brasileira ao avanço da extrema direita.

Para Koblitz, o resultado não significa que o conservadorismo tenha perdido força. O ponto central, segundo ele, está na rejeição ao projeto político apresentado pela extrema direita durante a campanha.

Segundo turno mostrou reação ao bolsonarismo

Na avaliação do economista, o segundo turno produziu um recado importante. Mesmo entre eleitores conservadores, houve uma parcela que decidiu votar contra a extrema direita.

Koblitz considera que esse movimento ajudou a eleger Lula. Para ele, a campanha de Flávio Bolsonaro apresentou propostas e discursos que ampliaram o temor entre parte do eleitorado. Entre os exemplos citados pelo economista, estão posições mais radicais sobre direitos das mulheres e declarações que poderiam aproximar o candidato de setores ainda mais extremos da direita.

Nesse cenário, Koblitz afirma que “quem elegeu Lula foi Flávio”. A avaliação considera que o próprio discurso do candidato contribuiu para criar uma reação contrária nas urnas.

Flávio Bolsonaro e o futuro do bolsonarismo

Outro ponto destacado pelo economista foi o impacto político da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. Para Koblitz, o episódio representa um baque para o bolsonarismo, principalmente porque os demais filhos do ex-presidente não possuem, na avaliação dele, a mesma capacidade de articulação política.

Michelle Bolsonaro, por outro lado, ocuparia uma posição diferente. Koblitz avalia que a ex-primeira-dama possui uma identidade política própria e não pode ser tratada simplesmente como uma substituta de Flávio dentro do movimento.

A sucessão dentro do bolsonarismo, portanto, permanece em aberto. O grupo mantém força política, mas enfrenta uma disputa sobre quem terá capacidade para organizar a direita após a eleição.

Campanha apostou no medo, mas não conseguiu controlá-lo

Koblitz também chamou atenção para a estratégia utilizada durante a campanha. Segundo ele, o discurso em defesa da democracia encontrou forte adesão entre setores da classe média.

Ao mesmo tempo, a extrema direita conseguiu construir uma grande capilaridade nas redes sociais. A campanha explorou o medo e ampliou a circulação de conteúdos sobre temas como o chamado “tesouraço” de Flávio Bolsonaro.

Na avaliação do economista, porém, a campanha de Flávio não conseguiu controlar o medo provocado pelo próprio discurso. A estratégia teria funcionado como uma espécie de efeito reverso: ao tentar mobilizar o eleitorado pelo temor, a campanha também teria estimulado parte dos eleitores a rejeitar o projeto político apresentado.

Para Koblitz, esse movimento ajuda a explicar o resultado do segundo turno. A extrema direita demonstrou força nas demais disputas eleitorais, mas encontrou resistência na eleição presidencial.

O resultado, portanto, não representa necessariamente o fim do bolsonarismo. Para o economista, a eleição mostra que o movimento ainda possui força política e presença nas redes, mas precisa enfrentar uma questão central: como manter sua mobilização sem provocar uma reação dos eleitores contra o próprio projeto?

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