Extrema direita ocupa espaço da direita tradicional nas Américas, diz cientista político Foto: Blog do Barreto Almoço Do MyNews

Extrema direita ocupa espaço da direita tradicional nas Américas, diz cientista político

Cientista político afirma que a direita tradicional perdeu espaço desde 2016, enquanto a extrema direita ocupou esse campo; para ele, eleições recentes indicam reação ao projeto extremista

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  • Miguel Lago, diretor executivo do IEPS, afirmou ao Almoço MyNews (sexta‑feira, 6) que a direita tradicional perdeu força nas Américas.
  • A partir de 2016, o espaço da direita foi ocupado principalmente pela extrema‑direita, que tem conquistado vagas nas eleições.
  • O cientista político ressalta que esse avanço não indica consolidação definitiva da extrema‑direita.
  • No Brasil, Lago destacou diferenças de desempenho entre o primeiro e o segundo turno nas urnas.

A direita perdeu força nas Américas nos últimos anos. O espaço desse campo político, porém, foi ocupado principalmente pela extrema direita. Essa é a avaliação do cientista político Miguel Lago, diretor executivo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), em entrevista ao Almoço MyNews desta sexta-feira (6).

Segundo Lago, esse processo ganhou força a partir de 2016. A direita tradicional perdeu capacidade de mobilização e representação. Enquanto isso, movimentos mais radicalizados conquistaram espaço nas eleições. Para o cientista político, porém, esse avanço não significa uma consolidação definitiva da extrema direita.

No Brasil, Lago destacou a diferença entre o primeiro e o segundo turno. Na primeira etapa, a direita e a extrema direita conquistaram resultados expressivos. O grupo avançou no Senado, na Câmara e nos governos estaduais. O cenário, entretanto, mudou na disputa presidencial.

Segundo turno marcou rejeição à extrema direita

Na avaliação de Lago, a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva representou mais do que uma disputa eleitoral tradicional. Para ele, o segundo turno mostrou uma escolha em defesa da democracia. O resultado também expressou uma rejeição ao projeto político da extrema direita.

O cientista político aponta uma diferença importante entre ter força eleitoral e transformar essa força em vitória presidencial. Mesmo com presença significativa no Congresso e nos governos estaduais, a extrema direita não repetiu no segundo turno o desempenho da primeira etapa.

Para Lago, essa reação também integra um movimento internacional. Ele relaciona o resultado brasileiro a uma rejeição mais ampla ao projeto da extrema direita. Esse movimento também apareceu nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms.

Extrema direita avançou, mas enfrenta reação

A leitura de Miguel Lago não aponta para o desaparecimento da direita. O cenário mostra uma disputa pelo espaço político conservador. Desde 2016, forças de extrema direita ocuparam parte relevante desse campo.

Ao mesmo tempo, os resultados eleitorais mais recentes indicam limites para esse avanço. Na avaliação do cientista político, parte dos eleitores passou a reagir ao projeto da extrema direita nas urnas.

Nesse contexto, Lago coloca a eleição brasileira dentro de uma disputa maior sobre os rumos da democracia nas Américas. Para ele, a vitória de Lula representa uma reação ao avanço da extrema direita. Isso ocorre mesmo diante da força que esse campo demonstrou nas demais disputas eleitorais.

Para o cientista político, portanto, a questão não envolve apenas saber se a direita perdeu uma eleição. O ponto central é entender se o ciclo de crescimento da extrema direita começa a encontrar resistência entre os eleitores.

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